sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quando a glória de homens é mais importante do que a glória de Deus

Há quase três anos atrás, quando eu decidi casar, eu também decidi me despedir da vida de solteiro com estilo. Então tive a idéia de ir fazer uma trilha de 7 dias em Machu Picu e me “destruir”. Na minha cabeça para mim seria uma obrigação fazer alguma loucura, que eu imaginava que não poderia fazer depois de casado. Para minha surpresa, Lorena veio me dizer que queria fazer essa viagem comigo. Em minha mente só vinha a pergunta: Será que ela não entendeu que eu quero ir sozinho? Na verdade verdadeira, eu queria ir sozinho, porque eu não queria me preocupar com ninguém, além de mim mesmo.

Foi muito forte e intenso como Deus resolveu usar aquela situação para me ensinar alguém extremamente útil e importante para o meu casamento: O fato de que eu não podia fazer escolhas por Lorena e como ela decidiu andar comigo, ela decidiu caminhar ao meu lado em toda e qualquer situação. Que não adiantava eu querer me tornar um só com ela, sendo que na verdade eu só estava preocupado comigo mesmo. A questão é que eu simplesmente me permiti ser cego, me permiti não olhar além do final do túnel em que minhas decisões estavam me levando.

Infelizmente eu até hoje ainda falo e faço muitas coisas das quais me arrependo, mas em todas essas situações eu consigo perceber que sempre que só em preocupo comigo mesmo ou quando apenas me permito ver as coisas sob os meus olhos, sob a minha perspectiva, eu sempre “quebro minha cara”.

A algumas semanas, quando eu estava lendo a bíblia, acabei me lembrando dessa situação e de como as vezes acabo olhando as coisas da maneira que eu quero:
Disse-lhes então Jesus: "Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo.
Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz". Terminando de falar, Jesus saiu e ocultou-se deles.
Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais miraculosos, não creram nele.
Isso aconteceu para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse: "Senhor, quem creu em nossa mensagem, e a quem foi revelado o braço do Senhor? "
Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar:
"Cegou os seus olhos e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure".
Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele.
Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga;
pois preferiam a aprovação dos homens do que a aprovação de Deus. (João 12:35-43)

Essa passagem ocorre logo depois da entrada de Jesus em Jerusalem, onde se cumpriria o ministério de Jesus. Antes disso Jesus já tinha transformado água em vinho (João 2), , havia curado pessoas a beira da morte (João4), paralíticos (João 5), cegos (João 9), ressucitado mortos (João 11), já havia multiplicado os pães, já havia andado sobre as águas e operado muitos outros sinais.

No inicio dessa passagem (vs. 36-36), vemos que Jesus usa uma palavra para falar com o povo. Ele fala sobre luz e trevas. Ele usa a ideia que devemos andar na luz, pois se andarmos nas trevas, não saberemos para onde estamos indo. Obviamente a luz é Jesus e as trevas são a vida sem Jesus, a vida no pecado. Quando decidimos viver sem Jesus em nossas vidas é como se caminhássemos sem saber para onde estamos indo.

A passagem continua falando, no versículo 37, que mesmo diante de tantos sinais e milagres, não creram nEle. E porque não creram nEle? Para que se cumprisse o que Isaias havia profetizado no ano 712 a.c., como está escrito no capítulo 53 de Isaias. Isaias já havia profetizado que as pessoas não creriam no Messias, que ele seria rejeitado e desprezado.

Isso porque como Deus havia falado com Isaias, o povo não queriam ouvir, ver e entender as coisas de Deus. É interessante que essa mesma passagem é dita no capítulo 13 de Mateus, quando perguntam a Jesus, sobre o porque dEle falar em parábolas. Não creram simplesmente, pois tiveram o seus corações endurecidos e os seus ouvidos tapados.

