quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Grito dos estigmatizados – Parte 1

A algum tempo tenho parado para pensar na dor que sentem as pessoas estigmatizadas. Segundo o dicionário uma pessoa estigmatizada é aquela que traz no corpo algum estigma (marca, sinal, cicatriz, entre outros) ou que é criticada, censurada ou acusada publicamente.
Mas por que então se preocupar com os estigmatizados? Simplesmente porque vivemos em uma sociedade, em que não somos mais conhecidos pelos nossos nomes, pelas nossas qualidades, mas sim pelos nossos estigmas. Temos dificuldade de lembrarmos o nome de uma pessoa, mas nos lembramos facilmente do fulano de tal que pagou o maior “mico” ou da cicrana de tal que caiu da escada. Somos a sociedade de diversos cicranos, cicranas, fulanos e fulanas. Não somos mais conhecidos pelo fato de sermos José, Maria ou João, mas sim por determinadas doenças que temos ou por fatos que nos levem a ser censurados ou criticados.
É muito comum censurarmos o fato de demorar algo em torno de 15 minutos para uma pessoa de cadeira de rodas entrar no ônibus. E eu principalmente quando estou atrasado para algo, sou um dos primeiros a censura-los. Mas a pergunta que me vem na cabeça é: que culpa um cadeirante tem do mecanismo durar tanto tempo para que ele possa pegar um ônibus? 
Há um tempo atrás eu fui procurar a pessoa que eu tinha emprestado a minha bíblia e a resposta que recebi prontamente foi que a irmã que caiu da escada estava com ela. Inocentemente eu decidi então perguntar o nome da irmã que caiu da escada e a resposta que obtive foi a de que era um absurdo eu não me lembrar da minha irmã que caiu da escada.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sou eu que vou pagar o pato?

Muitas coisas para compartilhar e nem sei por onde começar.  A algumas semanas marcamos um almoço a francesa. O resultado vocês já podem até imaginar. Mas para que vocês não fiquem apenas na imaginação vocês  ver o que  perderam nessa foto ao lado do texto (creiam que por mais que a foto tenha sida tirada por uma "profissional", não é uma foto publicitária, mas foi o que realmente foi servido no dia).
Um dos maiores motivadores dessa festa foi para que pudéssemos encontrar uma amiga que amamos e gostamos muito e que a muito tempo não víamos, Fernanda Rosa. Somado a isso pude mais uma vez ir na casa de Ivaneide e Luis, onde freqüentei a célula por muito tempo. Tive também a honra de ter como sub-chefe na cozinha Robson Brito (mesmo que ele não cumprisse nada do que eu falava para ele fazer – Rs). Tivemos também a presença de Marcela Passos, que honrou o nosso almoço, abdicando por um dia o fato de não comer carne, para se deliciar com o nosso prato principal. Contamos também com a presença de Camila e sua mãe, além de Vitória, uma irmã em Cristo que morou na França e pudemos conhecer um pouco mais. Pude também rever Priscila e Rafael, que a algum tempo eu não via. Nos unimos todos, pelo fato de termos alguma ligação com a França e com a cultura francesa.
Eu não queria demorar muito na introdução, mas não tive como. A questão é que após o almoço eu fui extremamente ministrado através da vida de Ivaneide. Eu acabei não organizando o almoço como deveria e acabei deixando tudo para cima da hora. Quando cheguei na Perini para comprar o pato, que seria o prato principal, me assustei com o preço: R$50,00 o quilo. Como não tinha outro jeito, comprei tudo. Como não organizei, resolvi então que eu deixaria o almoço por minha conta. Eis aí o motivo do título, já que realmente eu pensei: "Sou eu que vou pagar esse pato sozinho?". Depois desse dia eu entendi o verdadeiro significado da expressão "pagar o pato".
