É interessante que tudo ao nosso redor nos faz querer acreditar que ser fraco e demonstrar fraqueza é algo para perdedores e fracassados. Porém, a bíblia nos mostra que quando demonstramos a nossa fraqueza, o poder de Cristo se aperfeiçoa em nossas vidas. Isso me fez lembrar da passagem de 2 Coríntios capítulo 12 dos versículos 9 a 10:
A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte. Às vezes eu me sinto como um estranho na terra de desconhecidos e simplesmente não sei o que fazer, nem o que dizer. Nessa última semana passei por situações bem atípicas. Tentarei então expressar cada situação e o que cada uma me fez refletir.
Na primeira delas eu acabei ficando com um travesti na minha frente em uma fila do banco. Pode até parecer uma situação normal, mas naquele momento em minha mente eu orava para que o Senhor me ajudasse a exalar amor, ao invés de desprezo. Eu sinceramente não sabia o que fazer e me senti com as minhas mãos atadas. Decidi então fazer a única coisa que eu me sentia capaz naquele momento, decidi orar pela vida daquela pessoa.
A segunda situação foi a de ver um homem cego, que estava para através a pista em frente ao relógio de são Pedro. Para quem conhece aquela região sabe a dificuldade que é tanto para quem dirige, quanto para quem anda por ali. Decidi então auxiliá-lo a atravessar a rua. Ao chegar ao outro lado, ele me perguntou se estávamos em frente a Rua do cabeça. Eu disse a ele que não conhecia essa rua e tentei imaginar alguma forma que pudesse dizer onde nos estávamos. Impensadamente eu disse o nome da loja que estava na nossa frente (como se ele pudesse ver o que estava a sua frente) e para meu espanto ele sabia onde era e disse que iria para a rua Carlos Gomes e como já tinha passado a rua do cabeça, que iria cruzar a próxima a esquerda. Eu acabei dizendo para ele um: “Então tá bom” e me despedi e fiquei com aquela sensação de que poderia ter dedicado um pouco mais de tempo a aquele homem.
A terceira situação foi mais uma vez no banco (eu pude lembrar o quanto eu aprendi indo ao banco todos os dias durante uns 2 anos da minha vida), onde enquanto eu estava na fila, eu avistei uma pessoa com síndrome de dawn. Fora pelo rosto dele, que deixava claro a sua suposta “deficiência”, nada mais revelava a sua “doença”. Ao olhar para aquele homem, o meu olhar começou a ficar vago e sinceramente na sei dizer se eu o olhei com olhar de pena, indiferença ou se utilizei o meu olhar de desprezo ou superioridade. O fato é que de repente eu me lembrei que eu deveria olhar com os olhos de amor e não com os olhos de razão ou com os olhos de comparação. Pude então pedir perdão a Deus.
Por fim, no domingo eu tive um bom momento com Ana e Adriano e pude testemunhar para eles sobre como Deus mudou muitas coisas em minha vida e sobre como eu preciso tomar cuidado com as minhas brincadeiras e com que eu digo, até para que não venha a ferir pessoas como eu já fiz na minha vida. Pude então lembrar que é uma escolha nossa gerar morte ou vida.
Por isso que acredito que temos que nos livrar desse fermento de Herodes como Jesus nos advertiu em Marcos capítulo 8, versículos 15 a 18:
E Jesus ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. Pelo que eles arrazoavam entre si porque não tinham pão. E Jesus, percebendo isso, disse-lhes: Por que arrazoais por não terdes pão? não compreendeis ainda, nem entendeis? tendes o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais?
As vezes somos cegos por nossos dificuldades e preocupações e esquecemos totalmente da essência do que realmente é ser cristão. E a essência do cristianismo é o amor. Eu sempre costumo pensar, que eu continuo acreditando no ser humano, até porque Deus acredita em mim. E se Deus acredita em mim e continua confiando que eu posso me tornar uma pessoa melhor, por que não deveria acreditar no meu próximo? O problema é que às vezes, diversas situações, preconceitos, religiosidades e frescuras, as quais são enxertadas dentro das nossas vidas, as quais poderíamos chamar de fermento de Herodes, nos impedem de compreender, entender, ver, ouvir e nos lembrar de que devemos “morrer” para essas coisas para que Deus venha a viver em nos. Foi o que Paulo disse em 1 Coríntios, Capítulo 15, versículo 31, que nos diz que todos os dias Paulo enfrentava a morte para as tribulações, às pressões, à perseguição e a todos os problemas que apareciam:
Todos os dias enfrento a morte, irmãos; isso digo pelo orgulho que tenho de vocês em Cristo Jesus, nosso Senhor.
