sábado, 8 de junho de 2013

Existe luz no final do tunel

Barulho ao redor, buzinas, um grande trânsito a frente, cansaço e para completar a minha noite, acabei pegando um ônibus que de repente a luz parou de funcionar. Pessoas com medo, preocupadas e até um certo receio de furto começou a pairar no ar.

Isso me fez parar e refletir como a luz faz falta para nos. A luz é aquilo que nos traz segurança, que facilita vermos, andarmos e até nos permite lidarmos com o que esta ao nosso redor. Até porque ninguém conseguiria visitar com ausência de luz.

Defendo e acredito que uma das maiores provas da existência de Deus é a moralidade. Isso porque desde o primórdio da nossa humanidade foi colocado dentro de todo e qualquer ser humano a ideia do que é errado. 

Mesmo apos varias gerações esse mesmo senso, mesmo que você queira acredita que sob uma roupagem diferente, continua existindo de forma inalterada.

Não me importa se hoje as pessoas fazem o que é certo ou não, a questão é que todos sabem e possuem a consciência do que é certo e errado. Sempre uso o exemplo do fato de que matar, por mais que esteja se tornando algo comum em nossos dias, aqui, na Mongólia e até na menor ilha que possa existir na terra, foi, é e sempre sera algo errado e reprovável.

Eu admito que em relações a certos situações que envolvem o jeitinho (estacionar em local indevido, fazer manobras erradas, falar ao celular dirigindo, me sentir inclinado a omitir algo em meu imposto de renda, me beneficiar em algumas filas e situações) e até mesmo a politica do farinha pouca, meu pirão primeiro, são coisas que fazem parte do meu dia a dia (mesmo que não seja algo  constante). Isso não tira a minha consciência do erro que cometo, mas gera o risco de me fazer acomodar e tentar acreditar que certas situações são aceitáveis e razoáveis.

E claro que não se é possível nem desejável buscar algo em exagero, pois a justiça plena (buscar ser legalista), principalmente por ser ligada ao homem é falsa em si mesmo. A questão é que isso não pode tirar o nosso foco da verdade e do caminho certo, que sempre foi, é e sera algo desejável pelo nosso Pai. E é claro por mais que as vezes me sinta acomodado, continuo lutando e batalhando para fazer somente o que é certo.

E o que a questão da luz e das trevas tem a ver com isso? Algo muito simples: o fato de que a luz representa aquilo que é certo, bom e as trevas representam aquilo que é ruim, errado.


Uma das formas que Deus é chamado é de Pai das Luzes. E desde o inicio da nossa historia, não foi só o seu papel o de gerar luz sobre um local em estava em trevas, sem forma e vazio, mas também Ele quer iluminar nosso caminho. Cabe a nos escolhermos em que caminho iremos andar. 

Uma coisa eu sei, decidi andar no caminho da luz, me permitindo viver fazendo a vontade do Pai das Luzes, que foi, é e sempre sera fazer o que é certo e bom.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quem está na chuva é para se molhar


Paulistanos correm da chuva; apesar de o Sol estar escondido neste verão, chove dentro da média
Quem está na chuva é para se molhar
Recentemente nessa semana, me deparei com uma situação bem diferente. Quando estava indo para o trabalho, de repente e inesperadamente, algo bem típico de Salvador, começou a chover muito forte. Pessoas correndo em busca de abrigo e outras abrindo o seu guarda chuva foram imagens bem comuns naquele momento, mas houve uma imagem que me chamou bem a atenção: a de um homem que ficou parado diante da chuva.

Mas o que poderia fazer com que uma pessoa ficasse parada diante da chuva? Vários motivos poderiam ser respondidos, como o fato da pessoa estar em um local que não estava caindo chuva, o fato de estar com capa de chuva, ou outros motivos. A questão é que nenhum desses motivos se aplicam à decisão daquele homem.

Sei que julgar não é algo muito positivo, mas o fato é que aquele homem aparentava ser um morador de rua e dentro da sua realidade social, ele não tinha nenhuma outra possibilidade a não ser a de não fazer nada.

Existe um provérbio popular que nos ensina que quem está na chuva é para se molhar e isso não é só uma verdade daquele morador de rua, mas também para nossas vidas. E isso de uma maneira bem simples, nas situações em que de maneira figurada estamos no meio da chuva e simplesmente não queremos nos molhar com a água da chuva.

Muitas vezes nos envolvemos em situações, decisões, escolhas, locais, prioridades, nas quais sabemos o que cada uma implica, mas simplesmente não queremos lidar com as consequências das mesmas.

