sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Quando a sorte não é lançada



Foto ilustrativa

Ontem quando sai de um hospital, logo após comprar um lanche para comer e agradecer ao vendedor recebi como resposta o desejo de boa sorte. Consigo imaginar o porquê ele me desejou boa sorte, até porque ninguém vai ao hospital por um motivo bom, principalmente se tratando de uma emergência de hospital público. Em minha cabeça a única coisa que eu conseguia pensar ao sair dali é que a sorte nem havia sido lançada, para me preocupar se a sorte seria boa ou ruim e tentarei nesse texto lhes explicar o porquê cheguei a esta conclusão.

Há mais ou menos uma semana, um morador de rua fez da fachada da nossa igreja, sua casa. Tentamos ajudá-lo, oferecendo levá-lo a um local que lida com moradores de rua, o que não foi aceito e deixamos claro que não o expulsaríamos dali, mas que não podíamos aceitar a situação em que ele estava vivendo. Da mesma forma que eu prezo pela minha dignidade entendo que devemos prezar pela dignidade do nosso próximo (acredito no princípio ensinado por Jesus que devemos fazer ao nosso próximo aquilo que gostaríamos que fosse feito por nos). Durante esse tempo ele foi alimentado e tentamos fazer o nosso melhor em relação a ele (não acredito que fizemos tudo o que poderíamos fazer, mas tentamos dar o nosso melhor), seja conversando, levando amor e até respeito. Passado alguns dias, esse senhor que não estava conseguindo andar mais passou a ficar deitado, imóvel, com uma baba na sua boca, que provavelmente era algo que havia vomitado. Víamos que ele estava respirando e por responder ao toque víamos que ele estava vivo, mas que a morte já estava batendo na porta dele.

Tentamos então procurar algum órgão que pudesse ajudá-lo. Como a maioria dos órgãos, até pela internação compulsória ser algo proibido na Bahia, depende do consentimento da pessoa, todos afirmaram que não poderiam fazer nada por ele. Ligamos para SAMU, mas por se tratar de um morador de rua, negaram atendimento ao mesmo. Ficamos sem chão, e o sentimento de não poder fazer nada nos trazia uma frustração muito grande. Decidimos então colocá-lo dentro de um carro e tentar levá-lo a algum hospital, mas graças a uma orientação de um socorrista, conseguimos fazer com que a SAMU fosse socorrê-lo. Liguei então para um centro que lida com moradores de rua para pedir orientação de como deveríamos proceder e me informaram que devido ao fato dele não ter carteira de identidade, que os hospitais não o receberiam para atendimento e que eu deveria me preparar para uma verdadeira batalha para conseguir que ele fosse atendido.
Por um toque divino, “José” (foi esse o nome que ele nos disse) foi atendido e do mesmo jeito que foi retirado da rua, continuou na ambulância e no hospital, sem se mexer, sem falar e apenas respirando, como um morto vivo e por uma ajuda de uma médica que estava no plantão e que também era socorrista, o mesmo foi prontamente medicado.

É claro que sempre existem pedras no meio do caminho, mas não acredito que pisarmos ou deixarmos de pisar em uma ou outra pedra é uma questão de sorte, mas sim uma questão de escolha. Como o médico bem disse, o problema dele não era só o problema aparente, mas o seu problema maior era o fato de estar se matando e se degradando a muito tempo. Todos o que sentiam o seu cheiro e viam o seu estado perguntavam se ele ainda estava vivo e acredito que alguns pensavam que melhor seria que ele fosse jogado em algum canto para morrer logo, dando espaço para que outra pessoa pudesse ser atendida.

A minha abordagem com moradores de rua é sempre a mesma, sempre digo que nasci em berço de ouro e vivo em berço de ouro e que seria hipocrisia minha dizer que entendo e sei o que as pessoas que moram na rua sentem. Mas, uma coisa eu sei, pagamos o preço das nossas escolhas e isso não tem a ver com sorte e azar. O ponto central é que independente da escolha que fazemos, independente de sermos orgulhosos e não nos permitirmos sermos ajudados, sempre teremos direito a mais uma chance, até porque enquanto estivermos vivos, ainda haverá esperança e esperança traz consigo a possibilidade de mudar.