Durante o almoço, a frase que eu mais repeti é que deveríamos fazer outro almoço juntos, mas que deveríamos fazer algo mais barato, porque tinha saído muito caro as coisas que eu comprei (tenho que admitir que a minha intenção foi a de sensibilizar as pessoas para que me ajudassem a assumir o custo de tudo e nem preciso dizer que ficou chato para as pessoas o fato de toda hora eu repetir isso). Como eu não tinha definido como seria o almoço, quanto ficaria para cada um, eu sabia que não poderia cobrar nada de ninguém. Acabaram me ajudando depois e o saldo final ficou suportável para mim.
A questão é que eu recebi um e-mail de Ivaneide, que foi como se Deus estivesse falando comigo. Nesse e-mail foi me dito que eu deveria ter informado desde o primeiro contato, que iríamos cotizar os gastos. Ao receber esse e-mail, queimou dentro do meu coração a questão de que sempre quando deixamos de planejar algo, sempre pagamos um preço alto por isso. Essa mensagem foi ainda mais trazida ao meu coração em três situações diferentes.
A primeira confirmação dessa mensagem foi no culto de domingo. Fernando esteve pregando sobre a passagem de João 3, que fala de Nicodemos e de como ele precisava nascer de novo. Mesmo ele sendo um doutor da lei, Jesus ministrou sobre a vida dele, que se ele quisesse conhecer as coisas de Deus, ele deveria beber da água da vida, morrer para a natureza carnal dele, para que assim ele nascesse para as coisas do reino de Deus. Durante essa pregação, eu pude refletir, principalmente sobre como Deus tem um plano de usarmos a nossa capacidade, nossa inteligência para fazermos a vontade de Deus. Deus me deu uma capacidade grande de planejar e organizar as coisas, porém nem sempre eu a uso. Um bom exemplo foi o almoço, em que se eu tivesse organizado e planejado, eu teria evitado uma seria de acontecimentos, como stress, preocupação, manipulação, entre tantas outras coisas que aconteceram e que eu já pedi perdão a Deus.
A segunda ministração foi no Monday evening. Jon pregou sobre Genesis 25:24-31, sobre como Esaú trocou a sua primogenitura por um prato de lentilha. A questão é que provavelmente Esaú não valorizou a sua primogenitura e achou que seria mais importante matar a sua fome, do que possuir todas as bênçãos e riquezas, que possui como fruto de ter nascido antes do seu irmão. A principal questão que me marcou é que Esaú em Genesis 27, acusa Jacó de retirar a sua primogenitura e por o ter engando. A questão é que foi Esaú que escolheu isso. Muitas vezes em nossas vidas, acabamos não valorizando o que possuímos e acabamos não levando a sério as consequências que as nossas decisões podem gerar. O fato de Esaú não ter se planejado sobre qual seria o seu alimento, fez com que ele pagasse o preço de perder toda a sua riqueza. E o que coube a Esaú receber? Genesis 27:36 a 40 nos diz o preço da sua decisão, o fato de ficar longe dos lugares férteis, servir o seu irmão e viver da espada:
Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó, visto que já por duas vezes me enganou? tirou-me o direito de primogenitura, e eis que agora me tirou a bênção. E perguntou: Não reservaste uma bênção para mim? Respondeu Isaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido. Que, pois, poderei eu fazer por ti, meu filho? Disse Esaú a seu pai: Porventura tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a voz, e chorou. Respondeu-lhe Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, longe do orvalho do alto céu; pela tua espada viverás, e a teu irmão, serviras; mas quando te tornares impaciente, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço.
A terceira coisa que me edificou é que depois de ouvir tanto a Deus através de todas essas situações, eu pude refletir, como Deus me permitiu ficar um pouco “parado” para que eu pudesse me planejar e me preparar para as coisas que estão por vir. Não organizei o almoço e pagueii um alto preço por isso (até me disseram que eu se eu tivesse me organizado, eu poderia ter ido na lagoa da Unijorge pegar os patos de lá que seria mais barato). Poderia ter pesquisado possibilidades e até mesmo ter balanceado os gastos fazendo um segundo prato mais barato. Na vida não posso deixar que isso se repita, pois talvez não tenha amigos e irmãos que me ajudem a dividir a conta. Além do que nem sempre podemos mudar o preço de uma escolha ou de uma decisão que tomamos. Não quero perder o que Deus tem para mim, assim como Esaú perdeu.