Tenho falado repetida vezes que por mais que se tenha um abrigo ou mesmo que se tenha uma capa de chuva ou um guarda-chuva, por menos tempo que se fique na chuva ou por mais protegido esteja, o fato é de que não tem como se evitar se molhar, mesmo que se molhe apenas os pés ou uma parte da roupa e corpo.

Mais do que nunca vivemos em um tepo em que temos que aceitar a verdade e nos permitirmos a sermos transformados através dela. Vivemos em um mundo de ilusão e engano, em que a todo tempo tenta-se amenizar ou até mesmo manipular o que é a realidade. A verdade e a realidade é algo que se enfrenta, diferentemente do engano, que é algo que nos acomoda. E uma coisa eu sei, ver aquele morar de rua, sem ter para onde ir, parado, inerte e sem reação, me fez pensar sobre como mais do que nunca preciso lidar com a verdade e a realidade e entender que não tenho como fugir das consequências do que fazemos, ou seja que aquilo que semeamos, iremos colher.

Escolho então ser transformado pela verdade e pela minha realidade, para que possa ter boas escolhas, decisões e prioridades e para que possa estar em boas situações e em bons locais e momentos. É isso que eu chamo de decidir pagar o preço.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

É como diz o povo: só pode se dar o que se tem



Há algumas semanas tenho refletido sobre uma realidade bem interessante: a de que só podemos dar o que nos temos. Antes de qualquer coisa, preciso tentar explicar o sentido que entendo desta frase e como tenho visto o seu significado empiricamente.
Primeiro eu preciso que você que está lendo este texto entenda que existe uma grande diferença entre o que recebemos, temos e damos. Aquilo que recebemos é o reflexo do que nos é dado, aquilo que temos é fruto da absorção do que recebemos e o que damos é o resultado daquilo que reproduzimos a quem está ao nosso redor. 

Nem tudo o que nossos familiares, nossos influenciadores, nosso meio nos induz a ser, nem sempre é o que absorvemos e reproduzimos. É aquela velha história de que uma filha de prostituta não necessariamente também será uma prostituta. Da mesma forma temos o direito, a opção de escolher o que iremos absorver, como iremos lidar com a “herança” que é colocada em nossas vidas.

Tem uma letra de uma música que diz: “Em um mundo em que rosas ferem as mãos com os seus espinhos, em que um copo meio cheio, pode estar meio vazio, dependendo de quem o viu”. Essa letra fala sobre ponto de vista, fala sobre como podemos escolher ter uma visão otimista ou pessimista e como às vezes essa visão nos afasta da realidade de que o “copo está com água até a metade”. Da mesma maneira, nos temos como escolher aquilo que recebemos e aquilo que iremos compartilhar.

E essa escolha é extremamente importante, pois ela é que servirá como filtro. Aí entra o ponto importante, o de que se não recebemos, não temos esse algo, não temos como dar, compartilhar, expressar, o que não temos. Um bom exemplo disso é o amor, em que recebemos o amor de Deus, para aprendermos a nos amar e nos amando, amar o nosso próximo e a amarmos ao nosso Pai Eterno. E como alguém conseguiria amar, sem ter amor?

Neste mês tenho tido a oportunidade de voltar a trabalhar em uma função em que a há algum tempo não atuava. Tenho percebido e me lembrado de várias coisas que aprendi e amadureci e que com o tempo acabei me esquecendo e esse esquecimento em algumas áreas me levou a fazer más escolhas, escolhas que nos levam a atitudes erradas, ou mesmo que sejam certas, mas que se expressam da maneira errada.

O engraçado é que após eu escrever esse texto, eu me vi compartilhando, passando para as pessoas o meu stress e impaciência, isso porque eu achava que a minha fome e a minha pressa justificavam tal atitude. É por isso que eu sempre digo que às vezes, o que falamos, ministramos e escrevemos, na maioria das vezes é algo para nos mesmos e é por isso que eu continuo escrevendo, já que sou ministrado, edificado pelo que faço.

