quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Quando devemos olhar para o alto e não para o lado


Há algumas semanas fui perguntado por Nei, um personal de trainer, do clube de corrida (o clube de corrida também é cultura), se eu me lembrava da história de um homem, que mesmo sendo velho, era jovem. Eu disse que não lembrava, mas como ele me deu a dica que estava no livro de Josué, eu pude achar essa passagem e ser extremamente edificado por esse homem, que decidiu olhar o alto e não para o lado e por isso foi inteiramente fiel ao Senhor.
Essa história é contada no livro de Josué, no capítulo 14, dos versículos 7 a 15:
Eu tinha quarenta anos quando Moisés, servo do Senhor, enviou-me de Cades-Barnéia para espionar a terra. Eu lhe dei um relatório digno de confiança,
mas os meus irmãos israelitas que foram comigo fizeram o povo desanimar-se de medo. Eu, porém, fui inteiramente fiel ao Senhor, ao meu Deus.
Por isso naquele dia Moisés me jurou: ‘Certamente a terra em que você pisou será uma herança perpétua para você e para os seus descendentes, porquanto você foi inteiramente fiel ao Senhor, ao meu Deus’.
"Pois bem, o Senhor manteve-me vivo, como prometeu. E foi há quarenta e cinco anos que ele disse isso a Moisés, quando Israel caminhava pelo deserto. Por isso aqui estou hoje, com oitenta e cinco anos de idade!
Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; tenho agora tanto vigor para ir à guerra como naquela época.
Dê-me, pois, a região montanhosa que naquela ocasião o Senhor me prometeu. Na época, você ficou sabendo que os enaquins lá viviam com suas cidades grandes e fortificadas; mas, se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá, como ele prometeu".
Então Josué abençoou Calebe, filho de Jefoné, e lhe deu Hebrom por herança.
Por isso, até hoje, Hebrom pertence aos descendentes de Calebe, filho do quenezeu Jefoné, pois ele foi inteiramente fiel ao Senhor, ao Deus de Israel.
Hebrom era chamada Quiriate-Arba, em homenagem a Arba, o maior dos enaquins. E a terra teve descanso da guerra. “
A vida de Calebe, nos mostra como ele foi fiel ao Senhor e sobre como, ele recebeu a promessa dada por Deus na sua vida. Calebe soube esperar. A vida é como se fosse uma corrida. Ontem quando eu estava com meu personal trainer, Marcelo Serejo, ele me falou algo que me fez pensar muito. Ele me falou o seguinte, Gabriel, o seu condicionamento não está bom, então não dá para você gastar todas as suas energias correndo, porque senão você não vai conseguir terminar a corrida. Ele me disse que 90% das pessoas gastam mais energias do que deveriam e por isso acabam fazendo um trecho menor do que deveriam e que eu então deveria fazer um trote, bem leve, para que pudesse correr todo o trecho. O mais interessante é que inacreditavelmente eu consegui terminar toda a caminhada, algo que eu não teria conseguido caso tivesse corrido como normalmente eu corro.
Esse foi o segredo de Calebe, ele soube esperar, ele soube correr durante a vida, de tal maneira, que ele não deixou de receber aquilo que Deus preparou para ele. Se ele não tivesse a força e o vigor necessário, ele jamais conseguiria conquistar o terreno que lhe pertencia. Além disso, ele sabia que não devia olhar para os lados, mas sim para o alto.
O problema é que quando olhamos para os lados, passamos a basear a nossa vida, nas pessoas que estão ao nosso lado. É por isso, que um ex-diretor da globo, em uma entrevista recente disse que as pessoas gostam de programar como big brother, pois elas conseguem ver a vida de outras pessoas e ver como as pessoas reagem em cada situação, o que nos dá a possibilidade de refletir e pensar como deveríamos agir em nossas vidas. Gostamos de ver como os outros agem, para apartir do exemplo dos outros, basearmos as nossas decisões. O problema é que quando os nossos exemplos e as pessoas que estão ao nosso lado, não seguem os princípios de Deus, nos esquecemos de buscar em Deus como devemos agir e o que devemos fazer em cada escolha das nossas. O Salmo, de capítulo 1, versículo 1, nos mostra sobre como é feliz aquele que não se baseia nos homens:
“Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!”