Nossa passagem começa a terminar, quando João nos fala que os fariseus, muitos não acreditaram em Deus, pois tinham medo de serem expulsos da sinagoga e termina nos falando que as pessoas preferiram amar mais a aprovação, a glória dos homens do que a glória de Deus. A crença não se deu pelos fatos, até porque tudo ao redor demonstrava que Jesus era o filho Deus, porém as pessoas não tinham predisposição em aceita-lo como tal.

Há um tempo atrás era moda ser crente. Pessoas se orgulham em bater em seu peito e em dizer eu sou crente. Empresas procuravam pessoas que fossem crente para contrata-las. Hoje a nossa realidade é diferente. Pessoas sentem vergonha em dizer que são crentes, pois sempre que nos dizemos que somos crentes, ouvimos logo uma enxurrada de críticas sobre fulano e fulana que dizem que são crentes e fazem isso e aquilo. Empresas hoje pensam duas vezes antes de contratar um crente, porque os crentes estão sendo conhecidos como aqueles que roubam o tempo do trabalho para ler a bíblia, como aqueles que não honram o seu trabalho quando é necessário fazer hora extra e como aqueles que “espiritualizam as coisas”.

Ser crente hoje é ser como os fariseus se sentiam. É ser uma pessoa separada, afastada do resto. O crente fala diferente (Imagina só se alguém que não é crente vai entender o que é vaso, varão, o que significa dizer só o sangue...), não se “ajunta”, nem se mistura, nem se relaciona com os outros, é a pessoa santa e que por se santa, se acha melhor do que as outras. E quem eram esses fariseus? Eram os “separados”, os “santos”, os que se achavam a “verdadeira comunidade de Israel”, eram pessoas que buscavam levar todos a viver estritamente o que está escrito na palavra de Deus. Poderíamos dizer que eram pessoas que só se permitiam viver dentro de uma “receita de bolo”, dentro de algo prescrito, planejado ou algo que para eles seria aceitável viver.

Quando prestamos atenção na passagem que lemos, vemos que as pessoas não acreditavam em Jesus por medo dos fariseus. E qual era o medo que eles tinham? O medo de que os fariseus o tirassem da sinagoga? E por que alguém teria medo de ser expulso da sinagoga? A sinagoga era algo parecido como um espaço que as pessoas se reuniam como igreja. Era na sinagoga que as pessoas conseguiam se “elevar”, se encontravam com Deus.

E o que isso poderia representar em nossas vidas? Que muitas vezes, temos nos referendado em pessoas que se acham as donas da verdade, quando na verdade, deveríamos nos referendar naquele que é a própria verdade (conhecereis a verdade e ela vós libertará – Jo 8:32).

Você pode até me dizer: Gabriel, eu sei tudo isso que você está falando, mas nada disso tem a ver com a minha vida.

Vamos dar uma olhada do que João 9:39-41:
Disse Jesus: "Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que vêem se tornem cegos".
Alguns fariseus que estavam com ele ouviram-no dizer isso e perguntaram: "Acaso nós também somos cegos? "
Disse Jesus: "Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado; mas agora que dizem que podem ver, a culpa de vocês permanece".

Pô, uma parábola de novo? Talvez isso passe pela sua cabeça, mas o que isso significa é muito claro. No capítulo 9 de João, Jesus é questionado se um homem era cego de nascença pelos seus pecados ou pelos pecados de seus pais (os judeus, assim como outras pessoas também acreditam, que as doenças e as coisas ruins são frutos do pecado) e Jesus responde a eles que não foi nem pelo seu pecado, nem pelo pecado de seus pais, mas para que a glória de Deus se manifestasse na vida dele. Inicialmente parece que a glória de Deus se manifesta tão somente quando aquele homem é curado, mas quando lemos essa passagem vemos que a pessoas é curada, mas nem sabe quem o curou e que toda aquela situação fez com que ele conhecesse a Jesus e passasse a crer, a seguir e a adorar a Deus.

