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| Coração Gelado, Razão Desequilibrada |
Portanto,
deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a
maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem
à morte, da fé em Deus, da instrução a respeito de batismos, da imposição de
mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. Assim faremos, se Deus o
permitir. Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial,
tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e
os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos
ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de
Deus, sujeitando-o à desonra pública. Pois a terra que absorve a chuva, que cai
freqüentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção
de Deus. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será
amaldiçoada. Seu fim é ser queimada.
O livro de Hebreus foi escrito para pessoas
que queriam se prender aos ensinos do Antigo Testamento, querendo retornar para
o judaísmo ou então judaizar o evangelho. Hebreus também poderia ser chamado de
livro das coisas melhores, já que diversas vezes o seu escritor usa os termos
melhores e superiores.
Há
um chamado claro em não nos prendermos na lei, mas sim confiarmos em Cristo. Há
um chamado a perseverarmos nas nossas lutas, para que não sejamos condenados
como o foram a geração rebelde dos israelitas no deserto.
Essa
semana estive parando para pensar sobre a apostasia que temos enfrentado em
nossos dias atuais e como ela é um ato ligado a nossa fé e razão, que
conseqüentemente nos afasta do amor de Deus.
Segundo a definição
do site Bíblia on line, a palavra “apostasia” significa “Ato
de desviar-se ou afastar-se do relacionamento com Deus”. O dicionário
Aurélio corrobora com tal definição:
Apostasia
(do grego apostasia) — Substantivo feminino.
1. Separação ou
deserção do corpo constituído (de uma instituição, de um partido, de uma
corporação) ao qual se pertencia.
2. Abandono da fé de
uma igreja, especialmente a cristã.
3. Abandono do estado
religioso ou sacerdotal.
Durante muito tempo,
sempre pensei que a apostasia seria um simples abandono da fé, em que as
pessoas publicamente iriam negar a Deus. Porém tenho visto que a apostasia, tem
se manifestado de uma maneira um pouco mais sutil em nosso meio. Temos vivido
um tempo muito bem representado por uma história que li essa semana:
Dois homens estão
sentados em um avião. Ao primeiro é dado um pára-quedas e é orientado a
colocá-lo, pois, o pára-quedas melhoraria a qualidade do seu vôo. Ele fica um
tanto cético no início porque não consegue ver como o fato de usar um
pára-quedas em um avião poderia melhorar a qualidade de seu vôo. Depois de um
certo tempo porém, ele decide experimentar para ver se o que lhe havia sido
dito era mesmo verdade. Então, quando ele coloca o pára-quedas, ele nota o peso
sobre seus ombros e descobre que tem dificuldade para sentar-se direito. Mesmo
assim, não tira o pára-quedas de imediato, pois se consola com o fato de que
lhe foi dito que o pára-quedas melhoraria o seu vôo. Assim, ele decide dar um
tempinho para ver se a tal coisa funciona mesmo. Enquanto espera, percebe que
alguns dos outros passageiros estão rindo dele, pelo fato de ele estar usando
um pára-quedas em pleno vôo. Ele começa a sentir-se um tanto humilhado. Quando
os outros passageiros começam a apontar e rir dele, ele não agüenta mais!
Então, encolhe-se em sua poltrona e arranca o pára-quedas, jogando-o ao chão.
Desilusão e amargura preenchem o seu coração, pois, pelo que parece,
contaram-lhe uma mentira absurda!
O segundo homem também recebe um
pára-quedas, mas escutem só o que lhe é dito: “Coloque este pára-quedas, pois a
qualquer momento você terá que saltar deste avião e nós estamos a 25.000 pés de
altura.” Ele fica muito agradecido e coloca logo o pára-quedas; Nem percebe o
peso do objeto sobre seus ombros, muito menos se incomoda com o fato de que não
consegue sentar-se direito, pois sua mente está ocupada (ou até mesmo
consumida) pelo pensamento do que aconteceria se saltasse sem o pára-quedas.
Essa história me fez
pensar em duas situações que tem sido comuns hoje em dia. A primeira é a
situação de pessoas que procuram a Deus para melhorarem sua qualidade de vida.
Procuram um guru, alguém que ensine a ter uma vida melhor e mais correta.
Infelizmente essas pessoas acabam se desiludindo e amargurado, é a típica
pessoa ferida.