E o que farei? Deixarei que eu pague o pato sozinho? Jamais. Permitirei então que Deus me ajude a me preparar e me capacitar para todos os desafios e projetos que virão pela frente na minha vida.
PS: Caso o texto tenha ficado confuso, me ajude a esclarecer qualquer coisa ou pensamento, me mandando um e-mail com sugestões.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Filho de peixe, peixinho é?

É interessante que tudo ao nosso redor nos faz querer acreditar que ser fraco e demonstrar fraqueza é algo para perdedores e fracassados. Porém, a bíblia nos mostra que quando demonstramos a nossa fraqueza, o poder de Cristo se aperfeiçoa em nossas vidas. Isso me fez lembrar da passagem de 2 Coríntios capítulo 12 dos versículos 9 a 10: 
A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.
Às vezes eu me sinto como um estranho na terra de desconhecidos e simplesmente não sei o que fazer, nem o que dizer. Nessa última semana passei por situações bem atípicas. Tentarei então expressar cada situação e o que cada uma me fez refletir.
Na primeira delas eu acabei ficando com um travesti na minha frente em uma fila do banco. Pode até parecer uma situação normal, mas naquele momento em minha mente eu orava para que o Senhor me ajudasse a exalar amor, ao invés de desprezo. Eu sinceramente não sabia o que fazer e me senti com as minhas mãos atadas. Decidi então fazer a única coisa que eu me sentia capaz naquele momento, decidi orar pela vida daquela pessoa.
A segunda situação foi a de ver um homem cego, que estava para através a pista em frente ao relógio de são Pedro. Para quem conhece aquela região sabe a dificuldade que é tanto para quem dirige, quanto para quem anda por ali. Decidi então auxiliá-lo a atravessar a rua. Ao chegar ao outro lado, ele me perguntou se estávamos em frente a Rua do cabeça. Eu disse a ele que não conhecia essa rua e tentei imaginar alguma forma que pudesse dizer onde nos estávamos. Impensadamente eu disse o nome da loja que estava na nossa frente (como se ele pudesse ver o que estava a sua frente) e para meu espanto ele sabia onde era e disse que iria para a rua Carlos Gomes e como já tinha passado a rua do cabeça, que iria cruzar a próxima a esquerda. Eu acabei dizendo para ele um: “Então tá bom” e me despedi e fiquei com aquela sensação de que poderia ter dedicado um pouco mais de tempo a aquele homem.
A terceira situação foi mais uma vez no banco (eu pude lembrar o quanto eu aprendi indo ao banco todos os dias durante uns 2 anos da minha vida), onde enquanto eu estava na fila, eu avistei uma pessoa com síndrome de dawn. Fora pelo rosto dele, que deixava claro a sua suposta “deficiência”, nada mais revelava a sua “doença”. Ao olhar para aquele homem, o meu olhar começou a ficar vago e sinceramente na sei dizer se eu o olhei com olhar de pena, indiferença ou se utilizei o meu olhar de desprezo ou superioridade. O fato é que de repente eu me lembrei que eu deveria olhar com os olhos de amor e não com os olhos de razão ou com os olhos de comparação. Pude então pedir perdão a Deus.
Por fim, no domingo eu tive um bom momento com Ana e Adriano e pude testemunhar para eles sobre como Deus mudou muitas coisas em minha vida e sobre como eu preciso tomar cuidado com as minhas brincadeiras e com que eu digo, até para que não venha a ferir pessoas como eu já fiz na minha vida. Pude então lembrar que é uma escolha nossa gerar morte ou vida.
