quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Grito dos estigmatizados – Parte 1

A algum tempo tenho parado para pensar na dor que sentem as pessoas estigmatizadas. Segundo o dicionário uma pessoa estigmatizada é aquela que traz no corpo algum estigma (marca, sinal, cicatriz, entre outros) ou que é criticada, censurada ou acusada publicamente.
Mas por que então se preocupar com os estigmatizados? Simplesmente porque vivemos em uma sociedade, em que não somos mais conhecidos pelos nossos nomes, pelas nossas qualidades, mas sim pelos nossos estigmas. Temos dificuldade de lembrarmos o nome de uma pessoa, mas nos lembramos facilmente do fulano de tal que pagou o maior “mico” ou da cicrana de tal que caiu da escada. Somos a sociedade de diversos cicranos, cicranas, fulanos e fulanas. Não somos mais conhecidos pelo fato de sermos José, Maria ou João, mas sim por determinadas doenças que temos ou por fatos que nos levem a ser censurados ou criticados.
É muito comum censurarmos o fato de demorar algo em torno de 15 minutos para uma pessoa de cadeira de rodas entrar no ônibus. E eu principalmente quando estou atrasado para algo, sou um dos primeiros a censura-los. Mas a pergunta que me vem na cabeça é: que culpa um cadeirante tem do mecanismo durar tanto tempo para que ele possa pegar um ônibus? 
Há um tempo atrás eu fui procurar a pessoa que eu tinha emprestado a minha bíblia e a resposta que recebi prontamente foi que a irmã que caiu da escada estava com ela. Inocentemente eu decidi então perguntar o nome da irmã que caiu da escada e a resposta que obtive foi a de que era um absurdo eu não me lembrar da minha irmã que caiu da escada.