O pecado, através do desejo de sermos independentes, o que nos fez sermos egoncintricos, naturalmente nos leva a ser cegos. E foi sobre isso que Deus falou a Isaias, que por conta do pecado, naturalmente o nosso coração foi endurecido, os nossos ouvidos foram tapados, por conta da nossa atitude pecaminosa. Somente Jesus pode nos levar a ver.

Em João 11:15, Jesus nos fala que era necessário que Lazaro morresse, para que seus discípulos verdadeiramente pudessem crer nEle. No versículo 35, do capítulo 20 de João, o evangelista nos fala que todos os sinais foram escritos, para que pudéssemos crer que Jesus é o filho de Deus e para que tivéssemos vida nEle.

Agora, você pode me dizer que você crê que Jesus é o filho de Deus. Mas eu lhe pergunto você tem vida nEle? E o que é ter vida em Jesus?

É viver contrariamente às pessoas das passagem que lemos. Pessoas que amaram, que preferiam a aprovação, a glória dos homens do que a glória, do que a aprovação de Deus. Pessoas que estavam mais preocupadas em ter a presença de Deus, em ver a glória de Deus, do que se relacionar com Deus, do que viver na glória de Deus. Hoje muitas vezes só estamos mais preocupados em “receber”, em “ver”, do que verdadeiramente em viver.

Talvez você já tenha recebido muitas bênçãos de Deus, talvez você tenha recebido milagres de Deus, talvez até você sinta amado por Deus, mas o que eu tenho a lhe dizer que é existe algo muito além disso. Ontem quando estávamos no sopão, eu vi Eduardo ficar surpreendido com um rapaz que começou a profetizar e falar coisas de Deus sobre as nossas vidas. Eduardo ficou meio que impressionado em como um homem naquela situação, drogado, longe da presença de Deus pode ser usado. E a resposta é muito simples: Aquilo que Deus dá, ele não toma. Às vezes nos somos iguais ao rapaz, somos usados, temos a presença de Deus, mas não pertencemos ao Senhor.

Existem pessoas que amam mais a si mesmo, mais aos outros, do que a si mesmos. Vivemos na política do “farinha pouca, meu pirão primeiro” e oram que seja feita a vontade dela na terra assim como no seu. O seu ego e a sua vontade é mais importante do que qualquer coisa.

Nesse momento eu tenho uma má noticia para você. A boa é que se você me disse que você “vê”, eu terei que lhe dizer que você precisa se tornar cego, para que Jesus possa lhe fazer “ver” e se você me disse que não vê, eu lhe direi, que você precisa permitir que Jesus abra os seus olhos.

E ao que está ligado o ver? Está ligado a não endurecer o coração, a abrir os nossos ouvir, a abrir o nosso entendimento, para que possamos mergulhar em um verdadeiro relacionamento com Deus. Em parar de ficar criando regra, de dizer para Deus que você não acredita nisso, que você não concorda ou não aceita isso ou aquilo, mas simplesmente se permitir a ter EXPERIÊNCIAS, experiências essas que lhe permitiram ter um RELACIONAMENTO, relacionamento esse que lhe permitirá receber a aprovação, a glória de Deus.

Para você que ainda tem dúvidas sobre o fato se você precisa receber a aprovação, a glória de Deus, vou lhe dar um toque sobre o que viver a luz segundo a palavra de Deus:
Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações. Tendo perdido toda a sensibilidade, ele se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza. Todavia, não foi assim que vocês aprenderam de Cristo. De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Quanto à antiga maneira de viver, v ocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo. "Quando vocês ficarem irados, não pequem". Apazigüem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao diabo. O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade. Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem. Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo.( Efésios 4:17-32)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Quando somos iguais a uma tampa de panela

No Sábado, quando cheguei em casa decidi preparar um macarrão para eu almoçar. Fui pegando os itens que eu ia usar e vi que um dos ingredientes mais importantes estava faltando: o molho de tomate. Até pensei em fazer o macarrão sem o molho, mas seria um desastre, abri então a geladeira e vi que tinha um resto de molho de macarrão. Fiz um “juntado” e dei um jeito de fazer um molho “quebra-galho”. Quando tudo estava pronto, dei um vacilo. Bati sem querer na tampa da panela, que era de vidro e ela caiu no chão e se estilhaçou toda.