O salmo fala que não devemos andar na roda dos escarnecedores. E por que não devemos nos sentar na roda dos escarnecedores? Normalmente pensamos que é pelo fato de que eles são pecadores e não devemos nos misturar com pecadores. Mas não é essa a resposta correta a essa pergunta. Até porque talvez nesse momento você esteja sentando ao lado de um pecador.
Não devemos nos sentar na roda dos escarnecedores, pois ou nos tornaremos um escarnecedor, ou seremos conhecidos como tal. Um bom exemplo disso é quando andamos com pessoas que fazem brincadeiras de duplo sentido. Ou passamos a reproduzir o que está em nosso meio, ou passamos a ser conhecidos como uma pessoa que anda, com pessoas que só falam besteira.
É claro que não existe na bíblia a história de que: “Me diga com quem andas e eu te direi quem és” e que muito menos que “filho de peixe, peixinho é”, mas é um fato que somos influenciados pelas pessoas que estão ao nosso redor, além do que temos uma tendência muito grande de reproduzirmos as atitudes das pessoas que estão ao nosso redor.
Calebe independente de ter 85 anos, se sentia como um jovem e isso o ajudou a ir além do que a sua idade permitia. Calebe sentia vigor e o vigor lhe trouxe a força necessária para CONQUISTAR, o que precisava ser conquistado. Ele sabia que a conquista não viria pela sua força, mas pela força de Deus em sua vida.
Precisamos aprender que estamos em uma batalha, em uma corrida e que precisamos aprender a dar o nosso melhor, além do que precisamos saber que não estamos sozinhos, que existem pessoas para nos ajudar, assim como Deus, que nunca vai nos abandonar. Não iremos fazer nada disso sozinhos, mas Deus e as pessoas que estão ao nosso redor contribuirão para o nosso êxito.
Precisamos então ter fé e crer que teremos a vitória, independente das circunstâncias ou das dificuldades. Não importa o que digam ou o que falem, continuarem lutando. Dessa forma, teremos força para “carregarmos a nossa cruz diariamente. É por isso que Jesus disse no evangelho de Lucas, no capítulo 9, versículo 23:
“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”.
Devemos então ter uma postura de humildade, negando a nos mesmos, tomando a nossa cruz diariamente, seguindo a Jesus Cristo. Existe um ministério chamado nova vida, que traz consigo um lema: “só por hoje não vou pecar” e através desse lema, eu decidi assumir um desafio de me olhar no espelho pela manhã e repetir esse lema e dizer que só por aquele dia, não serei impaciente, orgulhoso, preconceituoso, auto-suficiente, entre tantas outras coisas. Não me lembro de fazer isso todos os dias, mas quando faço isso, consigo iniciar o meu dia com as armas necessárias para vencer a minha batalha de cada dia e ir até a cruz de Cristo, onde encontro a força necessário para que não sejam as minhas atitudes, mas sim as atitudes de Cristo em minha vida. Foi por isso que Paulo nos advertiu na carta aos Filipenses capítulo 3, versículos 12 a 14 que devemos prosseguir buscando o alvo de Deus para nossas vidas:
Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus.
Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,
prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.
Uma coisa eu sei, quero permanecer inteiramente fiel ao Senhor, como Calebe, para que possa continuar com o mesmo vigor e a mesma força todos os dias, para que possa receber tudo aquilo que o Senhor tem para minha vida.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ingenuidade ou inocência? A história de como aprendi através de um altista.

Eu costumo dizer que existe uma grande diferença entre as palavras inocente e ingênuo. Sempre atrelo a idéia da inocência, como algo desprovido de consciência. Algo que se faz, que devido a uma pureza, independente do que se faça, o ato não traz consigo nada malicioso ou grosseiro. O exemplo sempre é o da criança, que mesmo quando xinga, ou dança o “na boquinha da garrafa” (eu sei que as crianças hoje em dia nem sabem que música é essa, mas foi a única que lembrei no momento), por serem puras, não trazem consigo nenhum tipo de sujeira ou algo negativo nesses atos (e é claro que não estou defendendo a idéia de que crianças devam fazer isso). Já ingenuidade, eu costumo ter como algo que se devia ou se poderia ter consciência, mas que por algum motivo não se tem. O exemplo que eu sempre penso é o de se estar numa roda de pessoas com brincadeiras de “duplo sentido”, em que por algum motivo não se tem ou não se quer ter a percepção da sujeira ou grosseira existente nas brincadeiras. Conceituações e divergências sobre o meu ponto de vista a parte, gostaria de tratar do assunto que me levou a escrever sobre isso. Porém antes, terei que contar a história de Henrique.