Por isso que acredito que temos que nos livrar desse fermento de Herodes como Jesus nos advertiu em Marcos capítulo 8, versículos 15 a 18:
E Jesus ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. Pelo que eles arrazoavam entre si porque não tinham pão. E Jesus, percebendo isso, disse-lhes: Por que arrazoais por não terdes pão? não compreendeis ainda, nem entendeis? tendes o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais?
As vezes somos cegos por nossos dificuldades e preocupações e esquecemos totalmente da essência do que realmente é ser cristão. E a essência do cristianismo é o amor. Eu sempre costumo pensar, que eu continuo acreditando no ser humano, até porque Deus acredita em mim. E se Deus acredita em mim e continua confiando que eu posso me tornar uma pessoa melhor, por que não deveria acreditar no meu próximo? O problema é que às vezes, diversas situações, preconceitos, religiosidades e frescuras, as quais são enxertadas dentro das nossas vidas, as quais poderíamos chamar de fermento de Herodes, nos impedem de compreender, entender, ver, ouvir e nos lembrar de que devemos “morrer” para essas coisas para que Deus venha a viver em nos. Foi o que Paulo disse em 1 Coríntios, Capítulo 15, versículo 31, que nos diz que todos os dias Paulo enfrentava a morte para as tribulações, às pressões, à perseguição e a todos os problemas que apareciam:
Todos os dias enfrento a morte, irmãos; isso digo pelo orgulho que tenho de vocês em Cristo Jesus, nosso Senhor.
E foi dessa forma que Paulo conseguiu levar o amor de Cristo a todos as pessoas que estavam ao seu lado. É como a passagem que eu coloquei no início deste texto, que quando somos fracos é que somos fortes, pois quando admitimos as nossas fraquezas, morremos para esse mundo e passamos a viver pela força do Senhor Jesus.
Hoje (26/09) estive assistindo um filme chamado “Os últimos passos de um homem”:
Inspirado pela verdadeira história do relacionamento de uma freira com um condenado, esta provocativa análise de crime, punição e redenção deu a Susan Sarandon o Oscar® de Melhor Atriz de 1995 e a Sean Penn a indicação ao Oscar® de Melhor Ator. Os Últimos Passos de Um Homem é um filme "ágil e absorvente" com "suspense genuíno" (Variety), surpreendendo do início ao fim.
A Irmã Helen Prejean (Susan Sarandon), uma caridosa freira de New Orleans, é a conselheira espiritual de Matthew Poncelet (Penn), um assassino cruel, revoltado e complexo, que aguarda sua execução. A missão da irmã é ajudar a quem, como Matthew, precisa encontrar a salvação. Mas quando ela tenta navegar na sombria alma de Matthew, encontra uma densidade de maldade que a faz questionar até onde a redenção realmente pode ir. Ela conseguirá adiar a data fatal da execução o suficiente para ter tempo de salvar Matthew, ou acabará descobrindo uma verdade que abalará os próprios preceitos pelos quais norteia sua vida?
Nesse filme, em uma determinada parte, o assino comenta que foi necessário morrer para que pudesse encontrar o amor. O filme me ajudou a me lembrar de uma coisa muito simples, que a graça de Deus, independente de qualquer coisa, é tanto para assassinos, estupradores, assim como é para nos (Max Lucado em um dos seus livros chega até a dizer que para ele foi uma das coisas mais difíceis como cristão foi aceitar o fato de que um “comedor de crianças” que se converteu antes de ser entregue a morte, ter direito a mesma salvação que ele). Seja quem for, como muito bem dito pela freira no filme, merece o amor de Deus.
A questão é que Deus não faz acepção de pecados e quando a freira é questionada no filme em relação à pena de morte, baseado na idéia do olho por olho, dente por dente, ela lembra que a bíblia no antigo testamento também previa a morte para os adúlteros, ladrões e mentirosos. A questão é que vivemos pela Graça e por ser algo imerecido, independe de qualquer coisa que possamos fazer ou dar em troca.