Na hora que isso aconteceu, eu percebi Deus ministrando algo muito profundo no meu coração (e aí já dá até pra dar uma desculpa por ter quebrado a tampa). Ele me falou sobre como a história do homem é igualzinho a tampa que eu quebrei.

Os versículos 26 e 27 do capítulo 1 de Genesis nos diz que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus. Recebemos o sopro de vida do próprio Deus. Infelizmente sabemos o final da história. O homem deu um “vacilo”, assim como eu vacilei me batendo na tampa. 

O problema é que uma vez que se quebra algo, não há como se fazer aquele algo de novo. Por mais que eu tive uma excelente cola, por mais que catasse cada caco, eu jamais conseguiria refazer a tampa exatamente como ela era. Nas nossas vidas é a mesma coisa. A bíblia nos fala que por causa do pecado de Adão todos nos pecamos (Rm 5:12). Somos fruto do pecado e somos como uma tampa de panela remendada. Se pode até virar para mim e dizer “Lá ele”, “Lá ela”, eu é que não sou igual a uma tampa quebrada. Mas a verdade é que fugimos da criação do plano original para nossas vidas pelo vacilo, que chamamos. A bíblia no versículo 23, do capítulo 3 de Romanos até nos diz que porque todos pecaram, ficamos destituídos da glória de Deus.

E quando comecei a ser ministrado sobre isso, Deus começou a decifrar algo que há um bom tempo ele tem ministrado em meu coração. Mas vamos por partes.

João 15:1-8 diz:
Eu sou a videira  verdadeira, e meu Pai é o agricultor.

Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda.
Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado.
Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode ddar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim.
"Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.
Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados.
Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido.
Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos.

Essa passagem nos mostra algo extremamente profundo. Mostra que precisamos nos unir em Cristo para voltarmos ao plano original de Cristo. Somos como produtos piratas vendidos em camelo, mas através de Cristo voltamos a ser produtos originais e até ganhamos o selo do INMETRO.

É interessante o fato de que fomos enxertados em Cristo. Somente o povo escolhido, os judeus tinham direito a salvação, mas através de Cristo passamos novamente a ter acesso a Deus. Sempre quando penso em enxerto penso na cirurgia do meu joelho, que o médico tirou um pedaço de carne da minha coxa para colocar no meu joelho. O agricultor, o nosso Deus, deu o filho Dele, para que pudéssemos ter direito a salvação novamente. Eu sei que eu colei na salvação e você, vai ficar de fora?

Mas o que precisamos fazer para estar em Cristo? É aí que entramos na parte mais importante:

Lucas 9: 23 diz:

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.”

Jesus ao ser reconhecimento como filho de Deus por Pedro e depois de anunciar tudo o que ele iria precisar fazer (ser rejeitado, ser morto e ressucitar ao terceiro dia), ele dá o “bônus” aos discípulos de lhes ensinar o que eles precisavam fazer para segui-lo.

A primeira coisa que devemos fazer é negar a nos mesmos. É abrirmos mão das nossas vontades e desejos, para que possamos viver segundo a vontade de Deus em nossas vidas.

A segunda coisa é tomar a nossa cruz diariamente. É interessante que o evangelho de Lucas é o único que ressalta que o ato de tomar a nossa cruz é algo diário. E o que seria tomar a nossa cruz? Tomar a nossa cruz está ligado ao fato de sermos verdadeiros com o que somos e permitirmos todos os dias que Deus tome a direção do nosso “volante”.

Pô, mas Jesus não já carregou a cruz, por que eu também tenho que carregar uma também? A palavra de Deus nos diz que conheceríamos a verdade e que ela nos libertaria (Jo 8:32), precisamos então ter a verdade em nossas vidas e sermos verdadeiros com nos mesmos.