Henrique é um rapaz da cidade de Seabra, na Bahia. Não sei como explicar, a não ser através da lógica de “Chicó”, não sei como chegou, mas sei que foi parar no Bola de Neve. Conversei com ele, que me contou algumas coisas e eu o pedi para retornar no culto da noite para ver o que eu poderia fazer por ele. Ao final do culto da noite, eu chamei uma médica que vai no bola e pedi para ele conversar com ele, para ver se tinha algo nele que ele ainda não tinha falado. Ficou-se então constado que ele possui algum tipo de transtorno mental e pelo fato de não estar tomando o remédio. Pelos remédios, não houve como se saber qual seria o transtorno, porém eu acredito que ele tinha Altismo.
Acabei o convencendo de que a melhor coisa a se fazer seria ele voltar para casa e que a única forma de ajudar ele seria levando ele na rodoviária e comprando uma passagem para ele voltar para casa. Ele então aceitou a minha oferta de ajuda. Quando fui comprar a passagem um grande milagre aconteceu. Não consigo ainda acreditar e nem imaginar que algo do tipo poderia acontecer, porém são situações como essa que me fazem entender, o que Paulo quis dizer a igreja de Efeso, que Deus pode fazer mais do que podemos pedir ou pensar.  Ao momento que comprei a passagem, primeiro tive que convencer o atendente do guichê a me vender a passagem, já que ele já tinha fechado as vendas e ao perceber que a pessoa que estava comprando a passagem também ia para Seabra, resolvi então perguntar se ele poderia me ajudar com Henrique. A ajuda seria ele se sentar ao lado dele e o ajudar a descer em Seabra, já que o ônibus não a tinha como destino final, e sim apenas como uma das paradas. De uma forma inacreditável, esse homem aceitou o meu pedido e se comprometeu a fazer com que ele pudesse descer no local desejado. Só posso dizer que só Deu é capaz de fazer algo do tipo.
Porém, esse acontecido serviu de pano de fundo para eu refletir sobre minha vida. Como? Me fez pensar em como eu sou ingênuo. É fato que Henrique é inocente, quando fui conversar com ele pela última vez, ele admitiu que algumas coisas que ele tinha falado não eram verdade, ele chegou até a dizer: “99% do que eu disse é verdade” e eu o perguntei, o que seria então o 1% restante e ele logo me disse: “O 1% foi desespero para conseguir ajuda”. Tentei o convencer de que ele havia mentido, mas consegui sentir uma pureza em sua vida, que não me permitia julgar.
A questão é que mais uma vez na minha vida, eu me baseei na minha analise perfiológica, nos meus pontos de vista, na aparência e no achismo, para pensar que o único problema que ele teria seria o de matutagem (ser matuto em excesso). Até me alertaram que ele possui algum tipo de transtorno, mas eu simplesmente todo cheio de razão, não quis aceitar, nem pensar nessa possibilidade. Eu simples não quis acreditar no óbvio e não consegui perceber que ele possui um tipo de transtorno mental. Não é a primeira vez que faço isso e sempre me lembro do caso de Jon. Jon foi um estrangeiro que participou do Monday evening (projeto de estudo bíblico em inglês), em que sempre tive ele como um “santo”  e que como fiquei assustado, ao momento em que ele passou a compartilhar e a testemunhas das suas falhas e defeitos. Tanto Jon como Henrique, foram pessoas que quis ver como me era mais conveniente ou como eu queria ver. A questão é que eu sou uma pessoa consciente e que tenho consciência dos meus atos (as vezes sou até racional demais). Por isso preciso aprender com a vida e a não mais me basear no que eu acho, mas a aprender a ter humildade o suficiente para ver as coisas como elas são. Que o Senhor possa me ajudar nessa jornada.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Grito dos estigmatizados – Parte 1

A algum tempo tenho parado para pensar na dor que sentem as pessoas estigmatizadas. Segundo o dicionário uma pessoa estigmatizada é aquela que traz no corpo algum estigma (marca, sinal, cicatriz, entre outros) ou que é criticada, censurada ou acusada publicamente.