No culto de ontem (25/09) o pastor Júnior esteve lendo uma passagem em João capítulo 8, versículo 44, ao Jesus ser questionado sobre quem Ele era e quem era o seu pai ele disse aos judeus que se Deus fosse o pai deles, eles o receberiam e terminou dizendo:
Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.
Independente de quem seja o “pai” das nossas vidas, temos que ter a certeza de uma coisa, o amor e a verdade de Deus pode nos libertar. Então que seja mais de Deus e menos de nos, para que possamos levar o amor de Deus a todas as pessoas que estão ao nosso redor. Uma coisa é certa, nem todo filho de peixe é peixinho e eu sou uma prova disso. Estive em caminhos errados, mas hoje vivo como filho de Deus e não mais como filho do diabo.
E que possamos viver o que foi escrito como princípio maior dos mandamentos, após a entrega dos 10 mandamentos em Deuteronômio 6, dos versículos 4 ao 9:
Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.  Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.  Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.
Depois de ver que algumas pessoas que levei para missão vida voltarem para rua, depois de tentar ajudar pessoas e perceber que elas não queriam ser ajudadas, pela lógica eu deveria desistir de ajudar pessoas. Porém, como Deus nunca desistiu de mim, não posso desistir de vidas. Até porque como nem todo peixe, é filho de peixinho, enquanto houver vida, haverá esperança. Por isso tentarei colocar o amor de Deus em todas as áreas da minha vida, para que possa continuar a minha jornada. Até onde irei eu não sei, mas só sei que continuarei...
PS: Ainda irei revisar o texto, então se houver algum erro ou algo a ser modificado, me informe.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

"Ema, ema, ema, cada um com os seus problemas"

Nessas últimas semanas as palavras do profeta Ageu têm ecoado em meu coração. Ageu foi um profeta de Judá, que por determinação do Rei Ciro, voltou do exílio Persa, para reconstruir o templo de Jerusalém. No capítulo 4 do livro de Esdras vemos que essa reconstrução, por interferência do povo de Samaria (os samaritanos) e por uma determinação do Rei Artaxerxes acabou parando, logo após os pilares terem sido finalizados. Após 17 anos do inicio da reconstrução, surge as palavras de Ageu. No capítulo 1, dos versículos 1 a 10, o livro de Ageu fala:
“No segundo ano do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, o governador, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo: Assim fala o Senhor dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada. Veio, pois a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas (NVI – casas de fino acabamento), enquanto esta casa fica deserta (NVI – destruída)? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerais os vossos caminhos. Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vesti-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.”
E por que está passagem tem ecoado no meu coração? Primeiramente porque estamos em um momento de “construção” e em segundo lugar porque acredito que estou habitando em uma “casa de fino acabamento” enquanto o templo está abandonado/destruído.
Depois de tanto tempo e de tantas dificuldades e problemas, eu imagino que o lema do povo virou: “ema, ema, ema, cada um com os seus problemas”. Eu creio que cada um se voltou para os seus interesses pessoais. Todos tiraram um foco em comum, de construir o templo e passaram a se preocupar apenas nas suas necessidades pessoais. O problema é que essa escolha gerou efeitos negativos. É o que nos vemos no versículo 6 do capítulo 1 de Ageu, em que a palavra nos diz que como fruto da desobediência, o povo plantava e não colhia; como fruto da inutilidade das atividades do povo, o povo bebia, mas não se satisfazia; e como fruto da “inflação”, o povo depositada o seu salário em bolsas furadas.
Talvez, assim como os judeus, muitos de nos talvez achássemos que ainda não é o momento de mudarmos, que talvez devêssemos esperar um pouco mais, se preparar mais. A questão é que muitas vezes somos chamados para um tempo de construção, enquanto preferíamos ficar na “zona de conforto” das nossas vidas.
