Mais um dia no carnaval e por
mais que passemos nos mesmos lugares e reencontremos várias pessoas dos dias
anteriores, tudo é muito estranho para nos. Ontem, minha irmã me perguntou pela
manhã se eu sai no carnaval com a “roupinha” (acho que ela não quis chamar de
abadá) que ela tinha visto. Para completar, me interfonaram dizendo que o rapaz
que tinha ido comprar o abadá, estava lá embaixo me esperando, o que prontamente
respondi que estavam falando com a pessoa errada. Isso me fez pensar em algo
interessante, o fato de que sim, nos vestimos como foliões, que sim, estamos no
meio do carnaval, mas não, não somos foliões e não, não fazemos parte do
carnaval.
A verdade é que muitas pessoas
não recebem bem o nosso grupo no carnaval e nos também não nos sentimos parte
do carnaval. Em nosso percurso, se tornou comum pessoas criticarem o fato dos “crentes”
estarem na festa e outros reclamam dizendo que nosso lugar não é ali. Somado a
isso uma parte da mídia faz questão de omitir nossa presença e ontem pude ver
que principalmente os canais televisivos divulgam a presença de todos os
grupos, mas “esquecem” sempre do sal da terra. Mesmo assim não somente passamos
pelas ruas do carnaval, mas vemos os foliões nos recebendo e participando
conosco, seja louvando a Deus ou declarando conosco que Jesus Reina e que Paz,
nos só temos em Jesus (Paz só em Jesus é o tema desse ano do sal da terra).
Eu até conversava com um amigo
que por mais que esteja participando pelo quarto ano do impacto de carnaval,
não há como me acostumar em ver cenas que só é possível ver durante a festa do
carnaval. Até porque acredito que a realidade não é algo que se acostuma, mas
algo que se enfrenta. Lidar com pessoas bêbadas, drogados, pessoas sem um pingo
de moralidade, ver devassidão, são coisas que para o carnaval são normais, mas
para nos não. Vivemos no mundo, mas não há como aceitarmos a realidade desse
mundo (por isso talvez muitos tenham dificuldade de lidarem com a realidade, já
que não a aceitam).
Trabalhamos contra a cultura de
cultuarmos a nossa carne durante o carnaval, contra a cultura de uma festa que é
regada por muito sexo e álcool e entramos com uma contra-cultura da carne,
levando às pessoas a receberem o Reino de Deus em suas vidas. Para você pode
até parecer um exagero da minha parte, podemos ver essa cultura da carne em
temas de desfile, como o tema que a mocidade alegre escolheu (http://g1.globo.com/sao-paulo/carnaval/2013/noticia/2013/02/mocidade-alegre-tenta-bicampeonato-com-bom-humor-e-convite-tentacao.html).
A cada ano que se passa não só a moralidade é jogada na lata de lixo, mas
tenta-se subverter-se os valores e verdades universais que temos em nossa
humanidade. Essa escola trouxe ideias como a de que devemos morder a maça (devemos
nos entregar a toda tentação da carne) e ideias como a de que o céu na verdade
é para os pecadores. Eu poderia até falar sobre como no carnaval de Salvador
existe um estimulo e incentivo ao consumo desenfreado de álcool (até porque os
maiores patrocinadores são cervejarias), incentivo a depravação, onde deve-se
fazer de tudo com todo mundo, seja homem ou mulher e de tantas outras coisas,
mas não irei falar sobre isso.
Ontem conversava com uma pessoa e
ela me dizia que não existiam verdades absolutas e que por isso não podíamos afirmar
nada com certeza. Se você parar e analisar a frase dessa pessoa você pode
constatar que a própria frase é falsa em si mesma, pois para aquele homem dizer
que não se tem certeza de nada é algo que para ele é uma certeza (o que
contradiz a ideia central) e como ele diz que não se pode ter certeza, ele não
pode ter certeza de nada. Mostrei então que através da moralidade, Deus
implantou dentro de nos um senso do que é certo e errado e sobre como em todas
as partes do mundo existem coisas que são universais, como matar, roubar,
adulterar, mentir são coisas erradas em qualquer lugar do mundo, ou seja, são
verdades absolutas.
Tentam colocar em nossa cabeça a
todo custo uma mentira, que como bem disse um amigo meu chegar a ser uma
burrice (ele me disse que era muito suave dizer que é ignorância e realmente
é). Uma coisa eu posso garantir a você que me lê que assim como o povo diz, a
mentira tem perna curta, ou seja, não dura muito tempo e esse engano trazido
pelo secularismo, pela celebração da carne é algo que com um mínimo de
consciência ou de reflexão gera uma repulsa imediata a tudo o que a festa envolve.
Porém, contrariamente a essa idéia vemos que não somente possuímos fé no que
cremos, na essência do Cristianismo, mas também possuímos fideismo, pois o
testemunho que relataram tudo o que Jesus fez não só continua vivo e imutável até
hoje, mas também foi defendido mesmo quando se matou as pessoas que conheceram
a verdade. E o lhe termino lhe perguntando, quem morreria defendendo algo
mentiroso ou falso?
É por isso que continuo na minha
jornada, levando às pessoas a usarem não só a fé, pois muitas pessoas no
carnaval possuem fé, mas precisam usar a sua razão para verem o quanto elas
necessitam de Cristo e necessitam do seu sangue derramado e da redenção que
recebemos através da ressurreição de Cristo, o qual irá voltar para nos buscar
e nos levar para a terra prometida, o céu, até porque não dá para se sentir
parte deste mundo.

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