Lemos na passagem da videira, que através de Cristo iremos gerar frutos e já disse que esses frutos estarão ligados ao nosso caráter. O problema é que como a tampa da panela, o nosso caráter foi estilhaçado durante a história do homem. Dessa forma, precisamos do caráter de Cristo em nossa vidas. Paulo soube falar muito bem sobre isso quando ele disse que não mais ele, não mais os pensamentos dele, os desejos dele, não mais o cartér dele (até porque ele disse que tudo o que ele tinha feito e aprendido era estrume), mas que Cristo vivia, estava enraizado Nele (Gl 2:20).

A questão é que as vezes nos preferimos viver segundo o que somos. Vivemos em meio a tentativas de auto ajuda, queremos usar o poder da mente, ou queremos bater com a nossa cabeça contra a parede. Como eu disse por mais que eu tente, eu jamais conseguirei refazer a tampa da panela como ela era (ainda mais agora que eu já joguei no lixo). Eu mesmo sou um exemplo disso, já fiquei várias vezes repetindo em minha mente que não iria me stressar, que não ia me stressar... e no final acabei me stressando.

Pense comigo em uma situação. Imagine que “Lá ele” decida começar a orar para não mais urinar nem defecar. O que vai acontecer com ele? Explodir? Claro que não, urinar e defecar são necessidades fisiológicas que não podemos mudar.

Da mesma forma existem coisas que estão enraizadas no nosso caráter que jamais conseguiremos mudar. É o que eu sempre digo, dê uma revista de mulher pelada para um homem, se ele não se “alterar” é porque tem algum problema com ele.

O que devemos fazer então? Devemos tomar a nossa cruz diariamente e reconhecermos que precisamos do caráter de Cristo em nossas vidas. Precisamos estar unidos com Ele o tempo todo e em todos os momentos. Temos que ter como hábito diário o ato de nos olharmos no espelho de dizermos que: Só por hoje não serei impaciente, só por hoje não serei orgulhoso, só por hoje não vou buscar satisfazer minha carne...

Por fim, precisamos seguir Jesus e seguir Ele é caminhar, ter experiências. Se não caminhamos com ele, não temos nenhuma parte Dele. Precisamos estar unidos recebendo e compartilhando situações com Ele para que possamos crescer e amadurecer.

Hoje eu tive outra experiência muito interessante enquanto eu tomava banho, quando a água escorria sobre meu corpo, sentia um refrigério de Deus em mim, sentia as gotas de água sendo derramadas sobre mim e elas não paravam de cair sobre mim. Só pararam quando eu desliguei a torneira.

Sabe de uma? Você pode até me dizer que eu não te conheço, que você é um sem vergonha descarado, que você é o maior kozeiro da face da tarde ou até me dizer que você tentou de tudo e ainda não conseguiu se consertar, mas eu quero que você saiba que quando permitimos Deus agir livremente em nossas vidas, quando negamos a nos mesmos, tomamos a nossa cruz diariamente e seguimos a Jesus, a vida que há em Cristo é derramada ilimitadamente sobre nos. Continuara escorrendo continuara sendo derramado e nunca irá parar.

É como Jeremias (Je 17:5-9) bem profetizou:

Assim diz o Senhor: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor.
Ele será como um arbusto no deserto; não verá quando vier algum bem. Habitará nos lugares áridos do deserto, numa terra salgada onde não vive ninguém.
"Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está.
Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto".