Continua então ecoando em minha mente, que mesmo que a sorte não seja lançada, mesmo que exista um preço a se pagar por cada escolha de fizermos, existe algo que poderá mudar o nosso rumo, história e destino. Essa algo chama-se amor e para você que ainda não sabe a palavra de Deus nos ensina que Deus é amor (1 Jo 4:16), então se quiser saber o que é amor permaneça em Deus e ele irá permanecer em você.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Quem anda com porcos, farelo come



Quem anda com porco, farelo come.

Ontem estive na sala de emergência de um hospital por causa de uma febre que já durava pelo terceiro dia. Durante o tempo que estive aguardando pude ver algumas situações que me chamaram bastante a atenção. Vi pessoas gritando, pessoas cobrando a todo o momento as atendentes, pessoas dizendo até que iriam processar o hospital e tudo pelo mesmo motivo: desespero. Eu bem sei o que é isso, pois há um bom tempo atrás ao ir para a emergência do Hospital da Bahia e por saber que ir para emergência é sinônimo de esperar muito tempo, decidi transparecer o máximo possível que realmente estava muito mal (fiz uma ceninha). Ao final da opera descobri que realmente era algo grave, constataram que estava com pedra no rim, mas diante de tantos relatos utilizei uma estratégia para adiantar o meu atendimento, já que não me agüentava mais de dor.

O fato é que o desespero nos faz tomar atitudes impensadas. O desespero nos faz muitas vezes agirmos fora dos princípios que seguimos e acreditamos e em alguns casos nos faz até perder o nosso caráter. 

Recentemente houve um acidente grave em Lauro de Freitas (http://atarde.uol.com.br/bahia/materias/1479705) e não há como Não há como negar que a atitude do motorista foi pelo desespero, pois se ele pensasse ou conseguisse racionar naquele momento, talvez ele tivesse uma atitude diferente. É claro que o desespero não pode servir como desculpa e muito menos como atenuante dos nossos erros, a questão é que sempre que agimos com desespero temos atitudes negativas ou reprováveis. A linha entre um ato desesperado e entre a perda do caratér é muito tênue e algo muito perigoso, pois muitas vezes, o caminho da perda do caratér não tem volta.

Tudo isso me fez lembrar de Sansão. Um homem, escolhido por Deus para libertador seu povo, uma pessoa separada, um Juiz (em um tempo que não havia governadores, nem reis). Um homem com muito carisma, força, sabedoria e poder, mas que nos momentos em que mais precisava não teve caráter. Vemos em sua história, que casou-se com uma estrangeira, algo que era reprovado pelo seu povo, se envolveu com prostitutas e sucumbiu diante da pressão de uma mulher. A vida de Sansão nos serve como alerta e me faz lembrar o que é dito sobre um Rei chamado Jéu:
E o Senhor disse a Jeú: "Como você executou corretamente o que eu aprovo, fazendo com a família de Acabe tudo o que eu queria, seus descendentes ocuparão o trono de Israel até a quarta geração". Entretanto, Jeú não se preocupou em obedecer de todo o coração à lei do Senhor, Deus de Israel, nem se afastou dos pecados que Jeroboão levou Israel a cometer. (2 Reis 10:30-31)

Salomão soube nos ensinar muito bem que devemos evitar agir no desespero, que devemos agir de maneira equilibrada, tanto através da nossa fé, quanto da nossa razão:
Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida. Afaste da sua boca as palavras perversas; fique longe dos seus lábios a maldade. Olhe sempre para a frente, mantenha o olhar fixo no que está adiante de você. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade. (Provérbios 4:23-27)

Isso serve de alerta tanto para mim, quanto para você que lê essas linhas, pois às vezes não queremos aceitar que toda ação gera uma reação e que querendo ou não sempre colhemos as conseqüências dos nossos atos. Uma coisa eu sei, o nosso caratér é algo que vem de Deus e quando o perdermos, perdemos também a nossa razão. Isso aconteceu com Sansão que confiou demais em si e esqueceu que o Senhor era a sua força:
Então ela chamou: "Sansão, os filisteus o estão atacando! " Ele acordou do sono e pensou: "Sairei como antes e me livrarei". Mas não sabia que o Senhor o tinha deixado. Os filisteus o prenderam, furaram os seus olhos e o levaram para Gaza. Prenderam-no com algemas de bronze, e o puseram a girar um moinho na prisão. (Juízes 16:20-21)

