Nessas últimas semanas as palavras do profeta Ageu têm ecoado em meu coração. Ageu foi um profeta de Judá, que por determinação do Rei Ciro, voltou do exílio Persa, para reconstruir o templo de Jerusalém. No capítulo 4 do livro de Esdras vemos que essa reconstrução, por interferência do povo de Samaria (os samaritanos) e por uma determinação do Rei Artaxerxes acabou parando, logo após os pilares terem sido finalizados. Após 17 anos do inicio da reconstrução, surge as palavras de Ageu. No capítulo 1, dos versículos 1 a 10, o livro de Ageu fala:
“No segundo ano do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, o governador, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo: Assim fala o Senhor dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada. Veio, pois a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas (NVI – casas de fino acabamento), enquanto esta casa fica deserta (NVI – destruída)? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerais os vossos caminhos. Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vesti-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.”
E por que está passagem tem ecoado no meu coração? Primeiramente porque estamos em um momento de “construção” e em segundo lugar porque acredito que estou habitando em uma “casa de fino acabamento” enquanto o templo está abandonado/destruído.
Depois de tanto tempo e de tantas dificuldades e problemas, eu imagino que o lema do povo virou: “ema, ema, ema, cada um com os seus problemas”. Eu creio que cada um se voltou para os seus interesses pessoais. Todos tiraram um foco em comum, de construir o templo e passaram a se preocupar apenas nas suas necessidades pessoais. O problema é que essa escolha gerou efeitos negativos. É o que nos vemos no versículo 6 do capítulo 1 de Ageu, em que a palavra nos diz que como fruto da desobediência, o povo plantava e não colhia; como fruto da inutilidade das atividades do povo, o povo bebia, mas não se satisfazia; e como fruto da “inflação”, o povo depositada o seu salário em bolsas furadas.
Talvez, assim como os judeus, muitos de nos talvez achássemos que ainda não é o momento de mudarmos, que talvez devêssemos esperar um pouco mais, se preparar mais. A questão é que muitas vezes somos chamados para um tempo de construção, enquanto preferíamos ficar na “zona de conforto” das nossas vidas.
Dando continuidade ao livro de Ageu, no capítulo 2, dos versículos 1 a 9, a palavra de Deus nos diz que:
“No sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e ao restante do povo dizendo: Quem há entre vós que, tendo ficando, viu esta casa na sua primeira glória (VI – esplendor)? E como a vedes agora? Não é esta como nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela? Ora, pois, esforça-te (NVI- coragem) Zorobabel, diz o Senhor, e esforça-te (NVI- coragem), Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te (NVI- coragem) todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos. Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca (NVI – continente); E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos. Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos.”
Essa passagem teve como objetivo animar, motivar o povo a continuar com a obra. Além de levar o povo a enxergar o novo tempo que estava por vir, trazendo ainda promessas das bênçãos que viriam como fruto da decisão de construir.
Pelo período descrito na passagem do sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, verificamos através de estudos, que as palavras foram proferidas após a Festa das Cabanas. A Festa das Cabanas era uma festa judaica que durava 7 dias, em que o povo comemorava a colheita do verão. Por menor que tivesse sido a colheita, o povo devia continuar construindo. A questão é que o livro de Ageu no capítulo 1, versículo 11, nos descreve que a atitude do povo acabou gerando conseqüências negativas sobre a colheita:
“E mandei vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre o gado, e sobre todo o trabalho das mãos.”
Dessa forma podemos chegar a conclusão que a colheita tinha sido bem aquém, das necessidades de um tempo de construção e com certeza isso seria um impedimento para que o povo construísse. Mas em relação a nossas vidas, o que nos impediria de construirmos? Eu sinceramente não saberia responder, mas em relação a mim, eu poderia dizer que a minha falta de fé e a minha racionalidade excessiva provavelmente seriam grandes interferências, além da falta de recursos é claro.
Voltando ao que eu falei inicialmente, como eu estou morando em uma casa de fino acabamento? Recentemente eu estive pensando em quantas pessoas foram necessárias para eu morar em meu apartamento junto com a minha esposa. No mínimo foram necessários: um engenheiro, um arquiteto, um pedreiro, um pintor, uma pessoa para a parte hidráulica, uma pessoa para colocar o piso, entre outros, para que eu e minha esposa pudéssemos desfrutar do conforto da nossa casa. É muita gente para poucas desfrutarem.
No livro lealdade e deslealdade, o autor traz um ditado de Gana, que diz que os macacos trabalham e os babuínos se alimentam. Acho que é bem obvio, mas esse provérbio traz a velha idéia que já sabemos que muitos trabalham, enquanto poucos se beneficiam. Sinceramente tenho que confessar a vocês, que eu não tenho me doado como eu deveria. Eu tenho mais me beneficiado do que ajudado.
Essa passagem de Ageu me tocou profundamente porque eu passei a ter consciência de que eu devo colaborar mais e mais nesse novo tempo. É muito difícil ouvir, ver e entender essa realidade. Só Deus sabe como eu me entristeci quando lidei com esse fato. A questão é que essa realidade não é só para mim, mas é para todos nos. É claro que cada um vai ajudar de uma forma diferente. Alguns irão doar o seu trabalho físico, outros irão colaborar financeiramente, alguns irão conseguir coisas para este templo, outros irão conseguir meios de arrecadar fundos, outros irão usar a sua influência para nos ajudar a resolvermos eventuais problemas e necessidades, outros irão orar incessantemente, entre tantas outras coisas, mas todos deverão participar deste novo tempo.
É tempo de construir e eu quero fazer parte deste novo tempo. E você?