quinta-feira, 5 de julho de 2012

+ Deus - Eu


+ Deus - Eu
Quem está irritado, se irrita por qualquer coisa, quem está ferido, se fere por qualquer coisa. Começo com essa frase, que logo após um pedido de perdão, acabei reconhecendo um erro meu, em me irritar ainda mais com certas situações, quando na verdade, deveria buscar em Deus uma atitude diferente.
O problema é que em meio às gabrielas da vida, que sempre nos dizem que “nascemos assim e iremos morrer assim”, acabamos nos acomodando com o que dizemos que é a nossa natureza ou coisas da nossa personalidade. Enfim, eu sou mais um de muitos, que diante do fato de sempre “bater a cabeça na parede” quase desistiu de lutar contra os defeitos e falhas da nossa “natureza”.
Na última semana estive refletindo muito sobre a vida de Josué. O nome Josué significa o Senhor salva e o significado de seu nome e sua vida me ajudam a observar que é só em Deus que encontramos uma vida verdadeira.
Coube a Josué o “esparro” de substituir Moises, considerado o maior profeta de Israel, ao qual coube guiar o povo da libertação da escravidão do Egito até a terra prometida. Caminha essa recheada de rebeliões, queixas, murmurações, reclamações, saudades do tempo de escravidão, entre outras tantas coisas que aconteceram nos 40 anos que ele esteve a frente do povo.
Antes de passar o “cajado”, Moises traz uma palavra de Deus sobre a vida de Josué:
Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa deles, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará".
Então Moisés convocou Josué e lhe disse na presença de todo o Israel: "Seja forte e corajoso, pois você irá com este povo para a terra que o Senhor jurou aos seus antepassados que lhes daria, e você a repartirá entre eles como herança. O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime! "
(Dt 31:6-8)
Já com o “cajado” na mão o próprio Deus repete o que já havia dito para ele:
Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar". (Js 1:9)
Me chama muito atenção a promessa de Deus que ele estaria com Josué, que Ele iria a frente das batalhas e que Ele não iria abandoná-lo. Isso por si só já era uma garantia de que a batalha já estava ganha e que tudo o que precisasse ser feito seria feito.
Uma coisa era fato, sem Deus, o povo não iria para lugar nenhum, sem o poder de Deus, eles não iam ganhar nada. Então por que Deus chama Josué para ser forte e corajoso? Antes de responder essa pergunta preciso lembrar que Deus chama a atenção para que ele não desanimasse e não tivesse medo.
O desanimo em nossas vidas, na maioria das vezes é ligado ao fato de que a nossa razão não nos permite acreditar, crer, ter fé. O desânimo tem um efeito poderoso de destruir exércitos e nações através do desânimo. Já o medo, é algo que podemos relacionar a falta de amor, que por si só, além de gerar vários efeitos nos leva a duvidarmos e a fugirmos das nossas responsabilidades.
Josué sabia que ele não precisava de força humana porque seria a força de Deus que venceria a batalha e que também não precisaria de coragem humana, já que seria a ousadia no Espírito Santo que lhe permitiria conquistar a vitória. Percebo então, que o chamado de Deus para Josué é que ele fosse verdadeiro com a situação humana dele, para que não desanimasse e muito menos fugisse do que Deus tinha para ele.
Aprendo então que mais do que nunca somente através de Deus e do Espírito Santo conseguirei lidar com os meus problemas, já que somente Ele pode mudar minha vontade, pensamentos, desejos, necessidades, caráter e natureza.
Que seja então mais de Deus e menos de mim. Que verdadeiramente a minha força esteja em não me acomodar, mas em sempre conseguir pedir ajudar ao meu Deus e confiar que Ele sempre virá em meu socorro. E que a minha coragem esteja em me apoiar na ousadia do Espírito Santo, o que me ajudará a sempre tomar as decisões e agir da maneira que Deus quer que eu haja. E “vamo que vamo” que vem muita vitória pela frente.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Coração gelado, razão desequilibrada...