Dando continuidade ao livro de Ageu, no capítulo 2, dos versículos 1 a 9, a palavra de Deus nos diz que:
“No sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e ao restante do povo dizendo: Quem há entre vós que, tendo ficando, viu esta casa na sua primeira glória (VI – esplendor)? E como a vedes agora? Não é esta como nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela? Ora, pois, esforça-te (NVI- coragem) Zorobabel, diz o Senhor, e esforça-te (NVI- coragem), Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te (NVI- coragem)  todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos. Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca (NVI – continente); E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos. Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos.”
Essa passagem teve como objetivo animar, motivar o povo a continuar com a obra. Além de levar o povo a enxergar o novo tempo que estava por vir, trazendo ainda promessas das bênçãos que viriam como fruto da decisão de construir.
Pelo período descrito na passagem do sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, verificamos através de estudos, que as palavras foram proferidas após a Festa das Cabanas. A Festa das Cabanas era uma festa judaica que durava 7 dias, em que o povo comemorava a colheita do verão. Por menor que tivesse sido a colheita, o povo devia continuar construindo. A questão é que o livro de Ageu no capítulo 1, versículo 11, nos descreve que a atitude do povo acabou gerando conseqüências negativas sobre a colheita:
“E mandei vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre o gado, e sobre todo o trabalho das mãos.”
Dessa forma podemos chegar a conclusão que a colheita tinha sido bem aquém, das necessidades de um tempo de construção e com certeza isso seria um impedimento para que o povo construísse. Mas em relação a nossas vidas, o que nos impediria de construirmos? Eu sinceramente não saberia responder, mas em relação a mim, eu poderia dizer que a minha falta de fé e a minha racionalidade excessiva provavelmente seriam grandes interferências, além da falta de recursos é claro.
Voltando ao que eu falei inicialmente, como eu estou morando em uma casa de fino acabamento? Recentemente eu estive pensando em quantas pessoas foram necessárias para eu morar em meu apartamento junto com a minha esposa. No mínimo foram necessários: um engenheiro, um arquiteto, um pedreiro, um pintor, uma pessoa para a parte hidráulica, uma pessoa para colocar o piso, entre outros, para que eu e minha esposa pudéssemos desfrutar do conforto da nossa casa. É muita gente para poucas desfrutarem.
No livro lealdade e deslealdade, o autor traz um ditado de Gana, que diz que os macacos trabalham e os babuínos se alimentam. Acho que é bem obvio, mas esse provérbio traz a velha idéia que já sabemos que muitos trabalham, enquanto poucos se beneficiam. Sinceramente tenho que confessar a vocês, que eu não tenho me doado como eu deveria. Eu tenho mais me beneficiado do que ajudado.
Essa passagem de Ageu me tocou profundamente porque eu passei a ter consciência de que eu devo colaborar mais e mais nesse novo tempo. É muito difícil ouvir, ver e entender essa realidade. Só Deus sabe como eu me entristeci quando lidei com esse fato. A questão é que essa realidade não é só para mim, mas é para todos nos. É claro que cada um vai ajudar de uma forma diferente. Alguns irão doar o seu trabalho físico, outros irão colaborar financeiramente, alguns irão conseguir coisas para este templo, outros irão conseguir meios de arrecadar fundos, outros irão usar a sua influência para nos ajudar a resolvermos eventuais problemas e necessidades, outros irão orar incessantemente, entre tantas outras coisas, mas todos deverão participar deste novo tempo.
É tempo de construir e eu quero fazer parte deste novo tempo. E você?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura?

Ontem (31/08) passei por uma situação que me fez refletir bastante. Eu e Lorena (minha esposa) fomos assistir um filme, sob o pretexto de comemorarmos o dia da nutricionista. Depois de um bom tempo ela me disse que não estava se sentindo bem e me pediu para sairmos da sala de cinema. Ao sairmos ela me falou que já tinha algum tempo que estava se sentindo enjoada e que estava esperando para ver se melhorava. Acabamos então voltando para casa.