E foi dessa forma que Paulo conseguiu levar o amor de Cristo a todos as pessoas que estavam ao seu lado. É como a passagem que eu coloquei no início deste texto, que quando somos fracos é que somos fortes, pois quando admitimos as nossas fraquezas, morremos para esse mundo e passamos a viver pela força do Senhor Jesus.
Hoje (26/09) estive assistindo um filme chamado “Os últimos passos de um homem”:
Inspirado pela verdadeira história do relacionamento de uma freira com um condenado, esta provocativa análise de crime, punição e redenção deu a Susan Sarandon o Oscar® de Melhor Atriz de 1995 e a Sean Penn a indicação ao Oscar® de Melhor Ator. Os Últimos Passos de Um Homem é um filme "ágil e absorvente" com "suspense genuíno" (Variety), surpreendendo do início ao fim.
A Irmã Helen Prejean (Susan Sarandon), uma caridosa freira de New Orleans, é a conselheira espiritual de Matthew Poncelet (Penn), um assassino cruel, revoltado e complexo, que aguarda sua execução. A missão da irmã é ajudar a quem, como Matthew, precisa encontrar a salvação. Mas quando ela tenta navegar na sombria alma de Matthew, encontra uma densidade de maldade que a faz questionar até onde a redenção realmente pode ir. Ela conseguirá adiar a data fatal da execução o suficiente para ter tempo de salvar Matthew, ou acabará descobrindo uma verdade que abalará os próprios preceitos pelos quais norteia sua vida?
Nesse filme, em uma determinada parte, o assino comenta que foi necessário morrer para que pudesse encontrar o amor. O filme me ajudou a me lembrar de uma coisa muito simples, que a graça de Deus, independente de qualquer coisa, é tanto para assassinos, estupradores, assim como é para nos (Max Lucado em um dos seus livros chega até a dizer que para ele foi uma das coisas mais difíceis como cristão foi aceitar o fato de que um “comedor de crianças” que se converteu antes de ser entregue a morte, ter direito a mesma salvação que ele). Seja quem for, como muito bem dito pela freira no filme, merece o amor de Deus.
A questão é que Deus não faz acepção de pecados e quando a freira é questionada no filme em relação à pena de morte, baseado na idéia do olho por olho, dente por dente, ela lembra que a bíblia no antigo testamento também previa a morte para os adúlteros, ladrões e mentirosos. A questão é que vivemos pela Graça e por ser algo imerecido, independe de qualquer coisa que possamos fazer ou dar em troca.
No culto de ontem (25/09) o pastor Júnior esteve lendo uma passagem em João capítulo 8, versículo 44, ao Jesus ser questionado sobre quem Ele era e quem era o seu pai ele disse aos judeus que se Deus fosse o pai deles, eles o receberiam e terminou dizendo:
Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.
Independente de quem seja o “pai” das nossas vidas, temos que ter a certeza de uma coisa, o amor e a verdade de Deus pode nos libertar. Então que seja mais de Deus e menos de nos, para que possamos levar o amor de Deus a todas as pessoas que estão ao nosso redor. Uma coisa é certa, nem todo filho de peixe é peixinho e eu sou uma prova disso. Estive em caminhos errados, mas hoje vivo como filho de Deus e não mais como filho do diabo.
E que possamos viver o que foi escrito como princípio maior dos mandamentos, após a entrega dos 10 mandamentos em Deuteronômio 6, dos versículos 4 ao 9:
Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.
Depois de ver que algumas pessoas que levei para missão vida voltarem para rua, depois de tentar ajudar pessoas e perceber que elas não queriam ser ajudadas, pela lógica eu deveria desistir de ajudar pessoas. Porém, como Deus nunca desistiu de mim, não posso desistir de vidas. Até porque como nem todo peixe, é filho de peixinho, enquanto houver vida, haverá esperança. Por isso tentarei colocar o amor de Deus em todas as áreas da minha vida, para que possa continuar a minha jornada. Até onde irei eu não sei, mas só sei que continuarei...
PS: Ainda irei revisar o texto, então se houver algum erro ou algo a ser modificado, me informe.