segunda-feira, 13 de maio de 2013

Quando a chave não é o suficiente para abrir a porta





Não retribua o mal com mal e façam pelos outros  aquilo que você gostaria que fizesse por você, são princípios que tem sido basilares na minha vida. É claro que às vezes acabo me passando em algumas situações, mas o meu mestre, Jesus, sempre com sua calma e tranquilidade sempre me ajuda através do seu exemplo, da sua palavra e das minhas experiências, sempre me lembra como devo agir e o que devo fazer.

Recentemente uma situação me serviu de grande aprendizado. Estava em um ônibus e estava bem sonolento, a ponto de não conseguir perceber nada do que estava acontecendo ao meu redor. Comecei a perceber que estava havendo algum tipo de discussão, mas o meu sono no momento foi mais do que qualquer curiosidade que eu pudesse ter. Enquanto isso, um rapaz, de um centro de recuperação entregando seus prospectos pedindo a colaboração de R$2,00 para ajudar a manter o centro que ele fazia parte. De repente, chegando próximo de onde eu estava, ele falou para o cobrador que podia deixar a moça passar que ele ia pagar o transporte. Foi aí que eu vi o que estava acontecendo: tinha uma pessoa tentando passar a roleta sem pagar e o cobrador não estava deixando.

Poderia até trazer alguns detalhes da situação, como o fato de que a pessoa que foi ajudado aparentava ser uma pessoa “especial” (com algum tipo de deficiência mental), mas o fato é que a ajuda veio de uma lugar que eu não esperava: veio de alguém que estava pedindo ajuda.

Isso me fez refletir como os princípios que eu citei não só andam juntos, mas estão interligados a uma ação, a uma atitude. Aprendemos ou devemos aprender que a fé, sem obras, sem atitude, sem ação é morta, assim como acredito que a razão sem fé, se torna loucura. A fé está ligada ao nosso espírito (acredito que somos dotados de corpo, alma e espírito) e a razão está ligada à nossa mente e consequentemente às nossas emoções. A questão é que tanto razão, como a fé devem andar juntas e de maneira equilibrada.

E o que isso tem a ver com o que eu estou relatando? Isso me forma que não basta crer em algo, mas deve-se praticar, agir, realizar aquilo que se acredita, ou seja, se eu quero ser ajudado, que eu tome a iniciativa de ajudar. E nisso eu me surpreendi na atitude da pessoa no ônibus, já que alguns preconceitos que eu tinha em relação a esse trabalho de se arrecadar dinheiro em ônibus, já que independente de suas falhas, percebi que ele ensina algo muito importante: a de pedir ajuda e a de ajudar quando necessário. A questão é que tanto o crer e o realizar necessitam de um algo a mais que faça que os mesmos se transformem em algo real. É como uma chave que necessita de uma fechadura, para que se possa abrir uma porta.

E eu lhe garanto que só podemos praticar essa verdade se o amor for algo presente em nossas vidas. E não existe nada mais divino do que o amor. E se o amor é divino, ele é algo que só Deus pode colocar em nossas vidas. O povo diz que, só podemos dar aquilo que temos, então saiba que você só poderá agir, ter, realizar o amor, se a presença de Deus estiver em sua vida. E foi exatamente isso que eu vi na atitude do rapaz, algo vindo de Deus, já que dentro da lógica humana, a atitude dele não teria nenhum sentido, porém através de Cristo foi possível ele ter a ousadia, a inciativa de ser usado para realizar um ato de amor, um ato através da presença de Cristo em sua vida. 

Eu continuo com os princípios de não retribuir o mal com o mal e de fazer pelo meu próximo aquilo que eu gostaria que fizessem por mim, mas cada vez mais tenho aprendido que só possível aplicar os mesmos, se eu tiver a presença de Deus, se a minha razão e a minha fé estiverem conectadas na vontade de Deus, se a minha alma, o meu entendimento estiverem focadas em amar a Deus. Aí sim, eu poderei continuar dizer que eu escolhi ser amado e a ser o Jesus, aquele que irá levar o amor de Deus, mais próximo de muitas pessoas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Quando é necessário ser grato pelo simples fato de ser grato


Recentemente passei por uma situação que me surpreendeu. Hoje em dia é difícil eu me surpreender com algo, até porque temos uma tendência de começarmos a achar normal, o que não é normal. O fato de enfrentar a realidade de pessoas destruídas, ver pessoas morrendo (literalmente e metaforicamente), ver tristeza, dor, brigas e intrigas, às vezes me fazem pensar que estou me tornando uma pessoa fria, já que não me “comovo” diante de tais situações.
 