A segunda pessoa é a
que faz as coisas através do conhecimento, da maturidade, de que aquilo é o
melhor, é o correto e por isso consegue lidar com as situações.
E qual é o ponto
importante? É que existem muitas pessoas desiludidas e amarguradas e poucas
pessoas que tomem decisões de maneira racional e equilibrada.
Vivemos um tempo em
que realmente o coração das pessoas está se esfriando ("E, por se
multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará". Mateus 24:12). E
por que isso está acontecendo? Porque a nossa escolha as vezes é boa, fazemos o
que é correto, mas a nossa motivação, o nosso combustível, não é o correto.
Neste livro nos vemos
6 pontos tidos como fundamentos do evangelho (versículos 1 a 3 do capítulo 6 de
Hebreus): 1-o arrependimento, a negação da natureza humano e da rebeldia a
Deus; 2- a fé em Deus, ligado a confiança em Cristo; 3- a instrução a respeito
do batismo, ligado ao ato de morrer para o eu e ter uma nova vida em Cristo; 4-
a imposição das mãos, que eu ligo a idéia de termos pessoas que orem por nos e
sejam autoridade sobre as nossas vidas, nos curando e ministrando sobre as
nossas vidas; 5. Ressurreição dos mortos, ao fato de que todos irão ressucitar
no final dos tempos e 6-juízo eterno, ao julgamento em que muitos por negarem a
graça da salvação e por persistirem no pecado serão condenados.
O ponto que me chama
a atenção é como é forte a afirmação de Paulo nos versículos 4 a 6, deste
capítulo em que ele diz que existem pessoas que sejam reconduzidas ao
arrependimento pois essas estão crucificando para si mesmas, Cristo, ou seja,
negando o sacrifício que foi feito pelas nossas vidas. Para quem não sabe,
Cristo morreu na cruz para que todos, TODOS, TODOS MESMOS, pudéssemos ter
direito a salvação.
A interpretação
desses versículos é que ele fala sobre pessoas que passaram a seguir a Deus por
motivos errados, pela base errada, ou seja, não estão seguindo verdadeiramente
a Deus. São pessoas que vivem uma religião e esquecem de viver um
relacionamento com Deus.
E qual a diferença? A
diferença é que muitas vezes não agimos de maneira racional, nem muito menos
com base na fé, mas tomamos uma decisão de seguir aquilo que parece ser mais
conveniente. São pessoas que não abriram mão do pecado original; o da rebelião
contra Deus, do desejo de querer conhecer o bem e o mal, de querer ser igual a
Deus. São pessoas que são deuses dos seus próprios destinos.
Isso me fez pensar em
pessoas que fazem coisas boas, que tomam decisões, que entregam sua vida para
Cristo, mas se esquecem de viver, de serem regados (Mateus 13) e frutificarem.
Os
versículos 7 e 8 reforçam essa idéia e nos contam uma parábola. Essa parábola
fala de um terreno que foi cheio de água (recebeu muita água da chuva). Existem
diferentes tipos de terrenos e cada terreno gera um tipo de vegetação. Dessa
forma, só sabendo que foi cheio de água, não dá para saber qual seria a
vegetação, os frutos que podem ser gerados em um terreno. A parábola nos fala
de dois terrenos que recebem a mesma quantidade de água, porém um gera uma
colheita proveitosa (erva proveitosa) – fruto que pode ser comido, que gera
vida – e fala de outro terreno que gerou espinhos e ervas daninhas (abrolhos).
Um terreno produz vida e o outro produz morte. Isso nos fala de dois tipos de
pessoas que temos hoje em dia, as que recebem o chamado de Deus e por isso
recebem a vida e outras que negam, que rebelam esse chamado, gerando morte em
suas vidas.
Como
remédio, como resultado de tudo que falamos podemos ler que nos versículos 9 a
12, o escritor esperava coisas melhores, como trabalho, amor, serviço,
diligência e certeza da salvação, fé, paciência e o fato de recebermos a
herança das promessas de Deus em nossas vidas. Fala das coisas do reino de
Deus, que não são comida, nem bebida, mas paz,justiça e alegria no Espírito
Santo (Romanos 14:17).
Que
verdadeiramente possamos viver no amor, no verdadeiro sentido de entendermos
que Deus nos amou e por isso nos o amamos e decidimos segui-lo. Que o nosso coração esteja aquecido e que a nossa razão esteja equilibrada.