Coração Gelado, Razão Desequilibrada

Essa semana estive lendo os versículos de 1 a 8, da carta aos Hebreus:
 Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem à morte, da fé em Deus, da instrução a respeito de batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. Assim faremos, se Deus o permitir. Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo,  experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública. Pois a terra que absorve a chuva, que cai freqüentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção de Deus. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada. Seu fim é ser queimada.
O livro de Hebreus foi escrito para pessoas que queriam se prender aos ensinos do Antigo Testamento, querendo retornar para o judaísmo ou então judaizar o evangelho. Hebreus também poderia ser chamado de livro das coisas melhores, já que diversas vezes o seu escritor usa os termos melhores e superiores.
Há um chamado claro em não nos prendermos na lei, mas sim confiarmos em Cristo. Há um chamado a perseverarmos nas nossas lutas, para que não sejamos condenados como o foram a geração rebelde dos israelitas no deserto.
Essa semana estive parando para pensar sobre a apostasia que temos enfrentado em nossos dias atuais e como ela é um ato ligado a nossa fé e razão, que conseqüentemente nos afasta do amor de Deus.
Segundo a definição do site Bíblia on line, a palavra “apostasia” significa “Ato de desviar-se ou afastar-se do relacionamento com Deus”. O dicionário Aurélio corrobora com tal definição:
Apostasia (do grego apostasia) — Substantivo feminino.
1. Separação ou deserção do corpo constituído (de uma instituição, de um partido, de uma corporação) ao qual se pertencia.
2. Abandono da fé de uma igreja, especialmente a cristã.
3. Abandono do estado religioso ou sacerdotal.
Durante muito tempo, sempre pensei que a apostasia seria um simples abandono da fé, em que as pessoas publicamente iriam negar a Deus. Porém tenho visto que a apostasia, tem se manifestado de uma maneira um pouco mais sutil em nosso meio. Temos vivido um tempo muito bem representado por uma história que li essa semana:
Dois homens estão sentados em um avião. Ao primeiro é dado um pára-quedas e é orientado a colocá-lo, pois, o pára-quedas melhoraria a qualidade do seu vôo. Ele fica um tanto cético no início porque não consegue ver como o fato de usar um pára-quedas em um avião poderia melhorar a qualidade de seu vôo. Depois de um certo tempo porém, ele decide experimentar para ver se o que lhe havia sido dito era mesmo verdade. Então, quando ele coloca o pára-quedas, ele nota o peso sobre seus ombros e descobre que tem dificuldade para sentar-se direito. Mesmo assim, não tira o pára-quedas de imediato, pois se consola com o fato de que lhe foi dito que o pára-quedas melhoraria o seu vôo. Assim, ele decide dar um tempinho para ver se a tal coisa funciona mesmo. Enquanto espera, percebe que alguns dos outros passageiros estão rindo dele, pelo fato de ele estar usando um pára-quedas em pleno vôo. Ele começa a sentir-se um tanto humilhado. Quando os outros passageiros começam a apontar e rir dele, ele não agüenta mais! Então, encolhe-se em sua poltrona e arranca o pára-quedas, jogando-o ao chão. Desilusão e amargura preenchem o seu coração, pois, pelo que parece, contaram-lhe uma mentira absurda!
O segundo homem também recebe um pára-quedas, mas escutem só o que lhe é dito: “Coloque este pára-quedas, pois a qualquer momento você terá que saltar deste avião e nós estamos a 25.000 pés de altura.” Ele fica muito agradecido e coloca logo o pára-quedas; Nem percebe o peso do objeto sobre seus ombros, muito menos se incomoda com o fato de que não consegue sentar-se direito, pois sua mente está ocupada (ou até mesmo consumida) pelo pensamento do que aconteceria se saltasse sem o pára-quedas.
Essa história me fez pensar em duas situações que tem sido comuns hoje em dia. A primeira é a situação de pessoas que procuram a Deus para melhorarem sua qualidade de vida. Procuram um guru, alguém que ensine a ter uma vida melhor e mais correta. Infelizmente essas pessoas acabam se desiludindo e amargurado, é a típica pessoa ferida.