O fato é que, sempre os céus conspiram em criar algo que venha balançar a minha estrutura. Pois bem, no último sábado (27/04) estive visitando com algumas pessoas, o Centro de Triagem da Missão Vida, centro este que lida com a recuperação de pessoas em situação de mendicância. Até gostaria de dizer que me comovi diante dos testemunhos que cada um contou, seja das dificuldades que tem enfrentado, sobre como é difícil vencer certas situações, ou que fui impactado em ver como o poder de Deus se revelou na vida de muitos que ali estavam, mas dizer isso não seria uma verdade plena.


O que realmente me impactou foi um gesto simples e inesperado. Após o culto, na hora do almoço, um dos internos chegou mansamente do meu lado, estendeu sua mão e disse que queria me presentear. Seu presente era um colar com uma concha, feito de barbante. Ao receber o presente, eu simplesmente fiquei sem reação, apenas consegui abraçá-lo e agradecer.


Eu até pensei em colocar o colar no meu pescoço, mas a minha “frescura”, o fato de ter recebido algo que não está no meu “padrão”, simplesmente me impediu de tomar este ato. Sendo bem verdadeiro, posso até lhe dizer que recebi algo que nunca vou usar e para piorar ainda essa situação, quando cheguei em casa, acabei me sentando em cima do mesmo e acabei quebrando um pedaço da concha.


Mas então por que eu me surpreendi com esse gesto? Como pode algo tão simples, algo “imprestável” para mim pode balançar minhas estruturas? A resposta é muito simples. E de tão simples que ela é, talvez não consiga responder de uma maneira efetiva. A resposta é que esse fato me levou a ver o que é ser grato.


Sinceramente, demorei um pouco para entender o ensinamento que estava me sendo concedido e precisei de outras situações para finalmente poder entender o que era para ser absorvido. 


Gratidão e contentamento são palavras que para mim estão diretamente ligadas. Para mim não há ninguém que fale melhor sobre o que é ser grato do que Paulo. Paulo foi a pessoa que escreveu algo que quase todos nos conhecemos: Tudo posso naquele que me fortalece, mas poucos sabem o contexto, o objetivo em ter-se dito isto. 


Paulo fala isso, na carta que escreve a igreja de Filipenses, que era uma igreja, em que as pessoas tinham muitas dificuldades, sejam financeiras, profissionais e todo o tipo de dificuldade que você imaginar. Paulo então durante toda esta carta busca animar, alegrar os cristãos da igreja de Filipenses e se usa como exemplo para dizer coisas do tipo, que ele mesmo aprendeu que a posição, que os cargos, que todo o conhecimento e poder que ele já teve, eram perda, era “esterco”, perante o que ele ganhou em Cristo. Paulo então fala sobre o segredo que aprendeu em sua vida e que os filipenses precisavam seguir este conselho para conseguirem vencerem todas as dificuldades que estavam enfrentando. Ele diz que aprendeu o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, tendo fartura ou não tendo nada, tendo banquete ou não tendo o que comer, já que ele aprendeu que em Cristo, que com Cristo fortalecendo ele, com a força de Cristo ele conseguiria vencer e enfrentar todas as coisas.


A atitude de Paulo me ensina duas coisas. A primeira coisa que aprendo é que a gratidão está ligada a uma ação, a um ato é algo que necessariamente deve-se ser demonstrado e segundo que ser grato não é aceitar a situação que se vive, mas sim se submeter a sua realidade, se submeter a verdade para que através dela sejamos libertos.


No fim das contas, precisei de um presente, de um ato de gratidão, de um ato de uma pessoa demonstrando que queria agradecer por estarmos ali, precisei receber algo “sem valor”, algo que nem sequer irei usar, para me lembrar como preciso ser grato a Deus, grato até pelo que não tenho, grato pelo que me serve e pelo que não me serve, grato por simplesmente receber a gratidão.


Como tem dito a algumas pessoas, não tenho tudo que gostaria de ter, não tenho tudo o que me ambição me levava a querer conquistar e nem tenho tudo o que poderia ter, mas a paz, a alegria, a salvação que tenho em Cristo, não se comparam a nada que já tive ou que poderia alcançar. Como então posso me esquecer da necessidade de ser grato? Às vezes me aborreço, me entristeço, me lamento, mas agradeço, por ser lembrado sobre o quanto eu devo ser grato.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Se Deus existe porque existe o mal?





