Eu costumo dizer que existe uma grande diferença entre as palavras inocente e ingênuo. Sempre atrelo a idéia da inocência, como algo desprovido de consciência. Algo que se faz, que devido a uma pureza, independente do que se faça, o ato não traz consigo nada malicioso ou grosseiro. O exemplo sempre é o da criança, que mesmo quando xinga, ou dança o “na boquinha da garrafa” (eu sei que as crianças hoje em dia nem sabem que música é essa, mas foi a única que lembrei no momento), por serem puras, não trazem consigo nenhum tipo de sujeira ou algo negativo nesses atos (e é claro que não estou defendendo a idéia de que crianças devam fazer isso). Já ingenuidade, eu costumo ter como algo que se devia ou se poderia ter consciência, mas que por algum motivo não se tem. O exemplo que eu sempre penso é o de se estar numa roda de pessoas com brincadeiras de “duplo sentido”, em que por algum motivo não se tem ou não se quer ter a percepção da sujeira ou grosseira existente nas brincadeiras. Conceituações e divergências sobre o meu ponto de vista a parte, gostaria de tratar do assunto que me levou a escrever sobre isso. Porém antes, terei que contar a história de Henrique.
Henrique é um rapaz da cidade de Seabra, na Bahia. Não sei como explicar, a não ser através da lógica de “Chicó”, não sei como chegou, mas sei que foi parar no Bola de Neve. Conversei com ele, que me contou algumas coisas e eu o pedi para retornar no culto da noite para ver o que eu poderia fazer por ele. Ao final do culto da noite, eu chamei uma médica que vai no bola e pedi para ele conversar com ele, para ver se tinha algo nele que ele ainda não tinha falado. Ficou-se então constado que ele possui algum tipo de transtorno mental e pelo fato de não estar tomando o remédio. Pelos remédios, não houve como se saber qual seria o transtorno, porém eu acredito que ele tinha Altismo.
Acabei o convencendo de que a melhor coisa a se fazer seria ele voltar para casa e que a única forma de ajudar ele seria levando ele na rodoviária e comprando uma passagem para ele voltar para casa. Ele então aceitou a minha oferta de ajuda. Quando fui comprar a passagem um grande milagre aconteceu. Não consigo ainda acreditar e nem imaginar que algo do tipo poderia acontecer, porém são situações como essa que me fazem entender, o que Paulo quis dizer a igreja de Efeso, que Deus pode fazer mais do que podemos pedir ou pensar. Ao momento que comprei a passagem, primeiro tive que convencer o atendente do guichê a me vender a passagem, já que ele já tinha fechado as vendas e ao perceber que a pessoa que estava comprando a passagem também ia para Seabra, resolvi então perguntar se ele poderia me ajudar com Henrique. A ajuda seria ele se sentar ao lado dele e o ajudar a descer em Seabra, já que o ônibus não a tinha como destino final, e sim apenas como uma das paradas. De uma forma inacreditável, esse homem aceitou o meu pedido e se comprometeu a fazer com que ele pudesse descer no local desejado. Só posso dizer que só Deu é capaz de fazer algo do tipo.
Porém, esse acontecido serviu de pano de fundo para eu refletir sobre minha vida. Como? Me fez pensar em como eu sou ingênuo. É fato que Henrique é inocente, quando fui conversar com ele pela última vez, ele admitiu que algumas coisas que ele tinha falado não eram verdade, ele chegou até a dizer: “99% do que eu disse é verdade” e eu o perguntei, o que seria então o 1% restante e ele logo me disse: “O 1% foi desespero para conseguir ajuda”. Tentei o convencer de que ele havia mentido, mas consegui sentir uma pureza em sua vida, que não me permitia julgar.
A questão é que mais uma vez na minha vida, eu me baseei na minha analise perfiológica, nos meus pontos de vista, na aparência e no achismo, para pensar que o único problema que ele teria seria o de matutagem (ser matuto em excesso). Até me alertaram que ele possui algum tipo de transtorno, mas eu simplesmente todo cheio de razão, não quis aceitar, nem pensar nessa possibilidade. Eu simples não quis acreditar no óbvio e não consegui perceber que ele possui um tipo de transtorno mental. Não é a primeira vez que faço isso e sempre me lembro do caso de Jon. Jon foi um estrangeiro que participou do Monday evening (projeto de estudo bíblico em inglês), em que sempre tive ele como um “santo” e que como fiquei assustado, ao momento em que ele passou a compartilhar e a testemunhas das suas falhas e defeitos. Tanto Jon como Henrique, foram pessoas que quis ver como me era mais conveniente ou como eu queria ver. A questão é que eu sou uma pessoa consciente e que tenho consciência dos meus atos (as vezes sou até racional demais). Por isso preciso aprender com a vida e a não mais me basear no que eu acho, mas a aprender a ter humildade o suficiente para ver as coisas como elas são. Que o Senhor possa me ajudar nessa jornada.

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