É como diz o povo, quem anda com porcos, farelo come, andemos então com o Senhor, negando a nos mesmos, tomando a nossa cruz diariamente e o seguindo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Quando um pequeno caco de vidro ministra sobre minha vida



Um recente novo acidente domestico me fez fazer uma grande reflexões sobre as atitudes e escolhas que faço no meu dia a dia. A alguns dias atrás, ao colocar o prato em um local não muito seguro, o mesmo acabou caindo no chão e se estilhaçando. A minha atitude foi prontamente a de limpar o chão, para evitar situações inesperadas. Infelizmente acabei machucando um pedaço do meu dedo do pé e da mão, mas ao terminar, orgulhoso de mim mesmo disse que não havia mais nenhum caco do vidro, que não havia mais com o que se preocupar.

Ao Lorena entrar na cozinha, a primeira coisa que ela viu foi um pequeno caco de vidro, o qual eu quis minimizar dizendo que sempre haverão cacos e que nunca se conseguirá limpar tudo. O problema é que essa afirmação me soou como uma desculpa, como um orgulho, em não aceitar que eu havia deixado algo pelo caminho, que eu não tinha feito o serviço completo.

O interessante é que quando estava lendo a bíblia a passar pelo seguinte trecho o meu coração começou a ferver, no sentido de que havia algo que eu ou precisava aprender ou precisava admitir:
Vendo os irmãos de José que seu pai havia morrido, disseram: "E se José guardar rancor contra nós e resolver retribuir todo o mal que lhe causamos? " Então mandaram um recado a José, dizendo: "Antes de morrer, teu pai nos ordenou que te disséssemos o seguinte: ‘Peço-lhe que perdoe os erros e pecados de seus irmãos que o trataram com tanta maldade! ’ Agora, pois, perdoa os pecados dos servos do Deus do teu pai". Quando recebeu o recado, José chorou. (Genesis 50:15-17)

Essa passagem fala sobre como os irmãos de José, que o haviam jogado em uma cova e lhe venderam como escravo tiveram medo de que José se vingasse deles. A atitude deles foi mentir, para evitar qualquer mal. A reação de José, seja por saber que aquilo era uma mentira ou por não ter sido claro no sentido de que já os havia perdoado foi a de chorar, de se lamentar.

José teria motivos para se vingar, mas quando lemos sua história, durante um tempo ele não se revelou e inclusive pegou “pesado” com seus irmãos, mas não conseguindo mais se conter, a bíblia relata a passagem que diz:
"Cheguem mais perto", disse José a seus irmãos. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: "Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito! Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês. (Gênesis 45:4-5)

Houve uma grande revelação e desta revelação foi dito que havia um propósito maior em tudo o que acontecerá e que Deus estava no controle de tudo e ao se despedir dos seus irmãos a bíblia diz que José fez uma advertência a seus irmãos:
Depois despediu-se dos seus irmãos e, ao partirem, disse-lhes: "Não briguem pelo caminho! " (Gênesis 45:24)

José foi claro ao dizer que Deus se manifestou através da sua vida, para que seu sonho se cumpri-se, José foi cuidadoso ao pedir que seus irmãos não brigassem ou se acusassem pelo que havia acontecido no passado, mas José não foi claro o bastante sobre o que era mais importante de se fazer: dizer que havia perdoado seus irmãos.

Por isso a situação que passei me fez refletir, pois às vezes usamos desculpas para dizer que sempre ficam pequenos cacos de vidro pelo nosso caminho, que nunca é possível de se limpar todos os cacos que estão no chão, ou seja, que nunca é possível fazer tudo o que deveria ter sido feito. Uma verdade é que há como se fazer tudo o que se deve fazer e a formula é muito simples: basta fazer.