Mas por que então se preocupar com os estigmatizados? Simplesmente porque vivemos em uma sociedade, em que não somos mais conhecidos pelos nossos nomes, pelas nossas qualidades, mas sim pelos nossos estigmas. Temos dificuldade de lembrarmos o nome de uma pessoa, mas nos lembramos facilmente do fulano de tal que pagou o maior “mico” ou da cicrana de tal que caiu da escada. Somos a sociedade de diversos cicranos, cicranas, fulanos e fulanas. Não somos mais conhecidos pelo fato de sermos José, Maria ou João, mas sim por determinadas doenças que temos ou por fatos que nos levem a ser censurados ou criticados.
É muito comum censurarmos o fato de demorar algo em torno de 15 minutos para uma pessoa de cadeira de rodas entrar no ônibus. E eu principalmente quando estou atrasado para algo, sou um dos primeiros a censura-los. Mas a pergunta que me vem na cabeça é: que culpa um cadeirante tem do mecanismo durar tanto tempo para que ele possa pegar um ônibus? 
Há um tempo atrás eu fui procurar a pessoa que eu tinha emprestado a minha bíblia e a resposta que recebi prontamente foi que a irmã que caiu da escada estava com ela. Inocentemente eu decidi então perguntar o nome da irmã que caiu da escada e a resposta que obtive foi a de que era um absurdo eu não me lembrar da minha irmã que caiu da escada.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sou eu que vou pagar o pato?

Muitas coisas para compartilhar e nem sei por onde começar.  A algumas semanas marcamos um almoço a francesa. O resultado vocês já podem até imaginar. Mas para que vocês não fiquem apenas na imaginação vocês  ver o que  perderam nessa foto ao lado do texto (creiam que por mais que a foto tenha sida tirada por uma "profissional", não é uma foto publicitária, mas foi o que realmente foi servido no dia).
Um dos maiores motivadores dessa festa foi para que pudéssemos encontrar uma amiga que amamos e gostamos muito e que a muito tempo não víamos, Fernanda Rosa. Somado a isso pude mais uma vez ir na casa de Ivaneide e Luis, onde freqüentei a célula por muito tempo. Tive também a honra de ter como sub-chefe na cozinha Robson Brito (mesmo que ele não cumprisse nada do que eu falava para ele fazer – Rs). Tivemos também a presença de Marcela Passos, que honrou o nosso almoço, abdicando por um dia o fato de não comer carne, para se deliciar com o nosso prato principal. Contamos também com a presença de Camila e sua mãe, além de Vitória, uma irmã em Cristo que morou na França e pudemos conhecer um pouco mais. Pude também rever Priscila e Rafael, que a algum tempo eu não via. Nos unimos todos, pelo fato de termos alguma ligação com a França e com a cultura francesa.
Eu não queria demorar muito na introdução, mas não tive como. A questão é que após o almoço eu fui extremamente ministrado através da vida de Ivaneide. Eu acabei não organizando o almoço como deveria e acabei deixando tudo para cima da hora. Quando cheguei na Perini para comprar o pato, que seria o prato principal, me assustei com o preço: R$50,00 o quilo. Como não tinha outro jeito, comprei tudo. Como não organizei, resolvi então que eu deixaria o almoço por minha conta. Eis aí o motivo do título, já que realmente eu pensei: "Sou eu que vou pagar esse pato sozinho?". Depois desse dia eu entendi o verdadeiro significado da expressão "pagar o pato".
Durante o almoço, a frase que eu mais repeti é que deveríamos fazer outro almoço juntos, mas que deveríamos fazer algo mais barato, porque tinha saído muito caro as coisas que eu comprei (tenho que admitir que a minha intenção foi a de sensibilizar as pessoas para que me ajudassem a assumir o custo de tudo e nem preciso dizer que ficou chato para as pessoas o fato de toda hora eu repetir isso). Como eu não tinha definido como seria o almoço, quanto ficaria para cada um, eu sabia que não poderia cobrar nada de ninguém. Acabaram me ajudando depois e o saldo final ficou suportável para mim.