Ao começar a escrever essas linhas, pensei que havia muito o que falar, mas sinceramente não sabia por onde começar. Decidi então começar pelo inicio.


O livro de Gênesis no seu capítulo 1, nos versículos 1 a 3 nos diz que: “No princípio Deus criou os céus e a terra. Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz e houve luz.”

Através dessa passagem podem chegar a três conclusões, sendo que duas delas serão importantes para a construção que iremos fazer:
  • 1-      A bíblia nos diz que Deus criou os céus e a terra, mas não nos descreve ou revela como isso foi feito;
  • 2-      Se é falado que trevas cobriam a face do abismo, faz-se necessário o conhecimento da luz para se saber o que são as trevas;
  • 3-      A bíblia nos mostra que na criação de Deus, quando a mesma era sem forma e vazia foi necessário o poder criativo de Deus através da luz, para que as trevas fossem retiradas.
O primeiro ponto para nos não é importante no momento, mas os pontos 2 e 3 nos permitem começar a pensar em relação ao tema que estaremos trabalhando nessa manhã.

Em primeiro lugar precisamos entender o que são as trevas, o que inicialmente poderíamos entender como algo contrário a luz. Eu sei que minha resposta será simplista de mais, mais a melhor descrição do que são as trevas é exatamente a ausência de luz. Apartir disso entramos no ponto 3, que nos mostra que foi necessário a intervenção divina para que a luz pudesse tomar o lugar do que era só trevas. Posteriormente vemos que a luz passou a ser chamada de dia e as trevas de noite.

E o que isso tem a ver com o tema de hoje? A resposta é muito simples, mas por mais que eu comece logo “largando o doce”, teremos que aprofundar mais o tema para entendermos melhor o que a resposta quer dizer. Isso significa primeiramente que o mal é a ausência de Deus, da glória de Deus e em segundo lugar significa que o mal não nega a existência de Deus mas serve para confirmar que Deus existe.

Já que eu já “larguei o doce” vou pedir para algumas pessoas para me ajudar a aprofundar o que essa resposta quer dizer. Primeiramente precisamos ver Isaías 45:7 que diz que “Eu formo a luz e crio as trevas: eu faço a paz e crio o mal (NVI: promovo a paz e causo a desgraça); eu, o Senhor, faço todas as coisas” e Apocalipse 4:11 diz que “Tu, Senhor e Deus nosso és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas.”. Nada diferente do que lemos, já que o mesmo Deus que criou as trevas criou a luz.
Mas o que isso quer dizer? Quer dizer exatamente o que já foi dito, que as trevas, que o mal é exatamente a ausência de Deus. Seria impossível saber que se está nas trevas, a não ser que nunca houvesse existido a luz. Assim sendo tudo o que se esta fora do que Deus é (verdade, amor, vida) é exatamente o mal. Então precisamos chegar ao ponto de que só conhecemos o mal porque sabemos o que é bom. E através até do que lemos no livro de Apocalipse conseguimos ver que todas as coisas foram criadas através da permissão, vontade de Deus, com um propósito, que talvez não tenhamos capacidade de entender 

Eu imagino que deve ter muita gente viajando nesse momento. Por isso que vamos simplificar ainda mais o que estamos tratando. E tenha certeza que conseguiremos chegar a uma conclusão mais simples ainda de que o mal é tudo aquilo fora da glória, da essência de Deus.

Passamos então a discutir o propósito ou o motivo que pode levar a existência do mal. E é claro usaremos a bíblia como instrumento primordial para responder a essa pergunta. No livro de Tiago, no capitulo 1, do versículo 13 a 15 diz que: “Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá a luz o pecado, e o pecado após ter se consumado, gera a morte”.

Para quem está ouvindo essa passagem da bíblia pela primeira vez deve estar “viajando legal”, até porque para o cara chegar ao nível desta compreensão, só mesmo com o Espírito Santo. Tem ainda outra passagem que me chama muita atenção, quando o profeta Habacuque diz que Deus é tão santo, que não pode sequer ver, suportar o mal, que nem sequer pode tolerar a maldade (Hc 1:13). E o que isso quer dizer?