A questão que me intrigou é que às vezes “pequenos cacos de vidro” deixados em nosso passado aparecem para nos fazer chorar ou se lamentar e Deus me falou algo muito profundo em relação a isso. Ele me falou que o que passou, passou; que o que vai acontecer amanhã, cabe a Deus; mas a mim cabe viver e atuar no presente. 

Isso significa que, não devo deixar para amanhã o que deveria fazer hoje e que muitos menos devo deixar para lá o que deveria ter feito ontem, isso para que no futuro não possa permitir; que situações em que não fui claro em dizer que estava errado; não ter pedido perdão quando deveria, não ter dado um abraço ou ter dado apoio quando devia; ter escondido e maquiado situações, em que deveria ser verdadeiro; não possam me atormentar no futuro; mas sim possa me orgulhar; que um dia Deus usou pequenos cacos de vidro para me ensinar algo muito simples e poderoso: que quando tiver algo para fazer, que eu devo fazer.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quando a glória de homens é mais importante do que a glória de Deus

Há quase três anos atrás, quando eu decidi casar, eu também decidi me despedir da vida de solteiro com estilo. Então tive a idéia de ir fazer uma trilha de 7 dias em Machu Picu e me “destruir”. Na minha cabeça para mim seria uma obrigação fazer alguma loucura, que eu imaginava que não poderia fazer depois de casado. Para minha surpresa, Lorena veio me dizer que queria fazer essa viagem comigo. Em minha mente só vinha a pergunta: Será que ela não entendeu que eu quero ir sozinho? Na verdade verdadeira, eu queria ir sozinho, porque eu não queria me preocupar com ninguém, além de mim mesmo.

Foi muito forte e intenso como Deus resolveu usar aquela situação para me ensinar alguém extremamente útil e importante para o meu casamento: O fato de que eu não podia fazer escolhas por Lorena e como ela decidiu andar comigo, ela decidiu caminhar ao meu lado em toda e qualquer situação. Que não adiantava eu querer me tornar um só com ela, sendo que na verdade eu só estava preocupado comigo mesmo. A questão é que eu simplesmente me permiti ser cego, me permiti não olhar além do final do túnel em que minhas decisões estavam me levando.

Infelizmente eu até hoje ainda falo e faço muitas coisas das quais me arrependo, mas em todas essas situações eu consigo perceber que sempre que só em preocupo comigo mesmo ou quando apenas me permito ver as coisas sob os meus olhos, sob a minha perspectiva, eu sempre “quebro minha cara”.

A algumas semanas, quando eu estava lendo a bíblia, acabei me lembrando dessa situação e de como as vezes acabo olhando as coisas da maneira que eu quero:
Disse-lhes então Jesus: "Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo.
Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz". Terminando de falar, Jesus saiu e ocultou-se deles.
Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais miraculosos, não creram nele.
Isso aconteceu para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse: "Senhor, quem creu em nossa mensagem, e a quem foi revelado o braço do Senhor? "
Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar:
"Cegou os seus olhos e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure".
Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele.
Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga;
pois preferiam a aprovação dos homens do que a aprovação de Deus. (João 12:35-43)

Essa passagem ocorre logo depois da entrada de Jesus em Jerusalem, onde se cumpriria o ministério de Jesus. Antes disso Jesus já tinha transformado água em vinho (João 2), , havia curado pessoas a beira da morte (João4), paralíticos (João 5), cegos (João 9), ressucitado mortos (João 11), já havia multiplicado os pães, já havia andado sobre as águas e operado muitos outros sinais.

No inicio dessa passagem (vs. 36-36), vemos que Jesus usa uma palavra para falar com o povo. Ele fala sobre luz e trevas. Ele usa a ideia que devemos andar na luz, pois se andarmos nas trevas, não saberemos para onde estamos indo. Obviamente a luz é Jesus e as trevas são a vida sem Jesus, a vida no pecado. Quando decidimos viver sem Jesus em nossas vidas é como se caminhássemos sem saber para onde estamos indo.