A questão é que eu recebi um e-mail de Ivaneide, que foi como se Deus estivesse falando comigo. Nesse e-mail foi me dito que eu deveria ter informado desde o primeiro contato, que iríamos cotizar os gastos. Ao receber esse e-mail, queimou dentro do meu coração a questão de que sempre quando deixamos de planejar algo, sempre pagamos um preço alto por isso. Essa mensagem foi ainda mais trazida ao meu coração em três situações diferentes.
A primeira confirmação dessa mensagem foi no culto de domingo. Fernando esteve pregando sobre a passagem de João 3, que fala de Nicodemos e de como ele precisava nascer de novo. Mesmo ele sendo um doutor da lei, Jesus ministrou sobre a vida dele, que se ele quisesse conhecer as coisas de Deus, ele deveria beber da água da vida, morrer para a natureza carnal dele, para que assim ele nascesse para as coisas do reino de Deus. Durante essa pregação, eu pude refletir, principalmente sobre como Deus tem um plano de usarmos a nossa capacidade, nossa inteligência para fazermos a vontade de Deus. Deus me deu uma capacidade grande de planejar e organizar as coisas, porém nem sempre eu a uso. Um bom exemplo foi o almoço, em que se eu tivesse organizado e planejado, eu teria evitado uma seria de acontecimentos, como stress, preocupação, manipulação, entre tantas outras coisas que aconteceram e que eu já pedi perdão a Deus.
A segunda ministração foi no Monday evening. Jon pregou sobre Genesis 25:24-31, sobre como Esaú trocou a sua primogenitura por um prato de lentilha. A questão é que provavelmente Esaú não valorizou a sua primogenitura e achou que seria mais importante matar a sua fome, do que possuir todas as bênçãos e riquezas, que possui como fruto de ter nascido antes do seu irmão. A principal questão que me marcou é que Esaú em Genesis 27, acusa Jacó de retirar a sua primogenitura e por o ter engando. A questão é que foi Esaú que escolheu isso. Muitas vezes em nossas vidas, acabamos não valorizando o que possuímos e acabamos não levando a sério as consequências que as nossas decisões podem gerar. O fato de Esaú não ter se planejado sobre qual seria o seu alimento, fez com que ele pagasse o preço de perder toda a sua riqueza. E o que coube a Esaú receber? Genesis 27:36 a 40 nos diz o preço da sua decisão, o fato de ficar longe dos lugares férteis, servir o seu irmão e viver da espada:
Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó, visto que já por duas vezes me enganou? tirou-me o direito de primogenitura, e eis que agora me tirou a bênção. E perguntou: Não reservaste uma bênção para mim? Respondeu Isaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido. Que, pois, poderei eu fazer por ti, meu filho? Disse Esaú a seu pai: Porventura tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a voz, e chorou. Respondeu-lhe Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, longe do orvalho do alto céu; pela tua espada viverás, e a teu irmão, serviras; mas quando te tornares impaciente, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço.
A terceira coisa que me edificou é que depois de ouvir tanto a Deus através de todas essas situações, eu pude refletir, como Deus me permitiu ficar um pouco “parado” para que eu pudesse me planejar e me preparar para as coisas que estão por vir. Não organizei o almoço e pagueii um alto preço por isso (até me disseram que eu se eu tivesse me organizado, eu poderia ter ido na lagoa da Unijorge pegar os patos de lá que seria mais barato). Poderia ter pesquisado possibilidades e até mesmo ter balanceado os gastos fazendo um segundo prato mais barato. Na vida não posso deixar que isso se repita, pois talvez não tenha amigos e irmãos que me ajudem a dividir a conta. Além do que nem sempre podemos mudar o preço de uma escolha ou de uma decisão que tomamos. Não quero perder o que Deus tem para mim, assim como Esaú perdeu.
E o que farei? Deixarei que eu pague o pato sozinho? Jamais. Permitirei então que Deus me ajude a me preparar e me capacitar para todos os desafios e projetos que virão pela frente na minha vida.
PS: Caso o texto tenha ficado confuso, me ajude a esclarecer qualquer coisa ou pensamento, me mandando um e-mail com sugestões.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Filho de peixe, peixinho é?

