sábado, 7 de dezembro de 2013

E agora José?


Conheço os preços dos meus concorrentes, e agora? 
Recentemente eu fui lembrado de uma situação bem peculiar. Na época que eu iria me casar, eu me planejei para o que eu achei que seria mais importante naquele momento: me despedir da vida de solteiro com classe. Decidi ir para Machu Pichu no Peru e me “destruir” em uma trilha de 7 dias. Porém, depois de um tempo Lorena decidiu que ela também iria ir comigo. Diante dessa decisão dela, eu praticamente tentei a persuadir de que ela deveria entender, que eu iria me “destruir” e que talvez não fosse bom ela ir, até para evitar que se machucasse ou acontecesse alguma coisa. No final das contas eu acabei não indo, mas Deus usou aquela situação para ministrar algo bem importante, que Lorena era maior de idade e que ela havia tomado a decisão de estar do meu lado fosse chovendo, fosse fazendo sol e em toda situação que viesse a acontecer. Enquanto eu queria protege-la, livra-la de uma situação, eu não consegui perceber que na verdade eu estava fazendo algo totalmente fora daquilo que Deus queria para nos.

Me lembrei dessa situação e como eu aprendi com a atitude de José, o pai de Jesus. José não era um qualquer um, não era um zé mané, era um descente de Davi. Há quem diga inclusive que ele tinha uma posição dentro da igreja, era uma pessoa respeitada pela igreja e pelas pessoas na comunidade. José e Maria eram noivos e de repente Maria engravida pelo Espírito Santo.

Eu consigo imaginar a cena, Maria ligando para ele pedindo para encontrar com ele para conversar e que só poderia conversar pessoalmente. Talvez na cabeça de José pudesse ser que Maria queria conversar sobre como seria o casamento, se iria usar rosas ou lírios, querer discutir os votos nupciais ou talvez ela quisesse compartilhar sobre suas indecisões ou apenas ter um ouvido que a escutasse (e que mulher não gosta de ter um ouvi para escutar?). O fato é que Maria conta para José que ela estava grávida e que a sua gravidez era fruto do Espírito Santo.

Eu sei que isso eu estou falando é fruto da minha imaginação mais uma coisa é fato, somente Maria tinha tido o encontro com um anjo que havia explicado o que iria acontecer com ela, José não sabia de nada e eu chego até a pensar que Maria talvez não tenha conseguido passar com exatidão o porque de tudo que estava acontecendo.

Naquela época havia uma lei que determinava que caso a mulher engravidasse antes do casamento, a mesma deveria ser apedrejada em praça pública. Maior condenação do que essa era a condenação de ficar mal vista e muito mal falada por toda a comunidade.

José então decide fugir. E existem vários motivos para sua fuga, fugir para que Maria não pudesse ser apedrejada e fugir para que ela não ficasse mal vista, nem mal falada, para que a todos pudessem culpa-lo, preservando a imagem e a vida de Maria, ou seja, fugir por amor.

Aí entra o que eu quero tratar nessa noite. Muitas vezes nos queremos usar a nossa lógica, nossas justificativas ou fazer aquilo que achamos certo. E por isso quero trabalhar alguns pontos que eu aprendo através do que aconteceu a José.

O primeiro ponto é que a lógica do homem é diferente da lógica de Deus. De uma maneira bem clara se a pessoa do seu lado lhe contasse que está passando por um momento de dificuldade ou que o casamento dela acabou, o que passaria em sua mente? Sinceramente eu não sei o que passaria na sua mente, mas na minha eu pensaria que ela está colhendo o que ela plantou, que é o que nós chamamos de lei da semeadura, lei da causa e consequência.

Dentro de um pensamento lógico tentamos sempre racionalizar o que está acontecendo e com José e conosco não é diferente. José lidou com uma situação ilógica, irracional e diante disso ele decidiu simplesmente seguir o caminho mais fácil, o de não lidar com a situação e “fugir”.

Habacuque, que foi um profeta do antigo testamento e que chega a questionar a justiça de Deus e nos ensina algo muito profundo. Ele ensina que mesmo em situações que não tenham lógica, mesmo quanto a semente não produzir fruto, mesmo quando as coisas não acontecerem como queremos, devemos ter os pés como uma corça, como um cervo. E o que é ter os pés como da corça/cervo? A corça tem um faro apurado e possue patas ágeis e fortes, o que a permite escalar montanhas para encontra comida e bebida.