Enfim, pretendo aprofundar mais essa questão, mas termino me lembrando e lembrando a você, que independente de como você foi tratado, ou do que fizeram (fazem) a você, cabe a nos escolhermos o que iremos absorver e como iremos reproduzir essas ações. Uma coisa é certa: a de que precisamos aprender a receber coisas boas, coisas de Deus, para que isso possa se revelar, se manifestar na nossa vida e na vida das pessoas que estão ao nosso redor.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Quando a chave não é o suficiente para abrir a porta





Não retribua o mal com mal e façam pelos outros  aquilo que você gostaria que fizesse por você, são princípios que tem sido basilares na minha vida. É claro que às vezes acabo me passando em algumas situações, mas o meu mestre, Jesus, sempre com sua calma e tranquilidade sempre me ajuda através do seu exemplo, da sua palavra e das minhas experiências, sempre me lembra como devo agir e o que devo fazer.

Recentemente uma situação me serviu de grande aprendizado. Estava em um ônibus e estava bem sonolento, a ponto de não conseguir perceber nada do que estava acontecendo ao meu redor. Comecei a perceber que estava havendo algum tipo de discussão, mas o meu sono no momento foi mais do que qualquer curiosidade que eu pudesse ter. Enquanto isso, um rapaz, de um centro de recuperação entregando seus prospectos pedindo a colaboração de R$2,00 para ajudar a manter o centro que ele fazia parte. De repente, chegando próximo de onde eu estava, ele falou para o cobrador que podia deixar a moça passar que ele ia pagar o transporte. Foi aí que eu vi o que estava acontecendo: tinha uma pessoa tentando passar a roleta sem pagar e o cobrador não estava deixando.

Poderia até trazer alguns detalhes da situação, como o fato de que a pessoa que foi ajudado aparentava ser uma pessoa “especial” (com algum tipo de deficiência mental), mas o fato é que a ajuda veio de uma lugar que eu não esperava: veio de alguém que estava pedindo ajuda.

Isso me fez refletir como os princípios que eu citei não só andam juntos, mas estão interligados a uma ação, a uma atitude. Aprendemos ou devemos aprender que a fé, sem obras, sem atitude, sem ação é morta, assim como acredito que a razão sem fé, se torna loucura. A fé está ligada ao nosso espírito (acredito que somos dotados de corpo, alma e espírito) e a razão está ligada à nossa mente e consequentemente às nossas emoções. A questão é que tanto razão, como a fé devem andar juntas e de maneira equilibrada.

E o que isso tem a ver com o que eu estou relatando? Isso me forma que não basta crer em algo, mas deve-se praticar, agir, realizar aquilo que se acredita, ou seja, se eu quero ser ajudado, que eu tome a iniciativa de ajudar. E nisso eu me surpreendi na atitude da pessoa no ônibus, já que alguns preconceitos que eu tinha em relação a esse trabalho de se arrecadar dinheiro em ônibus, já que independente de suas falhas, percebi que ele ensina algo muito importante: a de pedir ajuda e a de ajudar quando necessário. A questão é que tanto o crer e o realizar necessitam de um algo a mais que faça que os mesmos se transformem em algo real. É como uma chave que necessita de uma fechadura, para que se possa abrir uma porta.

E eu lhe garanto que só podemos praticar essa verdade se o amor for algo presente em nossas vidas. E não existe nada mais divino do que o amor. E se o amor é divino, ele é algo que só Deus pode colocar em nossas vidas. O povo diz que, só podemos dar aquilo que temos, então saiba que você só poderá agir, ter, realizar o amor, se a presença de Deus estiver em sua vida. E foi exatamente isso que eu vi na atitude do rapaz, algo vindo de Deus, já que dentro da lógica humana, a atitude dele não teria nenhum sentido, porém através de Cristo foi possível ele ter a ousadia, a inciativa de ser usado para realizar um ato de amor, um ato através da presença de Cristo em sua vida. 

Eu continuo com os princípios de não retribuir o mal com o mal e de fazer pelo meu próximo aquilo que eu gostaria que fizessem por mim, mas cada vez mais tenho aprendido que só possível aplicar os mesmos, se eu tiver a presença de Deus, se a minha razão e a minha fé estiverem conectadas na vontade de Deus, se a minha alma, o meu entendimento estiverem focadas em amar a Deus. Aí sim, eu poderei continuar dizer que eu escolhi ser amado e a ser o Jesus, aquele que irá levar o amor de Deus, mais próximo de muitas pessoas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Quando é necessário ser grato pelo simples fato de ser grato


Recentemente passei por uma situação que me surpreendeu. Hoje em dia é difícil eu me surpreender com algo, até porque temos uma tendência de começarmos a achar normal, o que não é normal. O fato de enfrentar a realidade de pessoas destruídas, ver pessoas morrendo (literalmente e metaforicamente), ver tristeza, dor, brigas e intrigas, às vezes me fazem pensar que estou me tornando uma pessoa fria, já que não me “comovo” diante de tais situações.
 