É interessante que tudo ao nosso redor nos faz querer acreditar que ser fraco e demonstrar fraqueza é algo para perdedores e fracassados. Porém, a bíblia nos mostra que quando demonstramos a nossa fraqueza, o poder de Cristo se aperfeiçoa em nossas vidas. Isso me fez lembrar da passagem de 2 Coríntios capítulo 12 dos versículos 9 a 10: 
A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.
Às vezes eu me sinto como um estranho na terra de desconhecidos e simplesmente não sei o que fazer, nem o que dizer. Nessa última semana passei por situações bem atípicas. Tentarei então expressar cada situação e o que cada uma me fez refletir.
Na primeira delas eu acabei ficando com um travesti na minha frente em uma fila do banco. Pode até parecer uma situação normal, mas naquele momento em minha mente eu orava para que o Senhor me ajudasse a exalar amor, ao invés de desprezo. Eu sinceramente não sabia o que fazer e me senti com as minhas mãos atadas. Decidi então fazer a única coisa que eu me sentia capaz naquele momento, decidi orar pela vida daquela pessoa.
A segunda situação foi a de ver um homem cego, que estava para através a pista em frente ao relógio de são Pedro. Para quem conhece aquela região sabe a dificuldade que é tanto para quem dirige, quanto para quem anda por ali. Decidi então auxiliá-lo a atravessar a rua. Ao chegar ao outro lado, ele me perguntou se estávamos em frente a Rua do cabeça. Eu disse a ele que não conhecia essa rua e tentei imaginar alguma forma que pudesse dizer onde nos estávamos. Impensadamente eu disse o nome da loja que estava na nossa frente (como se ele pudesse ver o que estava a sua frente) e para meu espanto ele sabia onde era e disse que iria para a rua Carlos Gomes e como já tinha passado a rua do cabeça, que iria cruzar a próxima a esquerda. Eu acabei dizendo para ele um: “Então tá bom” e me despedi e fiquei com aquela sensação de que poderia ter dedicado um pouco mais de tempo a aquele homem.
A terceira situação foi mais uma vez no banco (eu pude lembrar o quanto eu aprendi indo ao banco todos os dias durante uns 2 anos da minha vida), onde enquanto eu estava na fila, eu avistei uma pessoa com síndrome de dawn. Fora pelo rosto dele, que deixava claro a sua suposta “deficiência”, nada mais revelava a sua “doença”. Ao olhar para aquele homem, o meu olhar começou a ficar vago e sinceramente na sei dizer se eu o olhei com olhar de pena, indiferença ou se utilizei o meu olhar de desprezo ou superioridade. O fato é que de repente eu me lembrei que eu deveria olhar com os olhos de amor e não com os olhos de razão ou com os olhos de comparação. Pude então pedir perdão a Deus.
Por fim, no domingo eu tive um bom momento com Ana e Adriano e pude testemunhar para eles sobre como Deus mudou muitas coisas em minha vida e sobre como eu preciso tomar cuidado com as minhas brincadeiras e com que eu digo, até para que não venha a ferir pessoas como eu já fiz na minha vida. Pude então lembrar que é uma escolha nossa gerar morte ou vida.
Por isso que acredito que temos que nos livrar desse fermento de Herodes como Jesus nos advertiu em Marcos capítulo 8, versículos 15 a 18:
E Jesus ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. Pelo que eles arrazoavam entre si porque não tinham pão. E Jesus, percebendo isso, disse-lhes: Por que arrazoais por não terdes pão? não compreendeis ainda, nem entendeis? tendes o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais?
As vezes somos cegos por nossos dificuldades e preocupações e esquecemos totalmente da essência do que realmente é ser cristão. E a essência do cristianismo é o amor. Eu sempre costumo pensar, que eu continuo acreditando no ser humano, até porque Deus acredita em mim. E se Deus acredita em mim e continua confiando que eu posso me tornar uma pessoa melhor, por que não deveria acreditar no meu próximo? O problema é que às vezes, diversas situações, preconceitos, religiosidades e frescuras, as quais são enxertadas dentro das nossas vidas, as quais poderíamos chamar de fermento de Herodes, nos impedem de compreender, entender, ver, ouvir e nos lembrar de que devemos “morrer” para essas coisas para que Deus venha a viver em nos. Foi o que Paulo disse em 1 Coríntios, Capítulo 15, versículo 31, que nos diz que todos os dias Paulo enfrentava a morte para as tribulações, às pressões, à perseguição e a todos os problemas que apareciam:
Todos os dias enfrento a morte, irmãos; isso digo pelo orgulho que tenho de vocês em Cristo Jesus, nosso Senhor.