Isso simples confirmar o que já foi dito, mas vai um pouco mais além. Confirma que o mal é exatamente aquilo que é ausente, sem a glória de Deus, mas mostra que o mal é algo enraizado dentro da própria criação de Deus: ao poder de escolha, que chamamos de livre-arbítrio. E tudo isso porque Deus decidiu criar uma família. Ele não quis criar um robô ou ficar conversando com a “mão dele”, ele quiser ter um relacionamento, mas para se ter um relacionamento é necessário ter-se o poder de escolha. Escolha de amar ou não amar. O problema é que essa escolha pode gerar algo bom, a possibilidade de amar, mas também pode gerar a possibilidade de não amar, de morrer, de conhecer e viver no mal.

Agora começamos a chegar na parte final do que queremos abordar e para isso precisamos fazer um resumão para depois ninguém ficar dizendo que ficou confuso ou não entendeu nada:
  • 1-      Entendemos que o mal é a ausência do bom, ausência da glória, da essência de Deus;
  • 2-      Entendemos que o mal nasce como conseqüência da capacidade, poder que temos de escolher, ou seja, surge como conseqüência de nossas escolhas, como colheita do que semeamos.
Cabe então a mim o papel de fazer com que vocês troquem a pergunta que você deve estar se fazendo em sua mente. Provavelmente você deve estar pensando algo do tipo: “ok, entendi que Deus é bom, mas como um Deus tão bom pode permitir que tanto mal acontecesse ao nosso redor”. Na verdade a pergunta que deveríamos fazer é “por que coisas boas acontecem a pessoas ruins?”.

Eu preciso que você responda para você algumas perguntas para você mesmo, mas para você não ficar sem graça, não precisa verbalizar as respostas. Você já pegou algo que não é seu? Você já mentiu? Você já desejou alguma mulher/homem que não era seu? Fique tranqüilo que a minha resposta não é diferente da sua. A nossa resposta nos mostra que somos mentirosos, ladrões e adúlteros. É Isso mesmo que você ouviu. O problema é que achamos que somos pessoas boas e usamos o que chamamos de padrão da sociedade para dizer que somos bons. Dizemos que nunca matamos, roubamos e que fazemos o bem ao próximo, para podermos achar que podemos dizer que somos bons.

O próprio Jesus, ao responder ao homem rico, no capítulo 19 de Mateus, o respondeu o questionando por que ele o chamava bom, já que não bom, senão um só, que é Deus.

Isso nos leva a chegar a última conclusão de que não existem pessoas boas.

Que beleza. Deve ter gente aqui até pensando em ir no psicólogo. Vai ver que a auto-baixo estima caiu bastante ou que a baixo-autoestima caiu ainda mais. Vai saber.

Não tenho outra maneira como terminar esse tema, lhe chamando atenção que é exatamente pelo fato do mal existir, que nos confirmar a nossa necessidade, dependência de Deus.

Eu sei que o mal te atormenta e que muitas vezes não achamos isso justo. Vários profetas e eu também pensamos da mesma maneira.

A questão é que Jesus, o nosso consolador, nos ajuda a manifestarmos a glória de Deus em nossas vidas. No livro de Isaias lemos a profecia de que quando o messias, o salvador viesse (Is 51:17) ele beberia do cálice da Ira de Deus, do cálice que nos traz a morte, o mal, as tristezas, as decepções, para que através dele tivéssemos direito a salvação, tivéssemos o direito de voltarmos ao plano original de Deus, onde não haverá mais morte, nem pranto, nem dor, nem mal, mas viveremos eternamente com Ele e para e Ele. Isso é fruto do amor e como já dito cabe a nos escolhermos vivermos ou não nesse amor. 

Eu já fiz minha escolha cabe a você fazer a sua.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A outra face do carnaval - Parte 4





Para muitos ontem foi o último dia da festa, mas para mim é o inicio da verdadeira festa. Durante todos esses dias mais de 1.000 pessoas (levo em conta o Espiritual, Projeto Impacto e Sal da Terra) estiveram trabalhando durante o carnaval para permitir que pessoas possam ter verdadeiramente o que festejar. Segundo os dados apresentados, algo em torno de 3.000 pessoas em 2012 levantaram suas mãos, declaram publicamente e oficializaram sua decisão, preenchendo uma ficha, com desejo de que Cristo venha reinar em suas vidas.

Se formos pensar que durante o carnaval, algo em torno de 2 milhões de pessoas, passam pela folia, veríamos que o nosso alcance é de apenas 0,0015%. Pode parecer um alcance pequeno, mas você já pensou o que motiva uma pessoa ir para a festa do carnaval? Ontem assisti a uma entrevista de um historiador que contava que desde a carnivalia (http://www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm) na Itália, a festa sempre esteve relacionada a bebida, mulheres e ao sexo. Coisas como turismo sexual, utilização desenfreada de álcool e drogas, depravação sexual, violência, prostituição, entre outros males, se torna ainda mais aberto durante a festa momesca. E eu me atrevo a afirmar que é exatamente isso que a maioria esmagadora vai para o carnaval exatamente buscar os deleites da carne. E você acha que essas pessoas estão com o coração aberto para Deus?