A passagem continua falando, no versículo 37, que mesmo diante de tantos sinais e milagres, não creram nEle. E porque não creram nEle? Para que se cumprisse o que Isaias havia profetizado no ano 712 a.c., como está escrito no capítulo 53 de Isaias. Isaias já havia profetizado que as pessoas não creriam no Messias, que ele seria rejeitado e desprezado.

Isso porque como Deus havia falado com Isaias, o povo não queriam ouvir, ver e entender as coisas de Deus. É interessante que essa mesma passagem é dita no capítulo 13 de Mateus, quando perguntam a Jesus, sobre o porque dEle falar em parábolas. Não creram simplesmente, pois tiveram o seus corações endurecidos e os seus ouvidos tapados.

Nossa passagem começa a terminar, quando João nos fala que os fariseus, muitos não acreditaram em Deus, pois tinham medo de serem expulsos da sinagoga e termina nos falando que as pessoas preferiram amar mais a aprovação, a glória dos homens do que a glória de Deus. A crença não se deu pelos fatos, até porque tudo ao redor demonstrava que Jesus era o filho Deus, porém as pessoas não tinham predisposição em aceita-lo como tal.

Há um tempo atrás era moda ser crente. Pessoas se orgulham em bater em seu peito e em dizer eu sou crente. Empresas procuravam pessoas que fossem crente para contrata-las. Hoje a nossa realidade é diferente. Pessoas sentem vergonha em dizer que são crentes, pois sempre que nos dizemos que somos crentes, ouvimos logo uma enxurrada de críticas sobre fulano e fulana que dizem que são crentes e fazem isso e aquilo. Empresas hoje pensam duas vezes antes de contratar um crente, porque os crentes estão sendo conhecidos como aqueles que roubam o tempo do trabalho para ler a bíblia, como aqueles que não honram o seu trabalho quando é necessário fazer hora extra e como aqueles que “espiritualizam as coisas”.

Ser crente hoje é ser como os fariseus se sentiam. É ser uma pessoa separada, afastada do resto. O crente fala diferente (Imagina só se alguém que não é crente vai entender o que é vaso, varão, o que significa dizer só o sangue...), não se “ajunta”, nem se mistura, nem se relaciona com os outros, é a pessoa santa e que por se santa, se acha melhor do que as outras. E quem eram esses fariseus? Eram os “separados”, os “santos”, os que se achavam a “verdadeira comunidade de Israel”, eram pessoas que buscavam levar todos a viver estritamente o que está escrito na palavra de Deus. Poderíamos dizer que eram pessoas que só se permitiam viver dentro de uma “receita de bolo”, dentro de algo prescrito, planejado ou algo que para eles seria aceitável viver.

Quando prestamos atenção na passagem que lemos, vemos que as pessoas não acreditavam em Jesus por medo dos fariseus. E qual era o medo que eles tinham? O medo de que os fariseus o tirassem da sinagoga? E por que alguém teria medo de ser expulso da sinagoga? A sinagoga era algo parecido como um espaço que as pessoas se reuniam como igreja. Era na sinagoga que as pessoas conseguiam se “elevar”, se encontravam com Deus.

E o que isso poderia representar em nossas vidas? Que muitas vezes, temos nos referendado em pessoas que se acham as donas da verdade, quando na verdade, deveríamos nos referendar naquele que é a própria verdade (conhecereis a verdade e ela vós libertará – Jo 8:32).

Você pode até me dizer: Gabriel, eu sei tudo isso que você está falando, mas nada disso tem a ver com a minha vida.

Vamos dar uma olhada do que João 9:39-41:
Disse Jesus: "Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que vêem se tornem cegos".
Alguns fariseus que estavam com ele ouviram-no dizer isso e perguntaram: "Acaso nós também somos cegos? "
Disse Jesus: "Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado; mas agora que dizem que podem ver, a culpa de vocês permanece".