E foi dessa forma que Paulo conseguiu levar o amor de Cristo a todos as pessoas que estavam ao seu lado. É como a passagem que eu coloquei no início deste texto, que quando somos fracos é que somos fortes, pois quando admitimos as nossas fraquezas, morremos para esse mundo e passamos a viver pela força do Senhor Jesus.
Hoje (26/09) estive assistindo um filme chamado “Os últimos passos de um homem”:
Inspirado pela verdadeira história do relacionamento de uma freira com um condenado, esta provocativa análise de crime, punição e redenção deu a Susan Sarandon o Oscar® de Melhor Atriz de 1995 e a Sean Penn a indicação ao Oscar® de Melhor Ator. Os Últimos Passos de Um Homem é um filme "ágil e absorvente" com "suspense genuíno" (Variety), surpreendendo do início ao fim.
A Irmã Helen Prejean (Susan Sarandon), uma caridosa freira de New Orleans, é a conselheira espiritual de Matthew Poncelet (Penn), um assassino cruel, revoltado e complexo, que aguarda sua execução. A missão da irmã é ajudar a quem, como Matthew, precisa encontrar a salvação. Mas quando ela tenta navegar na sombria alma de Matthew, encontra uma densidade de maldade que a faz questionar até onde a redenção realmente pode ir. Ela conseguirá adiar a data fatal da execução o suficiente para ter tempo de salvar Matthew, ou acabará descobrindo uma verdade que abalará os próprios preceitos pelos quais norteia sua vida?
Nesse filme, em uma determinada parte, o assino comenta que foi necessário morrer para que pudesse encontrar o amor. O filme me ajudou a me lembrar de uma coisa muito simples, que a graça de Deus, independente de qualquer coisa, é tanto para assassinos, estupradores, assim como é para nos (Max Lucado em um dos seus livros chega até a dizer que para ele foi uma das coisas mais difíceis como cristão foi aceitar o fato de que um “comedor de crianças” que se converteu antes de ser entregue a morte, ter direito a mesma salvação que ele). Seja quem for, como muito bem dito pela freira no filme, merece o amor de Deus.
A questão é que Deus não faz acepção de pecados e quando a freira é questionada no filme em relação à pena de morte, baseado na idéia do olho por olho, dente por dente, ela lembra que a bíblia no antigo testamento também previa a morte para os adúlteros, ladrões e mentirosos. A questão é que vivemos pela Graça e por ser algo imerecido, independe de qualquer coisa que possamos fazer ou dar em troca.
No culto de ontem (25/09) o pastor Júnior esteve lendo uma passagem em João capítulo 8, versículo 44, ao Jesus ser questionado sobre quem Ele era e quem era o seu pai ele disse aos judeus que se Deus fosse o pai deles, eles o receberiam e terminou dizendo:
Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.
Independente de quem seja o “pai” das nossas vidas, temos que ter a certeza de uma coisa, o amor e a verdade de Deus pode nos libertar. Então que seja mais de Deus e menos de nos, para que possamos levar o amor de Deus a todas as pessoas que estão ao nosso redor. Uma coisa é certa, nem todo filho de peixe é peixinho e eu sou uma prova disso. Estive em caminhos errados, mas hoje vivo como filho de Deus e não mais como filho do diabo.
E que possamos viver o que foi escrito como princípio maior dos mandamentos, após a entrega dos 10 mandamentos em Deuteronômio 6, dos versículos 4 ao 9:
Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.  Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.  Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.
Depois de ver que algumas pessoas que levei para missão vida voltarem para rua, depois de tentar ajudar pessoas e perceber que elas não queriam ser ajudadas, pela lógica eu deveria desistir de ajudar pessoas. Porém, como Deus nunca desistiu de mim, não posso desistir de vidas. Até porque como nem todo peixe, é filho de peixinho, enquanto houver vida, haverá esperança. Por isso tentarei colocar o amor de Deus em todas as áreas da minha vida, para que possa continuar a minha jornada. Até onde irei eu não sei, mas só sei que continuarei...
PS: Ainda irei revisar o texto, então se houver algum erro ou algo a ser modificado, me informe.