A segunda pessoa é a que faz as coisas através do conhecimento, da maturidade, de que aquilo é o melhor, é o correto e por isso consegue lidar com as situações.
E qual é o ponto importante? É que existem muitas pessoas desiludidas e amarguradas e poucas pessoas que tomem decisões de maneira racional e equilibrada.
Vivemos um tempo em que realmente o coração das pessoas está se esfriando ("E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará". Mateus 24:12). E por que isso está acontecendo? Porque a nossa escolha as vezes é boa, fazemos o que é correto, mas a nossa motivação, o nosso combustível, não é o correto.
Neste livro nos vemos 6 pontos tidos como fundamentos do evangelho (versículos 1 a 3 do capítulo 6 de Hebreus): 1-o arrependimento, a negação da natureza humano e da rebeldia a Deus; 2- a fé em Deus, ligado a confiança em Cristo; 3- a instrução a respeito do batismo, ligado ao ato de morrer para o eu e ter uma nova vida em Cristo; 4- a imposição das mãos, que eu ligo a idéia de termos pessoas que orem por nos e sejam autoridade sobre as nossas vidas, nos curando e ministrando sobre as nossas vidas; 5. Ressurreição dos mortos, ao fato de que todos irão ressucitar no final dos tempos e 6-juízo eterno, ao julgamento em que muitos por negarem a graça da salvação e por persistirem no pecado serão condenados.
O ponto que me chama a atenção é como é forte a afirmação de Paulo nos versículos 4 a 6, deste capítulo em que ele diz que existem pessoas que sejam reconduzidas ao arrependimento pois essas estão crucificando para si mesmas, Cristo, ou seja, negando o sacrifício que foi feito pelas nossas vidas. Para quem não sabe, Cristo morreu na cruz para que todos, TODOS, TODOS MESMOS, pudéssemos ter direito a salvação.
A interpretação desses versículos é que ele fala sobre pessoas que passaram a seguir a Deus por motivos errados, pela base errada, ou seja, não estão seguindo verdadeiramente a Deus. São pessoas que vivem uma religião e esquecem de viver um relacionamento com Deus.
E qual a diferença? A diferença é que muitas vezes não agimos de maneira racional, nem muito menos com base na fé, mas tomamos uma decisão de seguir aquilo que parece ser mais conveniente. São pessoas que não abriram mão do pecado original; o da rebelião contra Deus, do desejo de querer conhecer o bem e o mal, de querer ser igual a Deus. São pessoas que são deuses dos seus próprios destinos.
Isso me fez pensar em pessoas que fazem coisas boas, que tomam decisões, que entregam sua vida para Cristo, mas se esquecem de viver, de serem regados (Mateus 13) e frutificarem.
Os versículos 7 e 8 reforçam essa idéia e nos contam uma parábola. Essa parábola fala de um terreno que foi cheio de água (recebeu muita água da chuva). Existem diferentes tipos de terrenos e cada terreno gera um tipo de vegetação. Dessa forma, só sabendo que foi cheio de água, não dá para saber qual seria a vegetação, os frutos que podem ser gerados em um terreno. A parábola nos fala de dois terrenos que recebem a mesma quantidade de água, porém um gera uma colheita proveitosa (erva proveitosa) – fruto que pode ser comido, que gera vida – e fala de outro terreno que gerou espinhos e ervas daninhas (abrolhos). Um terreno produz vida e o outro produz morte. Isso nos fala de dois tipos de pessoas que temos hoje em dia, as que recebem o chamado de Deus e por isso recebem a vida e outras que negam, que rebelam esse chamado, gerando morte em suas vidas.
Como remédio, como resultado de tudo que falamos podemos ler que nos versículos 9 a 12, o escritor esperava coisas melhores, como trabalho, amor, serviço, diligência e certeza da salvação, fé, paciência e o fato de recebermos a herança das promessas de Deus em nossas vidas. Fala das coisas do reino de Deus, que não são comida, nem bebida, mas paz,justiça e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17).
Que verdadeiramente possamos viver no amor, no verdadeiro sentido de entendermos que Deus nos amou e por isso nos o amamos e decidimos segui-lo. Que o nosso coração esteja aquecido e que a nossa razão esteja equilibrada.