Pô, uma parábola de novo? Talvez isso passe pela sua cabeça, mas o que isso significa é muito claro. No capítulo 9 de João, Jesus é questionado se um homem era cego de nascença pelos seus pecados ou pelos pecados de seus pais (os judeus, assim como outras pessoas também acreditam, que as doenças e as coisas ruins são frutos do pecado) e Jesus responde a eles que não foi nem pelo seu pecado, nem pelo pecado de seus pais, mas para que a glória de Deus se manifestasse na vida dele. Inicialmente parece que a glória de Deus se manifesta tão somente quando aquele homem é curado, mas quando lemos essa passagem vemos que a pessoas é curada, mas nem sabe quem o curou e que toda aquela situação fez com que ele conhecesse a Jesus e passasse a crer, a seguir e a adorar a Deus.

O pecado, através do desejo de sermos independentes, o que nos fez sermos egoncintricos, naturalmente nos leva a ser cegos. E foi sobre isso que Deus falou a Isaias, que por conta do pecado, naturalmente o nosso coração foi endurecido, os nossos ouvidos foram tapados, por conta da nossa atitude pecaminosa. Somente Jesus pode nos levar a ver.

Em João 11:15, Jesus nos fala que era necessário que Lazaro morresse, para que seus discípulos verdadeiramente pudessem crer nEle. No versículo 35, do capítulo 20 de João, o evangelista nos fala que todos os sinais foram escritos, para que pudéssemos crer que Jesus é o filho de Deus e para que tivéssemos vida nEle.

Agora, você pode me dizer que você crê que Jesus é o filho de Deus. Mas eu lhe pergunto você tem vida nEle? E o que é ter vida em Jesus?

É viver contrariamente às pessoas das passagem que lemos. Pessoas que amaram, que preferiam a aprovação, a glória dos homens do que a glória, do que a aprovação de Deus. Pessoas que estavam mais preocupadas em ter a presença de Deus, em ver a glória de Deus, do que se relacionar com Deus, do que viver na glória de Deus. Hoje muitas vezes só estamos mais preocupados em “receber”, em “ver”, do que verdadeiramente em viver.

Talvez você já tenha recebido muitas bênçãos de Deus, talvez você tenha recebido milagres de Deus, talvez até você sinta amado por Deus, mas o que eu tenho a lhe dizer que é existe algo muito além disso. Ontem quando estávamos no sopão, eu vi Eduardo ficar surpreendido com um rapaz que começou a profetizar e falar coisas de Deus sobre as nossas vidas. Eduardo ficou meio que impressionado em como um homem naquela situação, drogado, longe da presença de Deus pode ser usado. E a resposta é muito simples: Aquilo que Deus dá, ele não toma. Às vezes nos somos iguais ao rapaz, somos usados, temos a presença de Deus, mas não pertencemos ao Senhor.

Existem pessoas que amam mais a si mesmo, mais aos outros, do que a si mesmos. Vivemos na política do “farinha pouca, meu pirão primeiro” e oram que seja feita a vontade dela na terra assim como no seu. O seu ego e a sua vontade é mais importante do que qualquer coisa.

Nesse momento eu tenho uma má noticia para você. A boa é que se você me disse que você “vê”, eu terei que lhe dizer que você precisa se tornar cego, para que Jesus possa lhe fazer “ver” e se você me disse que não vê, eu lhe direi, que você precisa permitir que Jesus abra os seus olhos.

E ao que está ligado o ver? Está ligado a não endurecer o coração, a abrir os nossos ouvir, a abrir o nosso entendimento, para que possamos mergulhar em um verdadeiro relacionamento com Deus. Em parar de ficar criando regra, de dizer para Deus que você não acredita nisso, que você não concorda ou não aceita isso ou aquilo, mas simplesmente se permitir a ter EXPERIÊNCIAS, experiências essas que lhe permitiram ter um RELACIONAMENTO, relacionamento esse que lhe permitirá receber a aprovação, a glória de Deus.

Para você que ainda tem dúvidas sobre o fato se você precisa receber a aprovação, a glória de Deus, vou lhe dar um toque sobre o que viver a luz segundo a palavra de Deus:
Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações. Tendo perdido toda a sensibilidade, ele se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza. Todavia, não foi assim que vocês aprenderam de Cristo. De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Quanto à antiga maneira de viver, v ocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo. "Quando vocês ficarem irados, não pequem". Apazigüem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao diabo. O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade. Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem. Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo.( Efésios 4:17-32)