
Na semana em que fui viajar, tive
um devaneio bem interessante, a de que eu deveria escolher o caminho dos cegos.
Explico.
Por uma própria pressão
político/governamental, grande parte das nossas ruas, nem que seja pelo
“jeitinho” ou “puxadinho”, possuem hoje indicações que geram acessibilidade
para deficientes visuais.
São pedaços de concreto que
possuem linhas retas ou círculos, que de maneira bem superficial, em relação as
linhas significam o caminho onde se deve andar e os círculos os locais onde se
devem ter atenção, por serem saídas de veículos, linhas de passagem, fim da
calçada entre outros.
Me peguei pensando como às vezes
precisamos nos deixarmos ser guiados, como precisamos confiar nas indicações e
direções que nos são dadas, mesmo que nossos olhos não nos permitam ver.
Viajar para alguns pode ser apenas uma fuga de suas casas, problemas e situações, mas em minha vida, percebo que é uma forma que possuo em conseguir observar as coisas que os meus não me permitem enxergar onde eu estou.
Pois bem. Por uma questão de
trabalho, compromissos, fatos e situações, não organizamos nossa viagem como
deveríamos ou gostaríamos. Posso até lhe dizer que desistir da viagem foi algo
que nos passou pela cabeça. O fato é que como eu e minha digníssima somos muito
ousados decidimos encarar esse desafio.
Foram muitos dias e muitas coisas
para compartilhar. Nomes como Renoir, Monet, Picasso, Matisse, Paul Cézanne,
Maurice Dedin, Rodin, Be, ficam até hoje latentes em minha cabeça. Cores como o
amarelo, laranja, verde e o cinza, também se tornaram muito vivas nos últimos
dias. Tentarei então compartilhar algumas experiências e situações, que creio
eu, juntas me levaram a um aprendizado único e verdadeiro.
No sábado (02/05) decidimos
visitar o musée d’Arte Moderne de Paris. Foi uma experiência única e muito
agradável, primeiro por me permitir aprender um pouco mais sobre a arte moderna
e abstrata.
O que mais me chamou a atenção foi
um quadro do Matisse chamado La dance inachevée, que em verdade foi um quadro
achado em seu porão após a sua morte, o qual em verdade foi um esboço para o
quadro La danse. É interessante perceber a simetria e a delicadeza dos traços
pertencentes à era do Fauvismo.
Mais do que isso, pudemos começar
a entender um pouco mais do cubismo, da natureza morta, da arte abstrata e de
sobre como a cultura, momento histórico, experiências e a religião sempre foram
influenciadores diretos dos artistas.
Terminado o nosso primeiro
passeio, tivemos a grata surpresa de nos depararmos com uma feira popular, onde
compramos nosso almoço e um brioche como sobremesa, além de podermos ver a
diversidade de frutas, queijos, peixes, carnes e outros.
Após nosso almoço fomos no musée
de Beaux Arts, também conhecido como Petit Palais, que mesmo sendo gratuito,
não fica para trás dos outros locais.
No domingo (03/05) aproveitamos
mais uma vez para visitarmos museus e por um motivo muito simples, no primeiro
domingo do mês todos os museus, com algumas exceções, são gratuitos. Fizemos
então a casadinha do musée D’Orsay e o musée L’Orangerie.
Não sei se pelo fato de ser
gratuito ou por ser no domingo, pegamos uma fila imensa, ficando mais de 1 hora
na mesma, debaixo de uma chuva rala.
No musée D’Orsay o que mais me
chamou a atenção foi perpassar pela fase Impressionista, Pós-Impressionista e
Neo-Impressionista e pode ver como os artistas se influenciaram uns nos outros
e praticamente geraram traçados únicos, os quais chegam a serem inconfundíveis,
como no caso de Monet no Impressionismo e o Van Gogh no Pós-Impressionismo. No
museu também existe um belo acervo de Rodin e foi muito interessante ver Lorena
lembrar de uma escultura que ficou exposto em Salvador, na exposição de Rodin.
No L’Orangerie, o que mais se
destacou para mim é como, diferente do que minha ignorância me levava a crer,
que os artistas, intencionalmente ou até mesmo influenciados pelas fases,
perpassaram por fases distintas e se submeteram a lidar com formas diferentes
fosse como um aprendizado ou como uma experimentação, adaptação do seu estilo. É
interessante ver obras de Picasso de natureza morta.
Terminamos nossa tarde, indo
assistir um culto na Hillsong, onde foi muito vibrante para mim ver uma igreja
que da primeira vez que fui em Paris estava em um lugar distante e que não
tinha muitas pessoas, ter agora 4 cultos no domingo, enchendo salas de teatro
com pessoas com sede de Deus.
Em resumo a pregação falou sobre
como em situações difíceis, nas quais não conseguimos ver, entender e crer em
Deus devemos: 1- Esperar em Deus, 2- Agradecer a Deus, seja fazendo uma pausa
de adoração, seja proclamando a palavra de Deus e 3- Depositando nossa
confiança em Deus.
Na nossa segunda (04/05) fomos em
um dos lugares que mais gosto em Paris, o Jardin de Louxembourg. Confesso que
na Primavera o mesmo é mais bonito. Posso até me ousar dizer que este jardim é
o coração de Paris, tendo inclusive já abrigado o musée des Beaux Arts e mais
do que isso é um local de encontro, descanso, prática de atividades dos
parisienses e de muitos estrangeiros.
Terminamos então nossa tarde,
passando pelo Saint German des prés, fazendo um tour por algumas livarias (eu e
Lorena amamos olhar livros e cada um acabou comprando um livro em francês para
si, ela de nutrição e eu uma autobiografia).
Voltamos então para o hotel e
descansamos, já que decidimos que nossa jornada continuaria dando uma passada
na região francesa do Côte-d’Azur.
Por fim, não tenho como não
trazer a conclusão de que o grande aprendizado que tiro de todas as
experiências e situações, das quais, não tenho como detalhar cada uma delas
nestas poucas linhas é de que assim como meu mestre me ensina, preciso ser
cego, para que venha aprender a ver através D’Ele. É como ele bem disse “Eu vim
para que os que são cegos vejam e para que os que vêem se tornem cegos”.