E o que nos motiva ir ao carnaval? Com bem disse Geovanni (o líder do evangelismo para estrangeiros) é o amor às vidas que estão se perdendo no carnaval (http://www.carnaval.ba.gov.br/noticias/carnaval-do-pelo-tambem-tem-bloco-evangelico/).

Há algum tempo atrás, em um treinamento de evangelismo, fui confrontado sobre qual seria a minha resposta sobre qual é a esperança que tenho em minha vida. Admito que naquele momento eu não tinha nenhuma resposta preparada e não consegui pensar em algo que me fosse convincente. O interessante é que Pedro nos diz que sempre devemos estar preparados para responder a esperança que há em nos e eu admito que percebi que não estava preparado para responder a essa pergunta.

Conversando com algumas pessoas e depois de tantos anos trabalhando em impacto de carnaval percebi que esse trabalha não é para todos, até porque poucos querem renunciar algumas coisas e pagar o preço de fazer parte deste projeto. Lidar com as espumas, com o perfume dos filhos de gandhi, com as pistolas de água das muquiranas, lidar com bêbados, com o cheiro de mijo, com a sujeira e cheiro das ruas, lidar com o cansaço e com a dificuldade de evangelizar pessoas que não querem ser evangelizadas, são coisas que fazem parte do pacote. Mas também pudera, pois quem está na chuva é para se molhar. Pagamos e pagaríamos o preço de novo, pois gerar a vida em meio ao local de morte é um milagre. Tenho certeza que todas as pessoas que participam deste projeto, mesmo que o motivo fosse resgatar uma única vida, saíram satisfeitas e com o sentimento de dever cumprido.

O grupo É o tchan a algum tempo tornou famosa uma música que em uma parte dizia que depois de 9 meses nos veríamos o resultado. O resultado que se vê depois de 9 meses é a consequência de ter segurado o tchan, mas poderíamos fazer um paralelo com o resultado pós carnaval. Algumas pessoas até dizem que o resultado da festa nos só veremos daqui a algum tempo, mas a verdade é que as consequências da festa são mais instantâneas do que imaginamos. Filhos foram gerados, que nem irão nascer, serão abandonados ou criados sem pai. Pessoas morrerão sem se arrepender dos seus pecados. Pessoas acordaram de ressaca decepcionadas, desiludidas com a realidade de que tudo que viveram foi falso. Pessoas que não tem mais esperança e fé de que possam mudar de vida...

O ponto importante é que para muitos o carnaval foi o inicio de uma nova história, onde pessoas encontraram a Cristo, foram até a sua cruz e receberam redenção e vida. No primeiro texto que escrevi pedi que pessoas orassem por quem estivesse indo para festa e termino pedindo que você ore pedindo por misericórdia por todos aqueles que lançaram péssimas sementes durante a festa e que por isso colherão frutos ainda piores. A grande questão é que enquanto há vida há esperança e assim como Cristo mudou a minha história pode mudar a história de outras pessoas, mas entendo e creio que precisamos renunciar nosso comodismo para alcançarmos aqueles que ainda não foram alcançados, seja em uma festa, seja na nossa casa, família ou onde for.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A outra face do carnaval - Parte 3