Isso significa que havendo o desafio não devemos “fugir” devemos enfrenta-lo, entendo que o Senhor é que nos capacita, que a alegria do Senhor não tem limites, nem fim, que é Ele quem nos permite a vencermos em meio às dificuldades e situações.Aprendo que ao invés de racionalizamos, tentamos criar uma lógica ou uma solução humana para a situação devemos buscar em Deus qual é a direção que precisamos tomar.

O segundo ponto que eu vejo na atitude de José usa o seu desejo em preservar Maria como uma justificativa para fugir. Imagine que você estivesse gravida pelo Espírito Santo e que você contasse isso para seu noivo, você gostaria que ele fugisse e você tivesse que enfrentar essa “barra” sozinha? Claro que não.

Muitas vezes damos desculpas, usamos atitudes nossas como justificativas para fazermos algo que não é o que Deus tem para nos. Eu sou vitima disso porque as vezes uso desculpas, mentiras para dar respostas mais convenientes.

Deus havia escolhido José e Maria para serem pais de Jesus e José para entender precisou que um anjo lhe aparecesse. A bíblia nos ensina que quando buscamos, encontramos Deus e diz ainda que quando formos verdadeiros discípulos e quando permanecermos firmes na palavra, somos libertos através da verdade. Precisamos nos permitir olhar as situações como um corça, uma garça que por mais que não veja, pelo fato dela ter um faro apurado, ela consegue sentir o cheiro da água, do seu alimento.

Da mesma forma devemos ter discernimento para sentirmos o cheiro da água da vida e do pão da vida para que possamos viver segundo a verdade de Deus, evitando assim que possamos fazer más escolhas, como quase José fez.

O terceiro ponto é que muitas vezes temos dificuldades em aceitarmos aquilo que nos não vivemos ou não entendemos.

O ser humano é diretamente ligado ao empirismo, ligado aquilo que ele experimente, que ele consegue comprovar. Quando lidamos com algo diferente do que estamos acostumados temos uma tendência a não sabermos lidar com a situação.

Imagine uma pessoa falando sobre uma cura, sobre a forma que Deus se manifestou em sua vida, sobre como a pessoa é tomada pelo Espírito Santo de Deus, caso você não tenha uma experiência igual, talvez você tenha dificuldade em aceitar como verdadeiro o que a pessoa está lhe relatando.
O anjo só havia aparecido a Maria e por isso tenho certeza que José não soube lidar a situação.

Somos seres individualizados, temos uma impressão digital que nos diferencia um do outro, mas muitas vezes queremos que as coisas aconteçam de uma maneira genérica, de maneira geral.

Devemos então entender que mais importante do que a experiência que o outro tem, precisamos aprender a investir e buscar em Deus aquilo que necessitamos que desejamos, para que Ele venha a revelar a maneira que ele se manifesta em nossas vidas.

José não precisava que o anjo aparecesse para ele, ele na verdade precisava confiar no que Maria havia lhe dito e caso isso não fosse suficiente, ele devia buscar em Deus como ele devia lidar com a situação. Dessa forma ele reconheceria a insuficiência dele em lidar com algo que ele não estava experimentando.

Por fim, mesmo vendo em José a deficiência em ver Deus na situação que está passando em sua vida, vemos que a posição dele é o que faz toda a diferença. Ele decide pagar o “preço” para que a vontade de Deus se cumprisse na vida Dele, ele decide abrir mão da sua imagem, da sua posição, ele abre mão até da sua lógica, do seu entendimento, para viver o que Deus tinha para ele.

José quando decidiu “fugir”, não estava fazendo algo errado, na verdade a sua atitude era por amor a Maria, por mais que eu até possa dizer que foi uma atitude covarde. Porém, se ele fugisse ele faria algo contra a vontade, contra o plano de Deus.

Às vezes estamos fazendo o que é certo, estamos fazendo aquilo que é bom, mas acabamos nos esquecendo de buscar em Deus, o que Ele quer, qual é a decisão que precisamos diante dessas situações.

E com você, o que tem lhe impedido, em que situação você talvez precise buscar direção, buscar respostas em Deus? E agora José?

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