O fato é que, sempre os céus conspiram em criar algo que venha balançar a minha estrutura. Pois bem, no último sábado (27/04) estive visitando com algumas pessoas, o Centro de Triagem da Missão Vida, centro este que lida com a recuperação de pessoas em situação de mendicância. Até gostaria de dizer que me comovi diante dos testemunhos que cada um contou, seja das dificuldades que tem enfrentado, sobre como é difícil vencer certas situações, ou que fui impactado em ver como o poder de Deus se revelou na vida de muitos que ali estavam, mas dizer isso não seria uma verdade plena.


O que realmente me impactou foi um gesto simples e inesperado. Após o culto, na hora do almoço, um dos internos chegou mansamente do meu lado, estendeu sua mão e disse que queria me presentear. Seu presente era um colar com uma concha, feito de barbante. Ao receber o presente, eu simplesmente fiquei sem reação, apenas consegui abraçá-lo e agradecer.


Eu até pensei em colocar o colar no meu pescoço, mas a minha “frescura”, o fato de ter recebido algo que não está no meu “padrão”, simplesmente me impediu de tomar este ato. Sendo bem verdadeiro, posso até lhe dizer que recebi algo que nunca vou usar e para piorar ainda essa situação, quando cheguei em casa, acabei me sentando em cima do mesmo e acabei quebrando um pedaço da concha.


Mas então por que eu me surpreendi com esse gesto? Como pode algo tão simples, algo “imprestável” para mim pode balançar minhas estruturas? A resposta é muito simples. E de tão simples que ela é, talvez não consiga responder de uma maneira efetiva. A resposta é que esse fato me levou a ver o que é ser grato.


Sinceramente, demorei um pouco para entender o ensinamento que estava me sendo concedido e precisei de outras situações para finalmente poder entender o que era para ser absorvido. 


Gratidão e contentamento são palavras que para mim estão diretamente ligadas. Para mim não há ninguém que fale melhor sobre o que é ser grato do que Paulo. Paulo foi a pessoa que escreveu algo que quase todos nos conhecemos: Tudo posso naquele que me fortalece, mas poucos sabem o contexto, o objetivo em ter-se dito isto. 


Paulo fala isso, na carta que escreve a igreja de Filipenses, que era uma igreja, em que as pessoas tinham muitas dificuldades, sejam financeiras, profissionais e todo o tipo de dificuldade que você imaginar. Paulo então durante toda esta carta busca animar, alegrar os cristãos da igreja de Filipenses e se usa como exemplo para dizer coisas do tipo, que ele mesmo aprendeu que a posição, que os cargos, que todo o conhecimento e poder que ele já teve, eram perda, era “esterco”, perante o que ele ganhou em Cristo. Paulo então fala sobre o segredo que aprendeu em sua vida e que os filipenses precisavam seguir este conselho para conseguirem vencerem todas as dificuldades que estavam enfrentando. Ele diz que aprendeu o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, tendo fartura ou não tendo nada, tendo banquete ou não tendo o que comer, já que ele aprendeu que em Cristo, que com Cristo fortalecendo ele, com a força de Cristo ele conseguiria vencer e enfrentar todas as coisas.


A atitude de Paulo me ensina duas coisas. A primeira coisa que aprendo é que a gratidão está ligada a uma ação, a um ato é algo que necessariamente deve-se ser demonstrado e segundo que ser grato não é aceitar a situação que se vive, mas sim se submeter a sua realidade, se submeter a verdade para que através dela sejamos libertos.


No fim das contas, precisei de um presente, de um ato de gratidão, de um ato de uma pessoa demonstrando que queria agradecer por estarmos ali, precisei receber algo “sem valor”, algo que nem sequer irei usar, para me lembrar como preciso ser grato a Deus, grato até pelo que não tenho, grato pelo que me serve e pelo que não me serve, grato por simplesmente receber a gratidão.


Como tem dito a algumas pessoas, não tenho tudo que gostaria de ter, não tenho tudo o que me ambição me levava a querer conquistar e nem tenho tudo o que poderia ter, mas a paz, a alegria, a salvação que tenho em Cristo, não se comparam a nada que já tive ou que poderia alcançar. Como então posso me esquecer da necessidade de ser grato? Às vezes me aborreço, me entristeço, me lamento, mas agradeço, por ser lembrado sobre o quanto eu devo ser grato.