Mais um dia no carnaval e por mais que passemos nos mesmos lugares e reencontremos várias pessoas dos dias anteriores, tudo é muito estranho para nos. Ontem, minha irmã me perguntou pela manhã se eu sai no carnaval com a “roupinha” (acho que ela não quis chamar de abadá) que ela tinha visto. Para completar, me interfonaram dizendo que o rapaz que tinha ido comprar o abadá, estava lá embaixo me esperando, o que prontamente respondi que estavam falando com a pessoa errada. Isso me fez pensar em algo interessante, o fato de que sim, nos vestimos como foliões, que sim, estamos no meio do carnaval, mas não, não somos foliões e não, não fazemos parte do carnaval.
A verdade é que muitas pessoas não recebem bem o nosso grupo no carnaval e nos também não nos sentimos parte do carnaval. Em nosso percurso, se tornou comum pessoas criticarem o fato dos “crentes” estarem na festa e outros reclamam dizendo que nosso lugar não é ali. Somado a isso uma parte da mídia faz questão de omitir nossa presença e ontem pude ver que principalmente os canais televisivos divulgam a presença de todos os grupos, mas “esquecem” sempre do sal da terra. Mesmo assim não somente passamos pelas ruas do carnaval, mas vemos os foliões nos recebendo e participando conosco, seja louvando a Deus ou declarando conosco que Jesus Reina e que Paz, nos só temos em Jesus (Paz só em Jesus é o tema desse ano do sal da terra).
Eu até conversava com um amigo que por mais que esteja participando pelo quarto ano do impacto de carnaval, não há como me acostumar em ver cenas que só é possível ver durante a festa do carnaval. Até porque acredito que a realidade não é algo que se acostuma, mas algo que se enfrenta. Lidar com pessoas bêbadas, drogados, pessoas sem um pingo de moralidade, ver devassidão, são coisas que para o carnaval são normais, mas para nos não. Vivemos no mundo, mas não há como aceitarmos a realidade desse mundo (por isso talvez muitos tenham dificuldade de lidarem com a realidade, já que não a aceitam).
Trabalhamos contra a cultura de cultuarmos a nossa carne durante o carnaval, contra a cultura de uma festa que é regada por muito sexo e álcool e entramos com uma contra-cultura da carne, levando às pessoas a receberem o Reino de Deus em suas vidas. Para você pode até parecer um exagero da minha parte, podemos ver essa cultura da carne em temas de desfile, como o tema que a mocidade alegre escolheu (http://g1.globo.com/sao-paulo/carnaval/2013/noticia/2013/02/mocidade-alegre-tenta-bicampeonato-com-bom-humor-e-convite-tentacao.html). A cada ano que se passa não só a moralidade é jogada na lata de lixo, mas tenta-se subverter-se os valores e verdades universais que temos em nossa humanidade. Essa escola trouxe ideias como a de que devemos morder a maça (devemos nos entregar a toda tentação da carne) e ideias como a de que o céu na verdade é para os pecadores. Eu poderia até falar sobre como no carnaval de Salvador existe um estimulo e incentivo ao consumo desenfreado de álcool (até porque os maiores patrocinadores são cervejarias), incentivo a depravação, onde deve-se fazer de tudo com todo mundo, seja homem ou mulher e de tantas outras coisas, mas não irei falar sobre isso.
Ontem conversava com uma pessoa e ela me dizia que não existiam verdades absolutas e que por isso não podíamos afirmar nada com certeza. Se você parar e analisar a frase dessa pessoa você pode constatar que a própria frase é falsa em si mesma, pois para aquele homem dizer que não se tem certeza de nada é algo que para ele é uma certeza (o que contradiz a ideia central) e como ele diz que não se pode ter certeza, ele não pode ter certeza de nada. Mostrei então que através da moralidade, Deus implantou dentro de nos um senso do que é certo e errado e sobre como em todas as partes do mundo existem coisas que são universais, como matar, roubar, adulterar, mentir são coisas erradas em qualquer lugar do mundo, ou seja, são verdades absolutas.
Tentam colocar em nossa cabeça a todo custo uma mentira, que como bem disse um amigo meu chegar a ser uma burrice (ele me disse que era muito suave dizer que é ignorância e realmente é). Uma coisa eu posso garantir a você que me lê que assim como o povo diz, a mentira tem perna curta, ou seja, não dura muito tempo e esse engano trazido pelo secularismo, pela celebração da carne é algo que com um mínimo de consciência ou de reflexão gera uma repulsa imediata a tudo o que a festa envolve. Porém, contrariamente a essa idéia vemos que não somente possuímos fé no que cremos, na essência do Cristianismo, mas também possuímos fideismo, pois o testemunho que relataram tudo o que Jesus fez não só continua vivo e imutável até hoje, mas também foi defendido mesmo quando se matou as pessoas que conheceram a verdade. E o lhe termino lhe perguntando, quem morreria defendendo algo mentiroso ou falso?
É por isso que continuo na minha jornada, levando às pessoas a usarem não só a fé, pois muitas pessoas no carnaval possuem fé, mas precisam usar a sua razão para verem o quanto elas necessitam de Cristo e necessitam do seu sangue derramado e da redenção que recebemos através da ressurreição de Cristo, o qual irá voltar para nos buscar e nos levar para a terra prometida, o céu, até porque não dá para se sentir parte deste mundo.