
Hoje (30/03/2011) ao estar voltando de uma prova da minha faculdade eu pude me lembrar o quanto eu sou preconceito. Como já se tem tornando normal, sempre entram pessoas no ônibus pedindo dinheiro, só que dessa vez foi diferente. Diferente porque entrou uma senhora que possuía um defeito físico. Não vejo como explicar o defeito que ela tinha, só sei que foi o pior defeito físico que eu vi na minha vida, até porque parecia que uma bolsa escorria de alguma partes do corpo dela. Na verdade a única coisa que é fácil de dizer é que eu tive muito nojo na hora. Ao entrar no ônibus o primeiro ato dela foi colocar o filho dela (eu acho que no fundo eu torci para que ela não se sentasse do meu lado e é claro que não sinto orgulho disso) sentado em uma cadeira e entregar um papel pedindo dinheiro para comprar comida para ela e seus filhos (às vezes até me parece que esse tipo de texto é sempre igual). Enquanto ela passava entrega o papel para cada passageiro do ônibus eu comecei a pensar no sentido do meu nojo e o meu preconceito em relação a ela.
Normalmente nesse tipo de situação eu sempre me pergunto coisas do tipo que não haveria sentido em ter preconceito e sempre fala coisas do tipo: “Por que você vai querer classificar ela como bonita ou feia se você não vai casar ou pedir para namorar com ela?”. A questão é que por mais que não me orgulhe nesse tipo de reação que tenho, não há como não falar que isso é fruto da minha “carne”. Como a mudança, às vezes, é em doses homeopáticas eu decidi começar conversando com o filho dela, para tentar tomar coragem para falar com aquela senhora.
Tomei vergonha na cara e comecei a conversar com ela e quando ela terminou de recolher as doações, eu a pedi que se sentasse no meu lugar. Deus então me deu uma oportunidade de me redimir do meu sentimento de nojo e preconceito e aproveitou a situação para me ensinar algumas coisas que eu ainda preciso aprender.
Uma das primeiras coisas que eu a falei é que eu tive o privilegio de participar de um evangelismo no carnaval e que quase sempre eu testemunhava que eu me achava melhor do que as pessoas, pelos simples fato de possuir algumas coisas que eu achava que me tornavam importante e superior aos outros. Falava também de como Deus mudou o meu entendimento de que eu não possuía o mais importante, que era o amor de Deus. Eu sei que eu tive a oportunidade de falar do amor de Deus para ela, amor que não muda e é igual para todos. É claro que eu precisei me deixar ser usado por Deus, até para deixar o meu nojo e preconceito de lado e conseguir olhar dentro dos olhos daquela senhora, até porque a minha primeira atitude pode ter sido de tudo, menos de amor para com ela.
Quando desci do ônibus eu me lembrei de uma frase dita por Elton no Monday Evening (Projeto de prática de pronuncia do inglês às segundas feiras às 19:30 na Barra) que disse uma vez: “Love is love” (Amor é amor). Pode até parecer uma frase simples, mas nos estávamos discutindo sobre os tipos de amor. Falamos do amor paternal, do amor entre amigos, do amor romântico (no dia eu até falei sexual love, mas fui logo corrigido dizendo que na verdade é romantic love), só que com a resposta de Elton eu me toquei de que na verdade o amor é amor. Normalmente a separação entre o amor “Eros”, “Agape” e “Philos” é só uma forma de tentarmos racionalizar algo que é irracionável. Isso fica muito fácil quando estudamos a passagem de 1 João 4:8 que afirma: “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. Por mais que o dicionário tenha várias definições sobre o que é amor, a melhor definição é a de que Deus é amor. Ou seja, para entender o amor, basta conhecer Aquele que é a própria essência do amor.
Isso na verdade me mostra que verdadeiramente eu preciso aprender a viver um amor real, diferente do amor racional que muitas vezes predomina em mim. Humanamente, como até disse uma pessoa no Monday Evening, não dá para ter uma noção do que é o amor de Deus porque ele está acima da nossa compreensão, mas se pelo nos permitirmos deixar que Deus seja o centro das nossas vidas, por mais que não saibamos dizer nada além de que Deus é amor, poderemos testemunhar através do nosso dia a dia o que é o amor verdadeiro. Por fim, espero que não seja algo passageiro, mas estou seriamente decidido a seguir o que ensina uma música que ouvi a muito tempo e ir para os braços de Deus, ser beijado, abraçado e me permitir ser incendiado pelo amor de Deus. Alguém aí aceita uma pitada dessa amor?
Gabriel
PS: Por mais que ninguém venha a ler esse texto, acho que sempre que precisar e puder vou tentar relê-lo para não me esquecer da minha decisão de viver o amor.
Pocha Gabriel, muito interessante mesmo sua experiencia. Que bom que voce compartilhou aqui. Não se preoculpa, você não será o unico a ler mais vezes.
ResponderExcluirDiego Batista Queijinho