Pode até parecer uma situação comum e até normal do nosso dia, mas através dessa situação eu pude perceber sobre como as vezes tentamos vencer as nossas adversidades com as nossas próprias forças ou tentamos dar um tempo para ver se as coisas melhoram.
 Isso me fez lembrar de um tempo atrás, quando eu estava sentindo um grande desconforto no lado da minha barriga. Achei que devia ser uma “frescura” minha e decidi ir para faculdade mesmo sentindo uma grande dor. Ao chegar na sala a professora estava atrasada e a cada momento que passava a dor aumentava. Quando a  professora chegou eu só tive tempo de dizer que ia para casa pois estava com muita dor. No caminho enquanto estava dirigindo, ao parar em um sinal vermelho, só tive o tempo suficiente para abaixar a cabeça e vomitar (posteriormente eu descobri que estava com pedra no rim e louvado seja Deus que o cheiro de vôtimo conseguiu sair do meu carro). A pergunta que me veio ontem na cabeça é se vale a pena “forçar a barra” em situações como essa? Hoje em dia eu tenho a convicção que não vale a pena.
A palavra de Deus nos ensina no capítulo 4 de Filipenses nos versículos 6 e 7 que não devemos estar inquietos por coisa alguma, mas de que devemos apresentar os nossos pedidos a Deus e que se fizermos isso, a Paz de Deus guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus. Paulo nessa passagem busca nos ensinar que qualquer coisa que nos aflija, nos devemos colocar diante do “altar” de Deus (o que equivale a apresentar a Deus como um pedido, oração ou ação de graça). Eu tenho um pouco de dificuldade nisso, pois sempre tento resolver as coisas primeiramente com as minhas próprias forças e se não conseguir resolver, aí sim, eu busco auxilio em Deus.
Devemos aprender que em qualquer situação, principalmente nas situações que achamos que podemos resolver sozinhos, devemos buscar a ajuda de Deus. Eu escolhi como título o provérbio popular que diz “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” porque esse provérbio não deve se tornar uma verdade em nossas vidas. Dentro de um padrão de “normalidade” vemos ao nosso redor que pessoas caem por pequenas situações que acabam se repetindo. Me veio a cabeça muitas história de homens e mulheres de Deus que se permitiram “cair” por coisas tão pequenas e que foram frutos de pequenas “ciladas” que se transformar em grandes "roubadas".
Temos que estarmos firmados na Rocha que é Jesus e não na força dos nossos braços. A mesma Rocha que Davi fala no capítulo 62 do livro de Salmos. A Rocha em que podemos depositar a nossa esperança, onde nada pode abalar, onde sempre podemos nos refugiar. A Rocha que nenhuma “água mole” pode furar. Nessa manhã de hoje decidi parar de “brincar”. Decidi parar de resolver a minha “parada” com o que tenho em mãos. Decidi buscar o auxílio de Deus em toda e qualquer situação. PARA EU NÃO ESQUECER VOU REPETIR, QUE BUSCAREI O AUXÍLIO DE DEUS EM TODA E QUALQUER SITUAÇÃO. É exatamente quando reconhecemos isso é que Deus passa a trabalhar em nossas vidas e Paulo nos ensina isso muito bem na 2 carta a igreja de Coríntios no capítulo 12 dos versículos 9 e 10:
“Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.”
Quando admito que sou fraco é que me torno forte, pois Deus passa a me fortalecer, quando lido seriamente com as minhas fraquezas e uso elas para que Deus cresça em minha vida. Decidi hoje de manhã a mudar o meu comportamento. Percebi que a “água mole” estava começando a me incomodar e percebi que não tenho mais tempo para ficar de “mole”.
JESUS ESTÁ AS PORTAS E PRECISAMOS NOS PERMITIRMOS SERMOS AGENTES DA MANIFESTAÇÃO DAS OBRAS/GLÓRIA DE DEUS.
Não quero mais ficar de bobeira e você?