terça-feira, 5 de maio de 2015

Diário de um viajante - Parte 1


Na semana em que fui viajar, tive um devaneio bem interessante, a de que eu deveria escolher o caminho dos cegos. Explico.


Por uma própria pressão político/governamental, grande parte das nossas ruas, nem que seja pelo “jeitinho” ou “puxadinho”, possuem hoje indicações que geram acessibilidade para deficientes visuais.

São pedaços de concreto que possuem linhas retas ou círculos, que de maneira bem superficial, em relação as linhas significam o caminho onde se deve andar e os círculos os locais onde se devem ter atenção, por serem saídas de veículos, linhas de passagem, fim da calçada entre outros.

Me peguei pensando como às vezes precisamos nos deixarmos ser guiados, como precisamos confiar nas indicações e direções que nos são dadas, mesmo que nossos olhos não nos permitam ver.

Viajar para alguns pode ser apenas uma fuga de suas casas, problemas e situações, mas em minha vida, percebo que é uma forma que possuo em conseguir observar as coisas que os meus não me permitem enxergar onde eu estou.


Pois bem. Por uma questão de trabalho, compromissos, fatos e situações, não organizamos nossa viagem como deveríamos ou gostaríamos. Posso até lhe dizer que desistir da viagem foi algo que nos passou pela cabeça. O fato é que como eu e minha digníssima somos muito ousados decidimos encarar esse desafio.

Foram muitos dias e muitas coisas para compartilhar. Nomes como Renoir, Monet, Picasso, Matisse, Paul Cézanne, Maurice Dedin, Rodin, Be, ficam até hoje latentes em minha cabeça. Cores como o amarelo, laranja, verde e o cinza, também se tornaram muito vivas nos últimos dias. Tentarei então compartilhar algumas experiências e situações, que creio eu, juntas me levaram a um aprendizado único e verdadeiro.


No sábado (02/05) decidimos visitar o musée d’Arte Moderne de Paris. Foi uma experiência única e muito agradável, primeiro por me permitir aprender um pouco mais sobre a arte moderna e abstrata.

O que mais me chamou a atenção foi um quadro do Matisse chamado La dance inachevée, que em verdade foi um quadro achado em seu porão após a sua morte, o qual em verdade foi um esboço para o quadro La danse. É interessante perceber a simetria e a delicadeza dos traços pertencentes à era do Fauvismo.


Mais do que isso, pudemos começar a entender um pouco mais do cubismo, da natureza morta, da arte abstrata e de sobre como a cultura, momento histórico, experiências e a religião sempre foram influenciadores diretos dos artistas.


Terminado o nosso primeiro passeio, tivemos a grata surpresa de nos depararmos com uma feira popular, onde compramos nosso almoço e um brioche como sobremesa, além de podermos ver a diversidade de frutas, queijos, peixes, carnes e outros.


Após nosso almoço fomos no musée de Beaux Arts, também conhecido como Petit Palais, que mesmo sendo gratuito, não fica para trás dos outros locais.


No domingo (03/05) aproveitamos mais uma vez para visitarmos museus e por um motivo muito simples, no primeiro domingo do mês todos os museus, com algumas exceções, são gratuitos. Fizemos então a casadinha do musée D’Orsay e o musée L’Orangerie.


Não sei se pelo fato de ser gratuito ou por ser no domingo, pegamos uma fila imensa, ficando mais de 1 hora na mesma, debaixo de uma chuva rala.


No musée D’Orsay o que mais me chamou a atenção foi perpassar pela fase Impressionista, Pós-Impressionista e Neo-Impressionista e pode ver como os artistas se influenciaram uns nos outros e praticamente geraram traçados únicos, os quais chegam a serem inconfundíveis, como no caso de Monet no Impressionismo e o Van Gogh no Pós-Impressionismo. No museu também existe um belo acervo de Rodin e foi muito interessante ver Lorena lembrar de uma escultura que ficou exposto em Salvador, na exposição de Rodin.


No L’Orangerie, o que mais se destacou para mim é como, diferente do que minha ignorância me levava a crer, que os artistas, intencionalmente ou até mesmo influenciados pelas fases, perpassaram por fases distintas e se submeteram a lidar com formas diferentes fosse como um aprendizado ou como uma experimentação, adaptação do seu estilo. É interessante ver obras de Picasso de natureza morta.


Terminamos nossa tarde, indo assistir um culto na Hillsong, onde foi muito vibrante para mim ver uma igreja que da primeira vez que fui em Paris estava em um lugar distante e que não tinha muitas pessoas, ter agora 4 cultos no domingo, enchendo salas de teatro com pessoas com sede de Deus.


Em resumo a pregação falou sobre como em situações difíceis, nas quais não conseguimos ver, entender e crer em Deus devemos: 1- Esperar em Deus, 2- Agradecer a Deus, seja fazendo uma pausa de adoração, seja proclamando a palavra de Deus e 3- Depositando nossa confiança em Deus.


Na nossa segunda (04/05) fomos em um dos lugares que mais gosto em Paris, o Jardin de Louxembourg. Confesso que na Primavera o mesmo é mais bonito. Posso até me ousar dizer que este jardim é o coração de Paris, tendo inclusive já abrigado o musée des Beaux Arts e mais do que isso é um local de encontro, descanso, prática de atividades dos parisienses e de muitos estrangeiros.


Terminamos então nossa tarde, passando pelo Saint German des prés, fazendo um tour por algumas livarias (eu e Lorena amamos olhar livros e cada um acabou comprando um livro em francês para si, ela de nutrição e eu uma autobiografia).


Voltamos então para o hotel e descansamos, já que decidimos que nossa jornada continuaria dando uma passada na região francesa do Côte-d’Azur.


Por fim, não tenho como não trazer a conclusão de que o grande aprendizado que tiro de todas as experiências e situações, das quais, não tenho como detalhar cada uma delas nestas poucas linhas é de que assim como meu mestre me ensina, preciso ser cego, para que venha aprender a ver através D’Ele. É como ele bem disse “Eu vim para que os que são cegos vejam e para que os que vêem se tornem cegos”.

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